Rodrigo Maranhão
Por Rodrigo MaranhãoAdvogado em Lisboa · Atualizado em 25/10/2026
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O visto nômade digital de Portugal, conhecido como D8, permite morar no país trabalhando remotamente para empresas ou clientes de fora. Para profissionais de tecnologia, é hoje o caminho mais direto.

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O seu contrato remoto serve para o D8?

A equipe analisa o seu vínculo de trabalho, a renda dos últimos três meses e a documentação antes de você marcar a VFS, para o pedido entrar completo.

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O que é o visto nômade digital de Portugal?

É o visto para quem exerce uma atividade profissional remota para fora de Portugal. A Lei 23/2007 prevê duas versões: uma de residência, para quem quer se mudar, e outra de estada temporária, para períodos mais curtos.

O visto foi criado pela Lei 18/2022 e está no artigo 61.º-B da lei de estrangeiros. O requisito central é o mesmo nas duas versões: o seu trabalho tem de ser prestado a pessoas ou empresas com domicílio ou sede fora do território português.

Quem pode pedir

Você pode pedir se trabalha como empregado, com contrato de trabalho, e também se trabalha de forma independente, prestando serviços a um ou mais clientes. A lei não lista profissões, mas o perfil de tecnologia é o que mais se encaixa.

Desenvolvedores, analistas de dados, designers de produto, gestores de projeto e especialistas em segurança costumam trabalhar a partir de qualquer lugar. Se o seu empregador ou os seus clientes estão no Brasil, nos Estados Unidos ou na Europa fora de Portugal, o D8 é para você.

O que o D8 não é

O D8 não é um visto para procurar emprego em Portugal nem para trabalhar para uma empresa portuguesa. Quem já tem proposta de uma empresa daqui segue outro caminho, o visto de trabalho, que tem requisitos e documentos próprios.

Resumo: o visto nômade digital em 7 pontos

A tabela abaixo junta o essencial do D8 de residência, com base na lei, no regulamento e nas páginas oficiais do MNE e da AIMA. Cada linha é explicada nas secções seguintes.

PontoRegra atual
Base legalArtigo 61.º-B da Lei 23/2007 (residência) e artigo 54.º, n.º 1, alínea i) (estada temporária)
Quem pode pedirTrabalhador remoto, com contrato ou como prestador de serviços, para entidades de fora de Portugal
Renda mínimaMédia dos últimos 3 meses de pelo menos 4 salários mínimos: 3.680 € por mês em 2026
Onde pedirNo Brasil, nos centros de vistos da VFS Global, com agendamento
Prazo de decisão60 dias no visto de residência e 30 dias no de estada temporária
Validade do visto4 meses e 2 entradas, para pedir a autorização de residência na AIMA
Autorização de residência2 anos, renovável por períodos de 3 anos

Repare que a renda é medida pela média de três meses, e não por um único holerite. Um mês mais fraco pode ser compensado pelos outros dois, mas a média final tem de chegar ao mínimo.

Quem trabalha com tecnologia pode pedir o D8?

Sim, e é o perfil mais comum entre os pedidos. O que importa para o consulado não é a profissão, mas a prova do vínculo com quem paga e a renda. Há três situações típicas entre os profissionais de tecnologia.

Contrato com empresa estrangeira

É o caso do desenvolvedor contratado por uma empresa dos Estados Unidos, do Reino Unido ou de outro país da Europa. Você precisa do contrato de trabalho ou de uma declaração do empregador que confirme o vínculo e a possibilidade de trabalhar a partir de Portugal.

CLT ou PJ para empresa brasileira

Se você trabalha para uma empresa no Brasil, também cumpre o requisito, porque a empresa tem sede fora de Portugal. Com carteira assinada, o documento é o contrato de trabalho; como PJ, entram o contrato de prestação de serviços e as notas emitidas.

Imagine o Lucas, desenvolvedor em Recife, contratado como PJ por uma fintech de São Paulo. Ele junta o contrato de prestação de serviços, as notas fiscais dos últimos três meses e os extratos onde os pagamentos caem.

Freelancer com vários clientes

O D8 também aceita quem presta serviços a mais de um cliente, desde que todos estejam fora de Portugal. Nesse caso, cada contrato ou documento de prestação de serviços entra no dossiê, e a renda é somada para chegar à média.

Profissional de tecnologia trabalhando remoto num apartamento em Lisboa
O D8 serve para quem trabalha para empresas ou clientes de fora de Portugal.

Visto de residência ou de estada temporária: qual pedir?

A lei prevê as duas modalidades, e a escolha depende do seu plano. Para quem quer mudar-se para Portugal, o visto certo é o de residência, porque é ele que leva à autorização de residência na AIMA.

Visto de residência

O visto de residência vale por quatro meses e duas entradas. Durante esse período, você entra em Portugal e pede a autorização de residência. É o caminho de quem pensa em ficar, trazer a família e, mais tarde, pedir a nacionalidade.

Com o visto de residência, Portugal emite também uma pré-autorização com números provisórios de contribuinte, de segurança social e do serviço nacional de saúde. Isso facilita os primeiros passos depois da chegada, como abrir conta e alugar casa.

Visto de estada temporária

O visto de estada temporária serve para quem quer passar uma temporada em Portugal sem se mudar de vez. A decisão é mais rápida, em 30 dias, mas o visto foi pensado para estadas temporárias, e não para fixar residência no país.

Atenção: quem pede o visto de estada temporária e depois decide ficar terá de voltar a planejar o processo. Se a ideia é morar em Portugal, comece pelo visto de residência e evite refazer documentos.

Qual é a renda mínima do visto nômade digital?

A renda mínima é de quatro salários mínimos portugueses por mês. Com o salário mínimo de 920 € fixado para 2026, isso dá 3.680 € de rendimento médio mensal, calculado sobre os últimos três meses antes do pedido.

Como se faz a conta da média

O consulado soma os rendimentos dos três meses anteriores e divide por três. Contam os valores do contrato de trabalho, do contrato de sociedade ou dos contratos de prestação de serviços, desde que se consiga provar que foram de facto recebidos.

Salário em reais ou em dólares

Se você recebe em reais ou em dólares, precisa mostrar o valor convertido em euros. Como o câmbio varia, eu recomendo trabalhar com folga: uma média que fica perto do limite pode cair abaixo dele numa semana de real desvalorizado.

Para a família, a referência dos meios de subsistência sobe. A portaria que regula o tema soma 50% do salário mínimo para cada adulto a mais e 30% para cada filho, e o consulado pode pedir prova de que a renda cobre todos.

Quais documentos o consulado pede?

A lista do Ministério dos Negócios Estrangeiros junta os documentos gerais de qualquer visto nacional e os específicos do nômade digital. Os principais são estes:

  • requerimento do visto, preenchido e assinado, e duas fotografias recentes;
  • passaporte válido por pelo menos três meses além da estada prevista;
  • certificado de registo criminal do Brasil, com Apostila de Haia;
  • contrato de trabalho ou declaração do empregador, ou contratos de prestação de serviços;
  • comprovativo dos rendimentos médios dos últimos três meses;
  • documento que comprove a residência fiscal.

O seguro de viagem e o acordo com o Brasil

Você vai ver o seguro de viagem na lista geral, mas o próprio MNE indica que pode ser dispensado quando há acordo bilateral, como o certificado PB4 no caso do Brasil. Vale confirmar no agendamento qual das duas provas o centro de vistos aceita.

Documentos que o consulado pode acrescentar

A página oficial avisa que o posto consular pode pedir outros documentos. É comum surgirem pedidos de comprovativo de alojamento ou de extratos bancários mais detalhados, por isso organize esses papéis antes da entrevista.

Atenção: documentos emitidos no Brasil, como o registo criminal, precisam da Apostila de Haia e têm prazo de validade. Peça-os por último, perto da data marcada na VFS, para não vencerem antes da entrega.

Como fazer o pedido no Brasil?

O pedido é presencial e passa pelos centros de vistos da VFS Global, parceira do consulado português. A ordem que costuma funcionar melhor é esta:

  1. confirmar que o vínculo e a renda dos últimos três meses cumprem o requisito;
  2. reunir os documentos, apostilar e, quando preciso, traduzir;
  3. preencher o requerimento e agendar a entrega na VFS;
  4. entregar o dossiê, recolher a biometria e pagar as taxas;
  5. acompanhar o pedido e levantar o passaporte com o visto.

O dia da entrega

No dia marcado, você leva os originais e as cópias, organizados na ordem da lista oficial. Um dossiê bem montado reduz os pedidos de documentos em falta, que são a principal causa de atraso nos vistos de residência.

Família no mesmo agendamento

Se o cônjuge e os filhos vão junto, os pedidos podem ser apresentados ao mesmo tempo. Cada pessoa tem o seu requerimento e os seus documentos, além da prova do parentesco e dos meios para todo o agregado.

Quanto tempo demora a decisão?

A lei fixa 60 dias para decidir o visto de residência, contados da entrega de um pedido completo. Para o visto de estada temporária, o prazo é de 30 dias. Na prática, o relógio só começa quando nada falta no dossiê.

Depois de emitido, o visto de residência vale quatro meses. É dentro desse período que você viaja e faz o pedido da autorização de residência na AIMA, por isso planeje a mudança com essa janela em mente.

Quanto custa o visto nômade digital?

O custo tem três partes: a taxa do visto, a taxa de serviço da VFS e as despesas com documentos. Para o D8, como para os outros vistos nacionais, a taxa do Ministério dos Negócios Estrangeiros é de 110 € por pedido, com isenção para crianças até os 6 anos.

A taxa de serviço da VFS e as despesas com apostilas, traduções e certidões variam conforme o caso e mudam ao longo do ano. Depois da chegada, a AIMA cobra ao brasileiro 159,20 € pela autorização de residência, porque os cidadãos da CPLP estão isentos da taxa de concessão.

Assessoria jurídica

Pedido do D8 preparado do início ao fim

Organizamos o dossiê, as declarações do empregador ou dos clientes, as apostilas e o pedido da família junto, e acompanhamos até a autorização de residência.

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Posso levar a família com o visto nômade digital?

Pode. A lei permite que os pedidos do cônjuge e dos filhos sejam feitos em simultâneo com o seu, no mesmo consulado. Assim a família viaja junta e pede a autorização de residência ao mesmo tempo.

Quem conta como família

Entram o cônjuge ou o companheiro em união de facto comprovada, os filhos menores e, em certas condições, os filhos maiores a cargo que estudem e os pais a cargo. Cada vínculo precisa de certidão atualizada e apostilada.

E se a família for depois

Quem vai primeiro e traz a família mais tarde usa o reagrupamento familiar. Desde 2025, a regra geral exige dois anos de autorização de residência, com exceções, por exemplo, para filhos menores. Veja como funciona o reagrupamento familiar em Portugal.

Muralhas e ruas de Óbidos
O vínculo de trabalho e a renda dos últimos três meses são o centro do pedido.

O que acontece depois de chegar a Portugal?

Com o visto no passaporte, o passo seguinte é a autorização de residência na AIMA. O pedido é feito com agendamento e entregue presencialmente numa Loja AIMA, com os documentos que a agência lista na página do serviço.

O que a AIMA pede

A AIMA pede o passaporte, o visto válido, uma declaração da empresa ou dos clientes de fora de Portugal que confirme o vínculo e uma declaração de morada com o título de ocupação, como o contrato de arrendamento ou a declaração do senhorio.

Validade e renovação

A autorização de residência é válida por dois anos e pode ser renovada por períodos de três anos. Os anos de residência legal contam para a nacionalidade portuguesa por tempo de residência, que para brasileiros exige sete anos.

Para a renovação e, mais tarde, para o pedido de nacionalidade, a prova da sua situação vai ser pedida outra vez. Por isso, guarde contratos, extratos e declarações de impostos desde o primeiro mês em Portugal.

D8, D7 ou visto de trabalho: qual escolher?

Talvez você se encaixe em mais de um visto, como muitos profissionais de tecnologia. A escolha depende de quem paga e como paga, e não da profissão. Uma regra simples ajuda a orientar a primeira conversa.

Quando o D8 é o melhor caminho

O D8 é a escolha natural para quem tem salário ou honorários de empresas de fora e quer continuar no mesmo trabalho. É o caso do desenvolvedor contratado por uma empresa estrangeira que só muda de endereço.

Quando olhar para o D7 ou o D3

Quem vive de rendimentos passivos ou de lucros de uma empresa no Brasil pode estar mais perto do visto D7. Quem tem proposta qualificada de uma empresa portuguesa deve comparar com o visto D3 para profissionais qualificados.

Quais erros atrasam o pedido do D8?

A maior parte dos atrasos vem de detalhes de documentação, e não de falta de direito ao visto. Eu vejo os mesmos problemas se repetirem em pedidos de profissionais com perfis muito diferentes.

Renda no limite

Se a sua média fica muito perto dos 3.680 €, você fica vulnerável ao câmbio e a meses irregulares. Se a sua renda oscila, espere um trimestre mais forte antes de pedir ou junte provas de rendimentos adicionais que o consulado aceite.

Declaração do empregador vaga

Uma declaração que não diz que o trabalho é remoto, nem indica salário e duração do contrato, costuma gerar pedido de complemento. Peça ao empregador um texto que confirme expressamente o vínculo e o trabalho a partir de Portugal.

Atenção: o D8 é para trabalho prestado a entidades de fora de Portugal. Se durante o processo surgir uma proposta de uma empresa portuguesa, o enquadramento muda e vale rever o pedido antes de seguir.

Guias do visto D8 por tema

Cada etapa do visto de nômade digital tem um texto próprio. Para comparar o D8 com os outros vistos, veja o guia do visto de TI para Portugal.

Perguntas frequentes

A seguir, as respostas às dúvidas mais comuns de quem trabalha remoto e quer pedir o visto nômade digital.

Preciso de diploma para pedir o visto nômade digital?

Não. A lei do D8 não exige diploma nem uma profissão específica. O que conta é o vínculo de trabalho ou de prestação de serviços com entidades de fora de Portugal e a renda média de pelo menos 3.680 € por mês.

Quem trabalha como PJ para empresa brasileira pode pedir o D8?

Pode, desde que a empresa tenha sede fora de Portugal. O dossiê leva o contrato de prestação de serviços, as notas emitidas e os extratos dos últimos três meses, com a média convertida em euros.

Com o D8 posso trabalhar para uma empresa portuguesa?

O visto é concedido para trabalho prestado a pessoas ou empresas com sede fora de Portugal. Quem tem proposta de uma empresa portuguesa deve analisar o visto de trabalho, que segue outras regras e outros documentos.

Quanto tempo vale a autorização de residência do D8?

A autorização de residência emitida pela AIMA vale dois anos a contar da emissão do título e pode ser renovada por períodos sucessivos de três anos, como indica a página oficial da AIMA sobre este tipo de autorização.

O tempo com o D8 conta para a nacionalidade portuguesa?

Conta. Os anos de residência legal com a autorização de residência do D8 entram na contagem da naturalização, que para brasileiros exige sete anos de residência legal e os requisitos de integração da lei nova.

Rodrigo Maranhão, advogado

Quem escreve

Rodrigo Maranhão

Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.

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Assessoria para o visto nômade digital

Do enquadramento no D8 à entrega na VFS e à AIMA: análise do caso, documentos e acompanhamento por advogados inscritos em Portugal e no Brasil.

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Fontes oficiais consultadas

  • Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, versão consolidada (Diário da República): arts. 54.º, 58.º, 61.º-B, 75.º e 98.º (consultado em 25/10/2026)
  • Decreto Regulamentar n.º 84/2007, de 5 de novembro, com as alterações do Decreto Regulamentar n.º 4/2022 (consultado em 25/10/2026)
  • Ministério dos Negócios Estrangeiros, Portal das Comunidades/Vistos: documentação instrutória, prazos e tipo de visto (consultado em 25/10/2026)
  • AIMA: autorização de residência para atividade profissional prestada de forma remota (consultado em 25/10/2026)
  • AIMA: meios de subsistência (Portaria n.º 1563/2007) (consultado em 25/10/2026)
  • DGERT: retribuição mínima mensal garantida para 2026 (Decreto-Lei n.º 139/2025) (consultado em 25/10/2026)
  • Ministério dos Negócios Estrangeiros: emolumentos dos vistos nacionais (110 €) (consultado em 25/10/2026)
  • AIMA: tabela de taxas (Portaria n.º 307/2023), atualizada a 26/02/2026 (consultado em 25/10/2026)

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