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Nômade digital Portugal ou Espanha: qual país escolher para trabalhar remoto? Os dois têm visto para quem trabalha para empresas de fora. Compare a renda, a família, a Segurança Social, as taxas e o caminho até a residência.
Se você quer ajuda com o visto português, veja como funciona a assessoria para vistos de Portugal.
Assessoria jurídica
Em dúvida entre Portugal e a Espanha?
A equipe olha para o seu contrato, a sua renda e a sua família e mostra se o visto português D8 serve para o seu caso.
Contratar análise do casoConteúdo
TogglePortugal ou Espanha: qual escolher?
Não há um vencedor para todos. Os dois vistos nasceram com a mesma ideia: deixar morar no país quem trabalha à distância para empresas ou clientes de fora. As diferenças estão nos valores, nas regras da Segurança Social e no caminho depois do visto.
Para o brasileiro, a língua pesa bastante. Em Portugal, você resolve a vida no seu idioma, do banco ao centro de saúde. Na Espanha, o espanhol entra em tudo, da escola dos filhos aos contratos de arrendamento.
Se você trabalha para uma empresa brasileira, há ainda o fuso horário e a Segurança Social, dois pontos em que a escolha do país muda a sua rotina e as suas contas. Vale olhar para tudo antes de comprar a passagem.
Antes de comparar
Este texto compara as regras gerais. Eu trabalho com o lado português, por isso os detalhes do visto espanhol devem ser confirmados com o consulado de Espanha ou com um advogado espanhol antes do pedido.
Resumo: os dois vistos lado a lado
A tabela junta as regras principais do D8 português e da autorização espanhola de teletrabalho de caráter internacional:
| Tema | Portugal (D8) | Espanha (teletrabalho internacional) |
|---|---|---|
| Renda do titular | 3.680 € por mês, em média | 200% do salário mínimo espanhol |
| Segundo adulto | +50% do salário mínimo | +75% do salário mínimo |
| Cada filho ou outro membro | +30% do salário mínimo | +25% do salário mínimo |
| Visto inicial | 4 meses, para pedir a residência | 1 ano para residir e trabalhar |
| Clientes no próprio país | Não entram no D8 | Até 20% da atividade, só para autónomos |
| Segurança Social | Regra do acordo Brasil–Portugal | Inscrição obrigatória em Espanha |
Quanto precisa de ganhar em cada país?
Os dois países usam o salário mínimo nacional como base, mas com multiplicadores e salários mínimos diferentes. Por isso, a comparação precisa de ser feita com cuidado.
Em Portugal
O D8 pede rendimentos médios mensais, nos últimos três meses, de pelo menos quatro vezes o salário mínimo português. Com o salário mínimo de 920 € em 2026, o valor fica em 3.680 € por mês.
Na Espanha
A autorização espanhola pede recursos mensais de 200% do salário mínimo interprofissional, vindos do trabalho. Em 2026, pelo Real Decreto 126/2026, esse salário mínimo é de 1.221 € por mês, pago em 14 vezes. Confirme no consulado espanhol como é feita a conta mensal.
Na prática, você precisa de juntar os recibos ou as faturas dos últimos meses nos dois casos. Quem recebe em reais sente o câmbio: uma queda do real pode deixar a média abaixo do mínimo justamente no mês do pedido.
Atenção: não compare só o mínimo. O valor exigido é o ponto de partida. A renda da casa, os impostos e a Segurança Social mudam muito de uma cidade para outra, nos dois países.
Quem pode pedir em cada país?
Nos dois casos, o visto é para quem trabalha de forma remota para fora. Os detalhes, porém, não são iguais e podem decidir a escolha.
Em Portugal
O D8 serve para quem trabalha de forma remota, com contrato de trabalho ou prestação de serviços, para pessoas ou empresas com sede fora de Portugal. O guia do visto para nômade digital mostra os requisitos completos.
Na Espanha
As perguntas frequentes do Ministério da Inclusão espanhol dizem que o empregado só pode trabalhar para a empresa de fora. O autónomo precisa de um contrato com a empresa estrangeira há pelo menos três meses e pode ter clientes espanhóis até 20% da sua atividade.
A regra espanhola também exige que o trabalho seja feito apenas por meios digitais, sem supervisão presencial no país de origem. Funções que precisam de visitas ou de controlo presencial ficam de fora.
Atenção: se a sua empresa tem filial no país onde você quer morar, o caso pode deixar de ser de nômade digital. Na Espanha, as perguntas frequentes tratam essa situação como transferência dentro da empresa, com regras próprias. Em Portugal, uma empresa com sede no país também tira você do D8.
E a família?
Os dois países deixam a família acompanhar o titular, mas a conta da renda muda. Em Portugal, o primeiro adulto conta 100% do salário mínimo, cada outro adulto 50% e cada filho 30%.
Na Espanha, a unidade de duas pessoas soma 75% do salário mínimo ao valor do titular, e cada membro a mais acrescenta 25%. Lá, os familiares com autorização podem trabalhar sem restrições, por conta própria ou de outrem.
Nos dois países, a renda tem de cobrir todo o agregado. Se só você trabalha, é o seu salário que tem de chegar ao valor somado do titular, do cônjuge e dos filhos. Faça essa conta antes de escolher, porque com dois ou três filhos a diferença entre as fórmulas aparece.
Os pedidos juntos
Em Portugal, os pedidos da família podem ser feitos ao mesmo tempo que o seu. O texto sobre morar em Portugal com família mostra o que preparar para cada pessoa.

Como funciona a Segurança Social?
É aqui que os dois países mais se afastam. Para quem trabalha para uma empresa brasileira, a diferença pode pesar tanto como a renda mínima.
Em Portugal
Vale o Acordo de Segurança Social entre o Brasil e Portugal: em regra, aplica-se a lei do país onde o trabalho é feito. Quem é destacado pela empresa pode continuar no sistema de origem por até 60 meses, com mais 12 em casos imprevistos.
Na Espanha
Segundo as perguntas frequentes espanholas, a inscrição na Segurança Social espanhola é obrigatória. A empresa de fora tem de se registar como entidade não residente para inscrever o empregado, salvo quando um acordo entre os países e um certificado do país de origem cobrem o trabalhador.
O autónomo, na Espanha, inscreve-se no regime próprio dos trabalhadores independentes, sem a opção de trazer a cobertura do país de origem. Se a inscrição não for feita, a autorização pode ser extinta.
Como ficam os impostos?
Os impostos merecem uma análise à parte, porque cada país tem as suas regras e os seus regimes especiais. O que segue é o essencial do lado português.
Em Portugal
Quem fica mais de 183 dias no país em 12 meses, ou tem casa usada como residência habitual, torna-se residente fiscal e paga IRS sobre os rendimentos de todo o mundo. A convenção entre o Brasil e Portugal evita que você pague duas vezes pelo mesmo salário.
Na Espanha
A Espanha tem regras fiscais próprias e regimes especiais para quem chega. Eu não trato do direito fiscal espanhol, por isso a recomendação é falar com um especialista espanhol antes de decidir, com os números do seu contrato na mão.
Quanto custa o pedido?
Em Portugal, a taxa do visto nacional no consulado é de 110 € por pedido. Depois, a AIMA cobra ao brasileiro 159,20 € pela residência. Somam-se apostilas, traduções e outros documentos.
Na Espanha, as perguntas frequentes indicam uma taxa de 73,26 € para o pedido inicial de autorização feito no país. A taxa do visto no consulado espanhol não aparece nesse documento, por isso confirme o valor antes de marcar.
Nos dois casos, entram ainda custos que não são taxas: o registo criminal, as apostilas, as traduções quando são pedidas e as viagens até o consulado. Em Portugal, o pedido no Brasil é feito presencialmente nos centros da VFS Global, com agendamento.
O seguro de saúde
A Espanha exige seguro público, pela Segurança Social, ou um seguro privado sem carências nem copagamentos. Seguro de viagem não serve. Em Portugal, o brasileiro fica dispensado do seguro de viagem no pedido do visto por causa do acordo entre os dois países.
Do visto à residência
O desenho dos dois caminhos é diferente, e isso conta para quem quer ficar de vez.
Em Portugal
O visto de residência vale quatro meses e duas entradas. Nesse período, você pede a autorização de residência na AIMA, que vale dois anos e depois é renovada por períodos de três.
Durante a residência temporária, a lei portuguesa permite cancelar a autorização de quem fica fora do país seis meses seguidos ou oito meses interpolados no período de validade. Para quem trabalha remoto e gosta de passar temporadas no Brasil, este limite é importante.
Planeie as viagens com o calendário na mão, para que um inverno no Brasil não ponha em risco a residência que você levou meses a conseguir.
Na Espanha
O visto espanhol autoriza a residir e trabalhar durante um ano. Quando faltam 60 dias para o fim, com o visto ainda válido, você pode pedir em Espanha a autorização de residência. Não é possível pedir essa autorização diretamente a partir do Brasil.
Isso significa que, na Espanha, você passa pelo consulado e depois por um segundo pedido no país. Em Portugal também há duas etapas, o visto e a AIMA, mas a residência é pedida logo nos primeiros meses depois da chegada.

Língua, custo de vida e rotina
Além da lei, a vida prática decide muito. Na minha experiência, estes são os pontos que mais pesam para os brasileiros:
- a língua: em Portugal, tudo se resolve em português;
- a comunidade brasileira, muito grande em Portugal;
- o custo da casa, alto em Lisboa e no Porto e em Madrid e Barcelona;
- o fuso: Portugal continental está uma hora atrás de Espanha, o que aproxima o dia de trabalho do horário do Brasil.
A escola dos filhos também conta. Em Portugal, as crianças estudam em português desde o primeiro dia, o que facilita muito a adaptação. Na Espanha, a adaptação à língua faz parte da mudança, e algumas regiões têm ainda uma segunda língua oficial na escola.
Se o custo pesa, o texto sobre as cidades baratas para viver em Portugal mostra alternativas a Lisboa e ao Porto.
Quando Portugal costuma fazer mais sentido
Portugal tende a ser a melhor escolha para quem trabalha para o Brasil, quer viver em português e pensa em ficar de vez. Ter a família a estudar e a ir ao médico na mesma língua facilita muito os primeiros anos.
Quando a Espanha pode ser melhor
A Espanha pode compensar para quem já fala espanhol, tem clientes espanhóis em pequena parte da carteira ou prefere viver numa cidade espanhola específica. Nesse caso, fale com um advogado espanhol.
Também pode fazer sentido para quem tem família na Espanha ou um projeto profissional que dependa de estar lá. O importante é que você escolha pelos números e pela vida que quer levar, não pelo visto que parece mais rápido.
Como decidir em quatro passos
Se você ainda está em dúvida, siga esta ordem. Ela ajuda a separar o que é regra do visto do que é preferência pessoal:
- confirme se o seu contrato é com empresa ou clientes de fora do país escolhido;
- faça a conta da renda mínima com a sua família, nos dois países;
- veja como fica a Segurança Social do seu caso, com a sua empresa;
- compare o custo da casa nas cidades onde você quer morar.
Com estas quatro respostas em mãos, a escolha entre os dois países costuma ficar clara. Se ainda houver dúvida, uma análise jurídica do seu contrato evita gastar com o pedido errado.
A residência e o futuro em Portugal
Depois de escolher Portugal, você renova a residência com a Segurança Social e os impostos em dia. Com o tempo, você pode pedir a nacionalidade portuguesa por tempo de residência, que dá também a cidadania europeia.
Em Portugal, a renovação exige meios de subsistência, alojamento e as obrigações fiscais e da Segurança Social em dia. Quem se ausenta do país por longos períodos durante a residência temporária pode perder a autorização, por isso planeie as viagens ao Brasil com cuidado.
Antes de decidir
Faça a conta com os números reais do seu contrato, da sua família e da cidade que você quer. Se ainda pesa se a mudança compensa, o texto sobre se vale a pena morar em Portugal ajuda a pôr tudo na balança.
Assessoria jurídica
Escolheu Portugal?
Preparamos a pasta do D8, acompanhamos o pedido no consulado e seguimos com você até a residência na AIMA.
Quero assessoria jurídicaLeia também: o guia do visto de TI para Portugal, o guia completo do visto nômade digital e o texto sobre visto D7 ou D8.
Perguntas frequentes
A seguir, as respostas às dúvidas mais comuns de quem compara Portugal e a Espanha para trabalhar remoto.
O visto de nômade digital é mais fácil em Portugal ou na Espanha?
Depende do caso. Os dois pedem trabalho remoto para fora e renda mínima. Portugal tem a vantagem da língua e de um acordo de Segurança Social com o Brasil; a Espanha aceita alguns clientes espanhóis.
Quanto preciso de ganhar para ser nômade digital em Portugal?
O D8 português pede rendimentos médios de pelo menos 3.680 € por mês nos últimos três meses, que são quatro vezes o salário mínimo de 920 € em 2026, com prova do contrato.
Quanto preciso de ganhar para o visto espanhol de teletrabalho?
A Espanha pede recursos mensais de 200% do seu salário mínimo, que em 2026 é de 1.221 € por mês em 14 pagamentos. Confirme com o consulado espanhol como é feita a conta mensal.
Posso ter clientes no país onde moro?
No D8 português, o trabalho tem de ser para empresas ou clientes com sede fora de Portugal. Na Espanha, o autónomo pode ter clientes espanhóis até 20% da sua atividade.
A família pode trabalhar nos dois países?
Na Espanha, os familiares com autorização podem trabalhar sem restrições. Em Portugal, quem tem autorização de residência pode exercer atividade profissional, por conta própria ou de outrem, nos termos da lei.

Quem escreve
Rodrigo Maranhão
Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.
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Assessoria para quem trabalha remoto
Advogados inscritos em Portugal e no Brasil cuidam do seu visto de nômade digital para Portugal, do início ao fim.
Contratar a assessoriaFontes oficiais consultadas
- Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, versão consolidada: arts. 58.º, 61.º-B, 75.º e 83.º (consultado em 25/10/2026)
- Decreto Regulamentar n.º 84/2007, arts. 18.º-B e 31.º-A; Decreto-Lei n.º 139/2025; Portaria n.º 1563/2007 (consultado em 25/10/2026)
- Acordo de Segurança Social entre o Brasil e Portugal (1991), alterado pelo Acordo Adicional de 2006, art. 4.º (consultado em 25/10/2026)
- Espanha, Ministerio de Inclusión, Seguridad Social y Migraciones: perguntas frequentes sobre autorizações de teletrabalhadores internacionais (Lei 14/2013) (consultado em 25/10/2026)
- Espanha, Real Decreto 126/2026, de 18 de fevereiro (salário mínimo interprofissional para 2026) (consultado em 25/10/2026)