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Quem pergunta quanto dinheiro preciso ter na conta para o visto D7 costuma esperar um número único. Não há um saldo fixo na lei, mas há uma conta segura. Neste guia, você vê essa conta e como levar os lucros da empresa.
Se você quer apoio jurídico do início ao fim, conheça a assessoria para vistos de Portugal do nosso escritório em Lisboa.
Assessoria jurídica
Quer saber se o seu saldo e a sua renda bastam?
A equipe faz a conta do mínimo da sua família, com o câmbio e o imposto, antes do agendamento.
Quero fazer a minha contaConteúdo
ToggleExiste um valor mínimo na conta para o D7?
Não existe um saldo mínimo fixo para o D7 na página do MNE. O que o MNE fixa é uma referência mensal de meios de subsistência, ligada à retribuição mínima mensal garantida, e a forma de provar esses meios.
O que a lei fixa
O MNE usa a retribuição mínima mensal garantida, que em 2026 é de €920 por mês, líquida de contribuições para a segurança social. O primeiro adulto vale 100%, o segundo vale 50% e cada filho menor ou a cargo vale 30%.
Renda e saldo são coisas diferentes
Para quem vive de rendimentos, o MNE pede a prova da existência e do montante desses rendimentos e da sua disponibilidade em Portugal. Ou seja, o D7 pede uma renda que se repete, e o saldo na conta entra como prova de disponibilidade e reforço.
Resumo: quanto ter, por família
A tabela aplica as percentagens do MNE ao valor de 2026 e mostra o total de 12 meses, que é o período que a Portaria 1563/2007 usa para os vistos de residência:
| Quem vai morar | Por mês | Em 12 meses |
|---|---|---|
| 1 adulto | €920 | €11.040 |
| Casal | €1.380 | €16.560 |
| Casal e 1 filho | €1.656 | €19.872 |
| Casal e 2 filhos | €1.932 | €23.184 |
Os valores são líquidos. Se a sua renda vem da empresa, a conta deve ser feita depois do imposto sobre os lucros e do câmbio, e não com o valor bruto que a empresa distribui.
De onde vem a conta dos 12 meses?
A coluna anual da tabela não é um costume do mercado. Ela vem da própria Portaria que regula os meios de subsistência dos vistos de Portugal.
O artigo 5.º da Portaria
O artigo 5.º, n.º 6, da Portaria 1563/2007 diz que quem pede visto de residência deve ter meios de subsistência assegurados por período não inferior a 12 meses. É daí que vem a multiplicação do valor mensal por doze.
O valor líquido
O MNE fala na retribuição mínima líquida de contribuições para a segurança social. Para o empresário, a leitura prática é a mesma: o que conta é o dinheiro que fica com você, depois dos descontos e dos impostos.
Renda mensal ou saldo: o que pesa mais?
Essa é a dúvida mais comum de quem tem uma empresa. A resposta curta é que a renda pesa mais, e o saldo ajuda a mostrar que a renda está disponível e que a família aguenta os primeiros meses.
O papel da renda
O D7 é o visto de quem vive de rendimentos próprios. Por isso, o centro da prova são os lucros que a empresa distribui a você de forma regular e comprovada, com ata, declaração do contador e extratos.
Se você também recebe outros rendimentos, como aluguéis ou aplicações financeiras, eles podem somar à renda da empresa. Cada fonte precisa da sua própria prova, com o valor, a frequência e a conta onde o dinheiro cai.
O papel do saldo
O saldo mostra que o dinheiro já está disponível, de preferência em Portugal. Ele também dá conforto para as despesas de instalação, como a caução do arrendamento, os móveis e os primeiros meses antes de a rotina se ajustar.
Atenção: um saldo alto sem nenhuma renda que se repete tende a pesar menos no D7. Se a sua empresa distribui lucros de forma irregular, organize uma distribuição regular antes do pedido, e não só um depósito grande.
Quanto deixar de folga?
Nenhuma fonte oficial fixa uma folga acima do mínimo. Mas quem vive de lucros de uma empresa no Brasil tem duas variáveis que mexem na conta todos os meses: o câmbio e o resultado da empresa.
A folga na renda
Na preparação dos pedidos, eu costumo trabalhar com uma folga sobre o mínimo mensal da família. Isso protege o pedido de uma alta do euro ou de um mês mais fraco na empresa, sem que a renda caia abaixo da referência do MNE.
Se a sua renda passa do mínimo por pouco, reforce o pedido com o saldo e com o histórico de distribuições. Quanto mais estável for o histórico, mais fácil fica para o consulado ler a sua renda.
A folga no saldo
O saldo de reforço deve cobrir as despesas da chegada. Pense na caução e nas primeiras rendas do arrendamento, nos móveis, no transporte e nos meses em que você ainda organiza a rotina da família em Portugal.
Uma forma simples de pensar é somar o mínimo anual da família às despesas de instalação. O resultado não é uma exigência da lei, mas dá uma margem confortável para a pasta do pedido e para a vida real.
Quando a empresa tem meses fracos
Empresas com receita sazonal distribuem lucros de forma desigual ao longo do ano. Nesse caso, o histórico de 12 meses e a declaração do contador ajudam a mostrar a média, e o saldo cobre os meses mais fracos.
Por que a conta em Portugal importa?
O MNE pede, para quem vive de rendimentos, a prova da disponibilidade desses rendimentos em Portugal. A forma mais clara de mostrar isso é uma conta portuguesa em seu nome, com dinheiro que vem do Brasil.
NIF e conta bancária
Para abrir a conta, você precisa do NIF português. O guia de como abrir conta bancária em Portugal mostra o passo a passo, que muitos fazem ainda do Brasil.
O extrato da conta portuguesa
Com a conta aberta, o extrato português passa a ser uma das peças da pasta. Ele mostra o saldo disponível e, se você já fizer transferências, o caminho do dinheiro do Brasil para Portugal.
Junte o extrato português aos extratos da sua conta no Brasil dos últimos meses. Lado a lado, eles mostram que o dinheiro sai da empresa, passa por você e chega a Portugal, sem lacunas que o consulado precise adivinhar.

Como levar os lucros da empresa para Portugal
Para o empresário, o dinheiro faz três paradas: sai da empresa, passa pela sua conta pessoal no Brasil e chega à conta em Portugal. Cada parada deixa um documento que entra na pasta do D7.
Da empresa para a sua conta
A distribuição começa na ata ou na deliberação dos sócios, que aprova o lucro a distribuir. O pagamento cai na sua conta pessoal no Brasil, e o extrato mostra a entrada com o valor da ata.
Da sua conta para Portugal
Da conta no Brasil, você faz a transferência para a conta portuguesa. Prefira transferências regulares, todos os meses ou em datas previsíveis, porque elas mostram uma renda que se repete, e não um movimento isolado.
Os comprovantes de cada transferência
Guarde o comprovante de cada transferência e o extrato que mostra a entrada em Portugal. Eles servem no pedido do visto e voltam a ser úteis na renovação da autorização de residência, anos depois.
O imposto antes do saldo
A renda que conta para o D7 é a que sobra depois dos impostos. Para o empresário que muda para Portugal, os lucros passam a ser tributados nos dois países, com dedução de um imposto no outro.
No Brasil
Depois da mudança para Portugal, os lucros que a empresa paga a você têm retenção de 10% na fonte no Brasil, pelo parágrafo 4.º do artigo 10.º da Lei 9.249/1995, incluído pela Lei 15.270/2025.
Em Portugal
Em Portugal, esses lucros entram no IRS como rendimentos de capitais, em regra à taxa especial de 28% do artigo 72.º do Código do IRS, com dedução do imposto pago no Brasil e a opção de englobamento.
Num exemplo simples, sem câmbio e sem englobamento, €1.000 de lucro pagam €100 no Brasil e cerca de €180 em Portugal. Sobram cerca de €720 líquidos, e é esse valor que entra na conta do mínimo.
A simulação do contador
Antes do pedido, peça ao contador uma simulação do lucro líquido por mês, já com os dois impostos. Com esse número em mãos, você sabe se a renda cobre o mínimo da família ou se precisa aumentar o saldo de reforço.
Assessoria jurídica
Advogados em Portugal para o seu visto D7
Do pedido no consulado à autorização de residência na AIMA, você recebe orientação jurídica em cada etapa.
Quero apoio no meu D7O câmbio e a cotação
O mínimo do D7 é fixado em euros, e os lucros da empresa chegam em reais. Por isso, a mesma distribuição pode cobrir o mínimo num mês e ficar abaixo dele noutro, só por causa do câmbio.
Um exemplo com dois câmbios
Imagine uma distribuição líquida de R$9.200 por mês. Com o euro a R$6,00, ela vale cerca de €1.533, acima do mínimo do casal. Com o euro a R$7,00, ela cai para cerca de €1.314, abaixo dos €1.380 do casal.
A cotação conservadora
Faça a conta com uma cotação conservadora, acima da cotação do dia. Assim, a sua renda continua acima do mínimo mesmo que o real perca valor entre o agendamento e a decisão do consulado.
A mesma cautela vale depois da chegada. Se o euro subir muito, você pode aumentar o valor das transferências ou usar o saldo de reforço, para que a sua renda em Portugal continue acima da referência do MNE até a renovação.
E quando a família também vai?
Com a família, o mínimo sobe e o saldo de reforço também deve subir. A tabela do resumo mostra o valor mensal e o total de 12 meses para as famílias mais comuns.
O casal
Para o casal, o mínimo é de €1.380 por mês, ou €16.560 em 12 meses. Se os dois são sócios da empresa, os lucros de cada um podem ser somados, desde que cada parte tenha a sua própria prova.
Os filhos
Cada filho menor ou a cargo soma 30% da retribuição mínima, ou €276 por mês em 2026. O guia sobre morar em Portugal com a família mostra os outros documentos de quem vai junto.
E depois do visto?
A conta não termina no consulado. Para renovar a autorização de residência, o artigo 78.º da Lei 23/2007 volta a pedir meios de subsistência, além de alojamento e das obrigações fiscais e de segurança social em dia.
Quem mantém as transferências regulares e os comprovantes desde o primeiro mês monta a pasta da renovação com facilidade. Os mesmos extratos que provaram a renda no visto passam a provar a renda já em Portugal.
A lista completa dos documentos do pedido está nos documentos do visto D7, e o guia completo do visto D7 mostra as etapas do consulado à AIMA.

O passo a passo do dinheiro antes do pedido
Esta é a ordem que eu recomendo para o empresário que vai pedir o D7:
- Calcular o mínimo da família na tabela de 12 meses.
- Simular com o contador o lucro líquido mensal depois do imposto.
- Converter o valor com uma cotação conservadora.
- Organizar distribuições regulares, com ata e extrato.
- Abrir a conta em Portugal e começar as transferências.
- Juntar um saldo de reforço para os primeiros meses.
Atenção: faça as transferências com antecedência, e não na semana do agendamento. Um histórico de alguns meses mostra melhor a disponibilidade em Portugal do que um único depósito feito pouco antes do pedido.
Erros comuns com o dinheiro do D7
Estes são os erros que mais complicam a prova de quem usa os lucros da empresa no D7:
- Achar que existe um saldo fixo que dispensa a renda.
- Fazer a conta com o lucro bruto, antes do imposto.
- Usar a cotação do dia, sem folga para o câmbio.
- Depositar tudo de uma vez, pouco antes do pedido.
- Esquecer o mínimo dos familiares que vão junto.
Com a conta bem feita e o caminho do dinheiro documentado, a sua renda fica clara para o consulado. E a mesma organização vai servir em cada renovação da sua residência em Portugal.
Perguntas frequentes
A seguir, as respostas às dúvidas mais comuns sobre quanto dinheiro ter na conta para o visto D7.
Quanto dinheiro preciso ter na conta para o visto D7?
Não há um saldo fixo na lei. A referência é a renda mínima de €920 por mês para um adulto em 2026, ou €11.040 em 12 meses, com acréscimos para cada familiar. O saldo reforça a renda.
O D7 aceita só dinheiro guardado, sem renda mensal?
O MNE pede a prova da existência e do montante dos rendimentos e da sua disponibilidade em Portugal. Por isso, o centro da prova é uma renda que se repete, e o saldo entra como reforço.
De onde vem a regra dos 12 meses?
Do artigo 5.º, n.º 6, da Portaria 1563/2007, que pede ao requerente de visto de residência meios de subsistência assegurados por período não inferior a 12 meses.
Quanto o casal precisa para o D7?
Em 2026, €1.380 líquidos por mês, ou €16.560 em 12 meses. O primeiro adulto vale 100% da retribuição mínima de €920 e o segundo vale 50%. Cada filho soma 30%.
Preciso de conta em Portugal para o D7?
O MNE pede a disponibilidade dos rendimentos em Portugal, e a conta portuguesa é a forma mais clara de mostrar isso. Para abrir a conta, você precisa antes do NIF português.
O imposto sobre os lucros entra na conta do mínimo?
Entra. Depois da mudança, os lucros têm retenção de 10% no Brasil e também entram no IRS em Portugal. A renda que conta para o D7 é a que sobra depois do imposto e do câmbio.

Quem escreve
Rodrigo Maranhão
Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.
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Da empresa no Brasil à residência em Portugal
Cuidamos do visto e da residência e organizamos com você o caminho dos lucros até a conta em Portugal.
Falar sobre a minha mudançaFontes oficiais consultadas
- Meios de subsistência dos vistos nacionais — MNE (consultado em 25/10/2026)
- Documentação instrutória dos vistos de residência — MNE (consultado em 25/10/2026)
- Portaria n.º 1563/2007 (meios de subsistência), texto publicado — Diário da República (consultado em 25/10/2026)
- Retribuição mínima mensal garantida para 2026 — DGERT (consultado em 25/10/2026)
- Lei n.º 15.270/2025 (tributação de lucros e dividendos) — Planalto (consultado em 25/10/2026)
- Código do IRS, artigos 5.º, 72.º e 81.º — Diário da República (consultado em 25/10/2026)
- Lei n.º 23/2007 (Lei de Estrangeiros), versão consolidada — Diário da República (consultado em 25/10/2026)