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O visto nômade digital freelancer serve para quem trabalha por conta própria ou como PJ, não só para quem tem carteira assinada. A chave é provar os clientes de fora de Portugal. Veja quanto precisa de faturar e que documentos levar.
Se você quer ajuda com a pasta do visto, veja como funciona a assessoria para vistos de Portugal.
Assessoria jurídica
Você é freelancer ou PJ?
A equipe analisa os seus contratos, as suas faturas e os seus clientes e diz se a sua pasta chega para o visto D8.
Contratar análise do casoConteúdo
ToggleFreelancer pode pedir o visto de nômade digital?
Pode. A Lei de Estrangeiros fala em atividade profissional prestada de forma remota, subordinada ou independente, a pessoas ou empresas com domicílio ou sede fora de Portugal. O independente é justamente o freelancer, que trabalha por conta própria para vários clientes.
Na prática, o D8 olha para duas coisas: quem paga o seu trabalho e quanto você ganha. Se os seus clientes estão fora de Portugal e a sua faturação chega ao mínimo, o visto está ao seu alcance, com a pasta certa.
Clientes em Portugal não contam
O visto é para trabalho prestado a quem está fora do país. Clientes com sede em Portugal não entram na conta do D8. Se o seu plano é trabalhar sobretudo para empresas portuguesas, o caso pede outro tipo de visto.
Resumo: o D8 para quem trabalha por conta própria
A tabela junta o essencial para o freelancer e para o PJ que querem morar em Portugal:
| Tema | Regra principal |
|---|---|
| Quem pode | Independente com clientes fora de Portugal |
| Prova do trabalho | Contratos de prestação de serviços ou de sociedade |
| Renda mínima | Média de 3.680 € por mês nos últimos 3 meses |
| Prova da renda | Faturas, extratos e pagamentos dos clientes |
| Na AIMA | Declaração de quem contrata os seus serviços |
| Taxa do visto | 110 € por pedido |
Freelancer ou PJ: o que muda no pedido?
Para o D8, o que conta é a atividade independente para fora. Mas a forma como você está organizado no Brasil muda os documentos que vai levar ao consulado.
Freelancer com contratos em nome próprio
Quem presta serviços em nome próprio leva os contratos de prestação de serviços com cada cliente, ou outros documentos que mostrem os serviços prestados a uma ou mais empresas. Propostas aceites, ordens de compra e e-mails formais podem ajudar a completar a prova.
PJ com empresa própria
Quem fatura através de uma empresa no Brasil leva o contrato de sociedade, que mostra que você é sócio, e os contratos da empresa com os clientes. O consulado precisa de ver a ligação entre você, a sua empresa e quem paga pelos serviços.
Eu sugiro juntar um resumo de uma página que explique essa ligação, com o nome da empresa, os clientes e os valores. Ele não substitui os documentos, mas facilita a leitura da pasta.
Quanto você precisa de faturar?
A regra é a mesma para todos no D8: rendimentos médios mensais, nos últimos três meses, de pelo menos quatro vezes o salário mínimo. Com o salário mínimo de 920 € em 2026, o valor é de 3.680 € por mês.
- a média conta os três últimos meses antes do pedido;
- somam-se os rendimentos de todos os clientes de fora;
- para a família, entram 460 € por outro adulto e 276 € por filho;
- o consulado pode pedir mais documentos sobre a renda.
Quando a faturação oscila
O freelancer costuma ter meses bons e meses fracos. Como o D8 olha para a média de três meses, um mês fraco puxa o valor para baixo. Se você sabe que vem um mês mais calmo, ajuste o momento do pedido para que a média fique acima do mínimo.
Para quem recebe em reais, o câmbio também pesa. Uma folga acima de 3.680 € protege o pedido contra uma queda do real no mês errado.

Como provar os clientes de fora?
Esta é a parte que mais diferencia o pedido do freelancer. Em vez de um único contrato de trabalho, você monta uma pasta com várias peças que, juntas, contam a história da sua atividade:
- contratos de prestação de serviços com os clientes, assinados e em vigor;
- faturas ou notas fiscais dos últimos três meses;
- extratos bancários que mostrem os pagamentos recebidos;
- contrato de sociedade, se você fatura através de uma empresa;
- documento que comprove a residência fiscal.
Contratos de plataformas
Quem trabalha através de plataformas internacionais de freelancers pode juntar os termos aceites, o histórico de projetos e os pagamentos recebidos. A pasta deve mostrar que o trabalho é regular e que os clientes estão fora de Portugal.
Clientes sem contrato escrito
Se algum cliente trabalha só por e-mail ou por proposta, peça um contrato simples ou uma declaração antes do pedido. Um vínculo escrito é muito mais forte do que uma sequência de pagamentos sem explicação.
Como preparar os contratos antes do pedido
Muitos freelancers trabalham há anos com contratos curtos, genéricos ou escritos só em inglês. Antes de montar a pasta do D8, vale a pena rever cada um deles com calma, porque é ali que o consulado procura a prova do seu trabalho.
O que o contrato deve mostrar
Um bom contrato deixa claro quem são as partes, onde cada uma tem sede, que serviço você presta, por quanto tempo e por que valor. Se o contrato já terminou e foi renovado por e-mail, junte a renovação ou peça uma versão atualizada ao cliente.
Também ajuda que o contrato diga que o serviço pode ser prestado à distância. Isso mostra que o cliente aceita que você trabalhe a partir de outro país, que é justamente o que o visto pressupõe. Se o seu contrato atual não fala nisso, um aditamento simples, assinado pelas duas partes, resolve a questão.
Contratos em outra língua
Documentos em inglês ou noutra língua podem precisar de tradução. Pergunte ao consulado ou ao centro de atendimento quais documentos pedem tradução e se ela precisa de ser certificada, antes de marcar a entrega da pasta.
Quanto custa e quanto tempo leva
O custo do processo tem duas fases. No consulado, a taxa do visto de residência é de 110 € por pedido. Depois, já em Portugal, a AIMA cobra a taxa da autorização de residência, que em 2026 é de 159,20 € por pessoa.
- taxa do visto no consulado: 110 € por pedido;
- taxa da residência na AIMA: 159,20 € por pessoa;
- traduções e apostilas, quando forem precisas;
- serviços opcionais do centro de atendimento.
O tempo do consulado
O prazo de decisão depende do consulado e do volume de pedidos. Por isso, eu recomendo começar a preparar os contratos e as declarações dos clientes com dois ou três meses de folga, sobretudo se você tem muitos clientes para contactar.
Atenção: a média de três meses é contada a partir do momento do pedido. Se o processo atrasar e você tiver de pedir de novo, a conta pode mudar, por isso guarde sempre os comprovativos mais recentes.
E se você tem muitos clientes?
Ter muitos clientes é comum no freelancer e não é um problema para o D8. O que importa é que a soma dos rendimentos chegue à média exigida e que cada peça da pasta seja coerente com as outras.
Os clientes principais
Não é preciso levar contratos de clientes pontuais que pagaram uma vez. Concentre a pasta nos clientes regulares, que sustentam a média dos três meses, e deixe claro de onde vem cada pagamento.
Atenção: valores que entram na conta sem fatura nem contrato confundem a análise. Se um pagamento não tem explicação, o consulado pode pedir mais documentos ou desconsiderá-lo na conta da renda.
Clientes em vários países
Não há problema em ter clientes no Brasil, nos Estados Unidos e na Alemanha ao mesmo tempo. O que o D8 exige é que estejam fora de Portugal. Organize a pasta por cliente, com o contrato, as faturas e os pagamentos de cada um juntos, para que a leitura seja simples.
Se os pagamentos chegam em moedas diferentes, faça uma tabela com o valor de cada mês convertido em euros e indique a data e a fonte do câmbio usado. Isso evita dúvidas sobre a média. Use sempre o mesmo critério de câmbio para todos os meses e todos os clientes da pasta.
Um cliente que pesa mais
Muitos freelancers têm um cliente grande e vários pequenos. Nesse caso, o contrato e a declaração do cliente grande são as peças mais importantes da pasta. Se esse contrato está perto do fim, trate da renovação antes de pedir o visto, para mostrar que o trabalho vai continuar depois da mudança.
A declaração para a AIMA
Depois de chegar a Portugal, o pedido de residência na AIMA pede uma declaração sob compromisso de honra da entidade de fora de Portugal que confirme a prestação de serviços. Para o freelancer, isso significa pedir esse documento a quem contrata os seus serviços.
Com vários clientes
Se você tem vários clientes, o mais seguro é pedir a declaração aos principais, os que sustentam a renda. Trate disso antes de sair do Brasil, porque depende da boa vontade de terceiros e pode demorar.
Além da declaração, a AIMA pede o passaporte, o visto válido, a prova da morada em Portugal e o modelo de pedido assinado. O guia do visto para nômade digital mostra o caminho completo.
Como ficam os impostos?
Quem passa a viver em Portugal costuma tornar-se residente fiscal, com mais de 183 dias no país em 12 meses ou com casa usada como residência habitual. O residente paga imposto em Portugal sobre os rendimentos de todo o mundo.
A convenção entre os dois países
Para os serviços independentes, a convenção contra a dupla tributação diz que o rendimento é tributado no país de residência, mas o outro país também pode tributar quando quem paga é residente lá. Nesse caso, Portugal dá um crédito pelo imposto pago no Brasil.
O PJ e a empresa no Brasil
Manter uma empresa no Brasil enquanto mora em Portugal pede uma análise própria, porque mexe com a contabilidade dos dois países. A forma como você recebe da empresa, e onde paga cada imposto, deve ser decidida com um contabilista antes da mudança.
Atenção: no Brasil, quem sai de vez precisa de entregar a Comunicação de Saída Definitiva do País até o último dia de fevereiro do ano seguinte. Sem ela, a Receita Federal pode continuar a tratar você como residente.
E a Segurança Social?
A inscrição e as contribuições de quem trabalha por conta própria em Portugal têm regras próprias. Para ficar em ordem, você precisa do NISS, pedido online e gratuito, e de organizar as contribuições com um contabilista certificado.
Os anos de INSS
O acordo de Segurança Social entre o Brasil e Portugal permite somar os períodos de contribuição dos dois países para as pensões de velhice, invalidez e morte. Guarde o extrato do INSS antes de sair.
A renovação da residência exige a Segurança Social e os impostos em dia, por isso não deixe este ponto para depois da chegada.
Primeiros passos depois de chegar
Com o visto no passaporte, a sequência certa poupa semanas:
- pedir o NIF, como explica o texto sobre como obter o NIF em Portugal;
- abrir conta num banco, com o guia da conta bancária em Portugal;
- pedir o NISS e falar com um contabilista sobre a sua atividade;
- ir à AIMA no dia marcado, com as declarações dos clientes e a prova da morada;
- inscrever-se no centro de saúde, como mostra o texto sobre o sistema de saúde em Portugal.

Erros que atrasam o pedido do freelancer
Eu vejo os mesmos problemas nas pastas de quem trabalha por conta própria. A maioria resolve-se com tempo e organização.
O primeiro é levar só extratos, sem contratos nem faturas, o que deixa a origem da renda pouco clara. O segundo é contar com clientes portugueses na média, quando o D8 só olha para quem está fora.
O terceiro é pedir o visto logo depois de um mês fraco, com a média abaixo de 3.680 €. E, por fim, muitos deixam para a última hora as declarações dos clientes para a AIMA.
Família e futuro
O cônjuge e os filhos podem acompanhar você, com os pedidos feitos ao mesmo tempo. Veja o texto sobre morar em Portugal com família. Com o tempo de residência, você pode pedir a nacionalidade portuguesa por tempo de residência.
Assessoria jurídica
Pasta do D8 para quem tem vários clientes
Organizamos os contratos, as declarações e as provas de faturação e acompanhamos o pedido até a residência na AIMA.
Quero assessoria jurídicaLeia também: o guia do visto de TI para Portugal, o guia completo do visto nômade digital e o texto sobre trabalho remoto em Portugal para brasileiros.
Perguntas frequentes
A seguir, as respostas às dúvidas mais comuns sobre o visto de nômade digital para freelancer.
Freelancer pode pedir o visto de nômade digital em Portugal?
Pode. O D8 vale para atividade remota subordinada ou independente, prestada a pessoas ou empresas com sede fora de Portugal. O freelancer prova o trabalho com contratos de prestação de serviços e faturas.
PJ pode pedir o visto D8?
Pode. Quem fatura através de uma empresa no Brasil leva o contrato de sociedade e os contratos da empresa com os clientes, além da prova de uma renda média de pelo menos 3.680 € por mês.
Quanto o freelancer precisa de faturar para o D8?
A média dos últimos três meses tem de chegar a pelo menos 3.680 € por mês, que são quatro vezes o salário mínimo português de 920 € em 2026. Somam-se os rendimentos de todos os clientes de fora.
Clientes em Portugal contam para o visto de nômade digital?
Não. O D8 é para trabalho prestado a pessoas ou empresas com sede fora de Portugal. Para a conta da renda do visto, entram só os rendimentos vindos dos clientes de fora do país.
Preciso de declaração dos clientes para a AIMA?
Sim. A AIMA pede uma declaração sob compromisso de honra da entidade de fora de Portugal que confirme a prestação de serviços. Com vários clientes, peça-a aos principais antes de sair do Brasil.

Quem escreve
Rodrigo Maranhão
Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.
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Advogados inscritos em Portugal e no Brasil cuidam do seu visto de nômade digital, do consulado à AIMA.
Contratar a assessoriaFontes oficiais consultadas
- Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, versão consolidada: arts. 54.º, 58.º, 61.º-B, 75.º e 78.º (consultado em 25/10/2026)
- Decreto Regulamentar n.º 84/2007, arts. 18.º-B e 31.º-A; Decreto-Lei n.º 139/2025; Portaria n.º 1563/2007 (consultado em 25/10/2026)
- MNE: documentação instrutória do visto de residência para atividade remota (outubro de 2026) (consultado em 25/10/2026)
- AIMA: autorização de residência para atividade profissional prestada de forma remota (outubro de 2026) (consultado em 25/10/2026)
- Código do IRS, arts. 15.º e 16.º; Convenção para evitar a dupla tributação Brasil–Portugal, arts. 14.º e 23.º (consultado em 25/10/2026)
- Acordo de Segurança Social entre o Brasil e Portugal (1991), alterado em 2006, art. 9.º; Receita Federal: Saída Definitiva do País (consultado em 25/10/2026)