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Quem trabalha com tecnologia e pensa em Portugal quase sempre fica entre o visto D7 e D8. Os dois são de residência, mas olham para rendas diferentes. Veja qual serve para o seu caso e por quê.
Se você quer ajuda para escolher e pedir o visto, veja como funciona a assessoria para vistos de Portugal.
Assessoria jurídica
Em dúvida entre o D7 e o D8?
A equipe olha para a sua renda, o seu contrato e os seus planos e diz qual visto encaixa no seu caso, antes de você gastar com o pedido.
Contratar análise do casoConteúdo
ToggleQual a diferença entre o visto D7 e o D8?
A diferença está na origem do dinheiro. O D7 é o visto de quem vive de rendimentos próprios, como aluguéis, aplicações ou direitos de autor, e de quem é aposentado. O D8 é o visto de quem trabalha remoto para empresas ou clientes fora de Portugal.
Para o profissional de tecnologia, a pergunta prática é simples: o que paga as suas contas todo mês? Se é o salário ou os contratos de um trabalho que você continua a fazer, o caminho é o D8. Se é um património que rende sozinho, o D7 entra na conversa.
O que os dois têm em comum
Os dois são vistos de residência, pedidos no Brasil antes da viagem, e os dois levam à mesma autorização de residência na AIMA. Depois de chegar, o caminho até a renovação e a nacionalidade é parecido. O que muda é a prova que você apresenta.
O guia completo do visto D7 em Portugal explica esse visto em detalhe. Aqui, o foco é a escolha de quem trabalha com TI.
Resumo: D7 e D8 lado a lado
A tabela compara os pontos que mais pesam na escolha, com a regra oficial de cada um:
| Ponto | Visto D7 | Visto D8 |
|---|---|---|
| Base do pedido | Rendimentos próprios ou reforma | Trabalho remoto para fora de Portugal |
| Renda mínima do titular | 920 € por mês | 3.680 € por mês, média de 3 meses |
| Prova principal | Origem e disponibilidade dos rendimentos | Contrato ou vínculo e rendimentos |
| Taxa do consulado | 110 € | 110 € |
| Prazo de decisão do visto | 60 dias | 60 dias (30 na estada temporária) |
| Depois do visto | Residência na AIMA | Residência na AIMA |
Para quem é o visto D7?
A página do Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre o D7 fala de quem vive de rendimentos e de aposentados. Para os rendimentos próprios, ela aceita os que vêm de bens móveis ou imóveis, de propriedade intelectual e de aplicações financeiras.
Para os aposentados, o consulado pede o comprovativo do valor da reforma e da garantia de a receber em Portugal. O documento pedido, em todos os casos, mostra a origem do dinheiro e que ele fica disponível para você no país.
O que isso quer dizer para quem é de TI
O D7 serve ao profissional de tecnologia que já não depende do trabalho diário para pagar as contas. Pense em quem vendeu uma empresa, tem imóveis arrendados ou vive dos rendimentos de investimentos acumulados ao longo da carreira.
Também pode servir a quem decidiu fazer uma pausa longa na carreira e tem patrimônio para isso. Nesse caso, o pedido mostra a renda que entra todo mês sem depender de trabalho, e não um salário que vai continuar a cair na conta.
Para quem é o visto D8?
O D8 é o visto para atividade profissional remota, subordinada ou independente, prestada a pessoas ou empresas com sede fora de Portugal. É o caso clássico do desenvolvedor contratado por uma empresa do Brasil, dos Estados Unidos ou de outro país da Europa.
O pedido exige prova do contrato de trabalho ou da prestação de serviços e rendimentos médios dos últimos três meses de, pelo menos, quatro salários mínimos portugueses. Em 2026, com o salário mínimo de 920 €, isso dá 3.680 € por mês.
Residência ou estada temporária
O D8 tem duas versões. O visto de residência leva à autorização de residência na AIMA. O visto de estada temporária serve para períodos inferiores a um ano e tem decisão em 30 dias. O guia do visto para nômade digital mostra as duas.
O salário do trabalho remoto conta para o D7?
Este é o ponto que mais confunde quem trabalha com tecnologia. A lista do consulado para o D7 fala de bens, propriedade intelectual e aplicações financeiras, e não menciona o salário nem o rendimento do trabalho como base desse visto.
Por isso, quem vive do salário de um trabalho remoto tem, na lei, um visto feito para essa situação: o D8. Usar o D7 para esconder um trabalho que continua obriga você a explicar a origem do dinheiro de uma forma que não corresponde à realidade.
Atenção: o pedido de visto é uma declaração ao Estado português. Escolher o visto pelo valor mínimo mais baixo, e não pela sua situação real, pode complicar a autorização de residência e as renovações, quando os documentos voltam a ser conferidos.
E se o trabalho remoto acabar?
Se você pretende parar de trabalhar e viver de rendimentos dentro de alguns anos, o D8 continua a ser o visto do presente. A situação que conta no pedido é a que você tem hoje, e não a que planeia ter mais tarde.

Quanto de renda cada um pede?
Os valores mínimos são bem diferentes, e é aqui que muita gente se sente tentada a escolher o D7. Os números oficiais para 2026 são estes:
- D7: 920 € por mês para o titular, mais 460 € pelo cônjuge e 276 € por cada filho menor;
- D8: média de 3.680 € por mês nos últimos três meses, com prova do contrato ou do vínculo;
- nos dois: alojamento em Portugal e meios que você consiga comprovar com documentos.
Repare que o D8 não pede só o valor: pede que ele venha de um contrato ou vínculo com quem está fora de Portugal. Um extrato alto sem contrato não resolve, e um contrato sem os rendimentos dos últimos três meses também não.
O guia da renda do visto D7 explica como o consulado conta os rendimentos desse visto, e o texto sobre quanto dinheiro ter na conta fala do saldo bancário.
Para quem é de TI, o mínimo do D8 costuma caber
Um desenvolvedor pleno ou sénior contratado por empresa estrangeira costuma ganhar acima de 3.680 € por mês. Quem ganha menos do que isso não deve trocar de visto para caber no limite, mas sim rever o plano com calma antes de pedir.
Também conta a forma de receber. Se você é contratado como PJ no Brasil, o contrato de prestação de serviços e as notas emitidas ajudam a mostrar o vínculo e a média dos últimos três meses, desde que os valores batam com os extratos.
Quanto custa cada um?
No consulado, a taxa do visto nacional é de 110 € por pedido, para o D7 e para o D8. Em Portugal, os dois seguem para a AIMA, que cobra a análise do pedido e a emissão do título de residência pela mesma tabela de taxas.
A estes valores somam-se os custos dos documentos: apostilas, traduções, seguro de saúde e, no caso da VFS Global, os serviços opcionais. O texto sobre quanto custa o visto D7 detalha os gastos desse visto.
Os custos de viver no país
A maior diferença de custo não está nas taxas, está na vida em Portugal. O valor mínimo de renda é só a porta de entrada. Para saber se a sua renda chega para a cidade que você escolheu, veja as cidades mais caras de Portugal.
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O visto certo à primeira
Escolher o visto errado custa meses. Acompanhamos o pedido do início ao fim, com a pasta montada para o tipo de renda que você tem.
Quero assessoria jurídicaCom o D7, posso trabalhar em Portugal?
Depois de ter a autorização de residência, a lei permite ao titular exercer atividade profissional. Mas o D7 foi concedido com base nos seus rendimentos, e a renovação volta a olhar para os meios que você tem nessa altura.
O texto sobre trabalhar com o visto D7 explica o que a lei permite. Para quem já sabe que vai continuar a trabalhar remoto para fora, o mais seguro é pedir logo o visto que corresponde a essa realidade.
O que pesa na renovação
Na renovação, a lei pede meios de subsistência, alojamento e as obrigações fiscais e de Segurança Social em dia. Se você entrou com o D7 e passou a viver de um salário, os documentos da renovação vão mostrar essa mudança, e ela precisa de ser bem explicada.
E quem vende software ou recebe direitos de autor?
A propriedade intelectual aparece na lista do D7, e isso chama a atenção de quem desenvolve produtos. Direitos de autor e licenças podem ser rendimentos próprios, mas cada caso pede análise da origem, da regularidade e dos contratos.
Eu não recomendo partir do princípio de que a venda de aplicações ou de software serve sozinha para o D7. Muitas vezes, esse dinheiro é o resultado de um trabalho que continua todos os dias, o que aproxima o caso mais do D8 do que de um rendimento passivo.
Atenção: se uma parte da sua renda é passiva e outra vem do trabalho, monte a pasta a partir da fonte principal. Juntar as duas sem explicar cada uma deixa o pedido confuso e abre espaço para pedidos de mais documentos.
Como mostrar a origem do dinheiro
Para direitos de autor ou licenças, o consulado quer ver contratos, extratos e a regularidade dos pagamentos. Se você recebe por uma loja de aplicações ou por uma plataforma, guarde os relatórios de vendas dos últimos meses e os comprovativos de recebimento na sua conta.
Qual tem o processo mais rápido?
Os vistos de residência, D7 e D8, têm prazo de decisão de 60 dias no consulado. Só o D8 de estada temporária tem prazo de 30 dias. Depois de concedido, o visto de residência vale quatro meses e permite duas entradas em Portugal.
Na prática, o prazo depende mais da pasta do que do tipo de visto. Um pedido completo, com a renda bem comprovada, anda mais rápido do que um pedido que precisa de documentos extra a meio do caminho.
Onde se faz o pedido
Os dois vistos são pedidos no Brasil, num centro da VFS Global, com agendamento feito por você. Antes de marcar, confira a lista de documentos do tipo de visto escolhido, porque a pasta do D7 e a do D8 são diferentes desde o primeiro papel.
E a família?
Os dois vistos permitem levar a família. No D7, o valor mínimo sobe com cada pessoa, e o guia do visto D7 para a família mostra as contas. No D8, os familiares podem pedir o visto ao mesmo tempo que você, para o acompanhar.
Se a família vai junto, organize as certidões de casamento e de nascimento antes de pedir. O texto sobre morar em Portugal com a família ajuda a planear escola, casa e custos.
Nos dois vistos, cada familiar tem o seu próprio pedido, a sua própria taxa e a sua própria pasta de documentos. Some esses custos ao orçamento da mudança desde o início, para não ter surpresas no consulado.

Como escolher entre o D7 e o D8?
Responda às perguntas abaixo, pela ordem. A primeira resposta clara costuma indicar o visto certo para o seu caso:
- Vou continuar a trabalhar para uma empresa ou clientes de fora de Portugal? Se sim, o caminho é o D8.
- A minha renda vem de aluguéis, aplicações ou direitos que rendem sem o meu trabalho diário? Se sim, o D7 pode servir.
- Vou trabalhar para uma empresa portuguesa? Então o assunto já é outro visto, de trabalho ou de alta qualificação.
- Quero abrir uma empresa em Portugal? Então vale comparar o D2 com o D7.
Eu vejo muitos profissionais de tecnologia chegarem convencidos de que o D7 é mais fácil. Quando a renda é de trabalho, a facilidade é só aparente, porque os documentos não contam a mesma história que o pedido.
E os outros vistos para quem é de TI?
Se a proposta vem de uma empresa portuguesa e a função é qualificada, o visto D3 para profissionais altamente qualificados pode fazer mais sentido. Para quem quer empreender em Portugal, o texto D2 ou D7 compara essas duas opções.
Se você vai trabalhar para uma empresa portuguesa sem cumprir os requisitos do D3, o caminho é o visto de trabalho subordinado, que depende de um contrato ou promessa de contrato com o empregador em Portugal.
O ponto em comum de todos é o mesmo: o visto deve corresponder ao que você vai fazer em Portugal. É essa coerência que facilita a residência, as renovações e, mais tarde, o pedido de nacionalidade.
Leia também: o guia do visto de TI para Portugal, o guia completo do visto nômade digital e o texto sobre nômade digital: Portugal ou Espanha.
Perguntas frequentes
A seguir, as respostas às dúvidas mais comuns sobre o visto D7 e o D8 para quem trabalha com tecnologia.
Qual a diferença entre o visto D7 e o D8?
O D7 é para quem vive de rendimentos próprios, como aluguéis, aplicações ou direitos de autor, e para aposentados. O D8 é para quem trabalha remoto para empresas ou clientes com sede fora de Portugal.
Quem trabalha remoto pode pedir o D7?
A lista do consulado para o D7 fala de bens, propriedade intelectual e aplicações financeiras, e não do salário. Quem vive do trabalho remoto tem um visto próprio para essa situação, que é o D8.
Quanto de renda o D7 e o D8 pedem em 2026?
O D7 pede 920 € por mês para o titular, mais 460 € pelo cônjuge e 276 € por filho. O D8 pede uma média de 3.680 € por mês nos últimos três meses, com prova do contrato.
Quanto custa o D7 e o D8 no consulado?
A taxa do visto nacional no consulado é de 110 € por pedido, nos dois casos. Depois, em Portugal, os dois pagam a análise e o título de residência na AIMA, pela mesma tabela de taxas.
Qual visto demora menos?
Os vistos de residência D7 e D8 têm prazo de decisão de 60 dias no consulado. Só o D8 de estada temporária, para menos de um ano, tem decisão em 30 dias.

Quem escreve
Rodrigo Maranhão
Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.
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D7, D8, D3 ou D1: advogados inscritos em Portugal e no Brasil ajudam você a escolher e a pedir o visto certo.
Contratar a assessoriaFontes oficiais consultadas
- Ministério dos Negócios Estrangeiros: vistos nacionais, documentação instrutória e prazos (consultado em outubro de 2026) (consultado em 25/10/2026)
- Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, versão consolidada: arts. 54.º, 58.º, 61.º-B, 78.º e 83.º (consultado em 25/10/2026)
- Decreto Regulamentar n.º 84/2007, arts. 18.º-B e 31.º-A (redação do Decreto Regulamentar n.º 4/2022) (consultado em 25/10/2026)
- Portaria n.º 1563/2007, de 11 de dezembro (meios de subsistência) (consultado em 25/10/2026)
- Decreto-Lei n.º 139/2025 (salário mínimo de 920 € em 2026) (consultado em 25/10/2026)