Rodrigo Maranhão
Por Rodrigo MaranhãoAdvogado em Lisboa · Atualizado em 25/10/2026
Portugal

Ordem dos Advogados · PortugalInscrição: 60554L

Brasil

Ordem dos Advogados do Brasil · PernambucoInscrição: 22.372

Espanha

Colegio de Abogados de Madrid · EspanhaInscrição: 144875

Não existe valor mínimo do visto D2 na lei portuguesa. O investimento precisa ser coerente com o negócio, e você precisa provar meios de subsistência, que em 2026 têm como referência o salário mínimo de 920 euros por mês.

Assessoria jurídica

Calcule com segurança quanto você precisa para o D2

A equipe soma o investimento do seu negócio, os meios de subsistência da família e a reserva para os primeiros meses, antes de você transferir dinheiro para Portugal.

Contratar análise do caso

Existe valor mínimo para o visto D2?

Não. O artigo 60.º, n.º 2, da Lei n.º 23/2007 exige uma operação de investimento, ou meios em Portugal e a intenção de investir, mas não indica nenhum valor. A lei deixa o montante em aberto.

Isso foi uma escolha do legislador. O D2 serve a negócios muito diferentes, de um pequeno comércio a uma empresa de tecnologia, e um valor único seria alto demais para uns e baixo demais para outros.

De onde vêm os números da internet

Muitos sites falam em 5 mil, 50 mil ou 100 mil euros. Alguns confundem o D2 com vistos de investimento que têm valores fixos; outros repetem o antigo capital mínimo das sociedades, que deixou de existir há mais de uma década.

Há ainda quem transforme a sua experiência pessoal numa regra. Um consulado pode ter aceitado um pedido com certo valor, mas isso não cria um mínimo para os outros. O que vale é a lei e a coerência do projeto.

O que o consulado avalia no lugar de um número

Sem valor fixo, o consulado avalia se o dinheiro chega para o negócio arrancar e se a família consegue viver em Portugal até o negócio dar resultado. São duas perguntas diferentes, e cada uma tem a sua conta.

Resumo: os valores que importam no D2

A tabela abaixo mostra a referência dos meios de subsistência em 2026, calculada com o salário mínimo e as percentagens que a AIMA divulga. São valores mínimos de referência, e não um teto.

Quem vaiPor mêsPor 12 meses
Requerente sozinho920 €11 040 €
Requerente e cônjuge1 380 €16 560 €
Casal com 1 filho1 656 €19 872 €
Casal com 2 filhos1 932 €23 184 €
Casal com 3 filhos2 208 €26 496 €

Estes números valem só para a subsistência. O investimento no negócio é outra conta, que se soma a esta e depende do tipo de empresa que você vai abrir ou comprar em Portugal.

Na prática, a família precisa mostrar as duas reservas: o dinheiro que vai para a empresa e o dinheiro que vai pagar a casa, a escola e o supermercado nos primeiros meses.

Investimento e subsistência: duas contas diferentes

O erro mais comum de quem planeja o D2 é tratar o dinheiro como um único bolo. Para o consulado, o investimento e os meios de subsistência respondem a requisitos diferentes e precisam aparecer separados no pedido.

O dinheiro do investimento

É o valor que vai para o negócio: capital da empresa, compra de quotas, trespasse, equipamento, obras, estoque, licenças e os primeiros meses de despesas fixas. Ele aparece no plano de negócios, na declaração de investimento e nos contratos.

O dinheiro da subsistência

É o valor que sustenta você e a família enquanto o negócio não paga salário. Ele aparece nos extratos pessoais, em rendimentos que você continua a receber ou em aplicações financeiras, e deve ser calculado para pelo menos um ano.

Atenção: se o capital da empresa é a única reserva da família, o consulado pode concluir que vocês não terão como viver. Separe as contas desde o início e mostre cada valor com o seu documento próprio.

Quanto ter na conta para os meios de subsistência?

A AIMA explica que a Portaria n.º 1563/2007 usa como referência a retribuição mínima mensal garantida. Em 2026, esse valor é de 920 euros, fixado pelo Decreto-Lei n.º 139/2025.

A conta do requerente

A DGERT confirma o valor de 920 euros a partir de 1 de janeiro de 2026. A referência mais usada nos pedidos de visto de residência é o equivalente a 12 meses, ou seja, cerca de 11 040 euros.

Se você continua a receber rendimentos regulares, como aluguéis ou pró-labore de uma empresa no Brasil, esses valores também ajudam. O consulado olha para o conjunto: saldo disponível e rendimentos que entram todos os meses.

A conta da família

Pelas percentagens da AIMA, o segundo adulto conta 50% do salário mínimo, e cada filho menor ou a cargo conta 30%. Em 2026, isso dá 460 euros por mês por adulto extra e 276 euros por filho.

Para o visto de acompanhamento, o MNE pede recursos para o período de estada ou 12 meses, o que for inferior. Por isso, a tabela do resumo usa o horizonte de um ano.

A conta da cidade

O salário mínimo é uma referência legal, e não o custo real de vida. Um aluguel em Lisboa ou no Porto pode consumir quase todo o valor mínimo de uma família, e o consulado sabe disso.

Por isso, eu recomendo planejar a reserva com o custo real da cidade escolhida, e não só com a referência da portaria. Veja as cidades mais baratas para viver em Portugal e as cidades mais caras de Portugal.

Quanto investir no negócio?

O valor do investimento depende do negócio, e não de uma tabela. A pergunta certa não é «quanto o consulado aceita», mas quanto o seu negócio precisa para abrir as portas e funcionar até ter clientes suficientes.

O que entra na conta do arranque

Para chegar ao número, liste tudo o que o negócio precisa antes da primeira venda. Os itens mais comuns no plano de quem vai empreender em Portugal são estes:

  • constituição da empresa, contabilista e representante fiscal;
  • caução e primeiros meses de aluguel do espaço;
  • obras, equipamento, mobiliário e estoque inicial;
  • licenças, seguros e registos do setor;
  • salários de funcionários, quando houver;
  • marketing e as despesas fixas dos primeiros meses.

Negócios diferentes, valores diferentes

Um serviço digital, com escritório partilhado, pode arrancar com pouco capital. Um restaurante, com cozinha, licenças e equipa, exige muito mais. Os dois podem servir ao D2, desde que o valor investido seja compatível com o projeto.

O consulado desconfia tanto de um valor baixo demais para o negócio descrito como de um valor alto sem explicação. Um plano que mostra de onde vem cada euro é mais convincente do que um número grande e solto.

O capital social precisa ser alto?

Não necessariamente. Desde o Decreto-Lei n.º 33/2011, o capital das sociedades por quotas é fixado livremente no contrato. O antigo mínimo de 5 mil euros deixou de existir.

Capital social e investimento não são a mesma coisa

O capital social é o valor que os sócios se comprometem a entrar na empresa. O investimento do D2 pode ser maior, somando compras, contratos e despesas pagas pela empresa ou pelo próprio empreendedor.

Uma empresa com capital simbólico e nenhum outro investimento comprovado, porém, mostra pouco ao consulado. Para o D2, o capital costuma ser definido de forma coerente com o plano, e depositado logo na conta da empresa.

Para conhecer as etapas de criação da sociedade a partir do Brasil, veja o guia sobre como abrir empresa em Portugal, com NIF, conta e contabilista.

Casal calculando o investimento e a reserva para o visto D2
O investimento do negócio e a reserva da família são contas diferentes, e o consulado olha para as duas.

O dinheiro precisa estar em Portugal?

Depende do caminho. Quem pede com base na intenção de investir precisa provar meios financeiros disponíveis em Portugal, nas palavras do artigo 60.º. Nesse caso, o dinheiro tem de estar numa conta portuguesa.

A conta portuguesa

Abrir uma conta em Portugal ainda a partir do Brasil é possível em vários bancos, com NIF e documentos de identificação. O guia sobre conta bancária em Portugal mostra o caminho, e o NIF vem antes, como explica o artigo sobre como obter o NIF.

O financiamento de banco português

A lei admite expressamente que os meios venham de financiamento obtido junto de instituição financeira em Portugal. Na prática, bancos portugueses costumam pedir garantias e histórico, e o crédito para quem ainda não reside no país é mais difícil.

E os meios de subsistência?

A reserva da família pode estar no Brasil, desde que seja disponível e comprovada. Ainda assim, ter parte do dinheiro já em euros facilita a vida na chegada, quando você vai pagar caução, aluguel e matrícula das crianças.

O consulado exige 50 mil euros?

Não existe regra que exija 50 mil, 100 mil ou qualquer outro valor fixo. Se alguém afirmar isso, peça a norma que prevê o valor. Para o D2, ela não existe, e o texto do artigo 60.º está disponível no Diário da República.

O que pode acontecer é um consulado considerar insuficiente um investimento para o negócio descrito. Nesse caso, o problema não é o número em si, mas a falta de ligação entre o valor, o plano e a realidade do mercado português.

Quem tem um projeto com valores modestos não precisa desistir do D2. Precisa, sim, de um plano que mostre por que aquele valor basta e de uma reserva pessoal que sustente a família durante o arranque.

Assessoria jurídica

Prova do investimento e dos meios preparada por advogados

Organizamos os extratos, a conta em Portugal, a declaração de investimento e o plano de negócios para que os valores batam entre si no pedido do visto D2.

Quero assessoria jurídica

E se o meu investimento for pequeno?

Um investimento pequeno não impede o D2, mas exige mais cuidado na explicação. Você precisa mostrar que o negócio funciona com aquele valor, com custos reais de Portugal e um caminho claro até as primeiras receitas.

Mostrar que o valor basta

Serviços com pouca estrutura, como consultoria, design ou manutenção, costumam ter arranque barato. Nesses casos, o plano deve detalhar os custos que existem, e explicar por que outros, como loja ou estoque, não são necessários.

Quando o valor é baixo, eu costumo reforçar o pedido com o histórico profissional de quem empreende: contratos anteriores, carteira de clientes no Brasil e experiência comprovada no setor. Esse histórico ajuda a mostrar que o projeto tem base.

Quando outro visto serve melhor

Se o seu projeto é trabalhar sozinho para clientes de fora de Portugal, talvez o D2 não seja o caminho mais adequado. Nesse perfil, compare com o visto para nômade digital antes de abrir uma empresa só para conseguir o visto.

Três exemplos de cálculo

Os casos abaixo são ilustrativos e servem para mostrar o raciocínio. Os valores de subsistência seguem a referência de 2026; o investimento de cada negócio depende do plano de cada projeto.

Rafael, sozinho, com um serviço digital

Rafael vai abrir uma agência de marketing em Braga, com escritório partilhado. Ele precisa de cerca de 11 040 euros de reserva pessoal para um ano, além do investimento previsto no plano para equipamento, marca e despesas iniciais.

Ana e Paulo, com um filho, numa padaria

O casal vai comprar uma padaria em funcionamento em Coimbra. A reserva da família, com um filho, fica em cerca de 19 872 euros por ano, e o investimento soma o preço do negócio, os impostos e uma margem para as primeiras compras.

Juliana, com dois filhos, num negócio ainda por abrir

Juliana ainda não abriu a empresa e vai pedir com base na intenção de investir. Ela precisa do dinheiro do projeto numa conta em Portugal e de cerca de 23 184 euros para a família, contando com o marido e os dois filhos.

Claustro do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa
O custo de vida da cidade escolhida muda quanto a família precisa ter guardado para os primeiros meses.

Erros que enfraquecem a prova do dinheiro

A prova dos valores falha mais pela forma do que pelo montante. Os erros abaixo aparecem com frequência e quase todos podem ser evitados com alguns meses de antecedência.

Depósitos de última hora

Um saldo que aparece de repente, dias antes do pedido, levanta perguntas sobre a origem do dinheiro. Transferências planejadas com antecedência, com a origem documentada, mostram estabilidade e evitam pedidos de explicação.

Dinheiro que não é seu

Valores emprestados por parentes ou depositados por terceiros só para o pedido enfraquecem a prova. Se a família vai ajudar, a ajuda precisa ser documentada de forma clara, e o ideal é que o dinheiro fique disponível de verdade.

Atenção: o câmbio muda o valor em euros. Se a sua reserva está em reais, calcule com uma margem, porque uma desvalorização entre o plano e a entrega pode deixar a conta abaixo da referência.

Como organizar o dinheiro antes do pedido

Uma organização simples, feita com antecedência, deixa os valores claros para o consulado e para você. Esta sequência ajuda a montar a prova sem pressa:

  1. escreva o plano de negócios e chegue ao valor real do investimento;
  2. calcule a reserva da família para 12 meses com o custo da cidade escolhida;
  3. peça o NIF e abra a conta em Portugal;
  4. transfira o investimento com antecedência e documente a origem;
  5. mantenha a reserva pessoal separada do capital da empresa;
  6. confira se os valores do plano, da declaração e dos extratos são os mesmos.

Se você quer comparar com outro visto, o visto D7 usa uma lógica parecida de meios de subsistência, mas sem o investimento. E se prefere que um advogado faça as contas com você, conheça a assessoria para vistos do escritório.

Este texto faz parte do guia completo do visto D2 Portugal. Se o seu próximo passo for outro, veja também quanto custa o visto D2 e plano de negócios do visto D2, escritos com a mesma base nas fontes oficiais.

Perguntas frequentes

A seguir, respondemos às dúvidas mais comuns sobre quanto dinheiro é preciso para o visto D2.

Qual é o valor mínimo do visto D2?

A lei não fixa valor mínimo de investimento para o D2. O que existe é a referência dos meios de subsistência, ligada ao salário mínimo: 920 euros por mês em 2026, cerca de 11 040 euros por ano para o requerente.

Quanto preciso ter na conta para o visto D2 com a família?

A referência soma 100% do salário mínimo para o requerente, 50% para cada adulto extra e 30% por filho. Para um casal com dois filhos, isso dá cerca de 23 184 euros por ano em 2026.

O capital social da empresa precisa ser alto para o D2?

Não. Desde 2011, o capital das sociedades por quotas é fixado livremente no contrato. Mas, para o D2, o investimento precisa ser coerente com o plano, e um capital simbólico sem outro investimento mostra pouco ao consulado.

O dinheiro do visto D2 precisa estar em Portugal?

Para quem pede com base na intenção de investir, sim: a lei fala em meios financeiros disponíveis em Portugal. A reserva da família pode estar no Brasil, desde que seja disponível e comprovada.

Posso usar o mesmo dinheiro para o investimento e para viver?

Não é recomendável. O consulado avalia o investimento e os meios de subsistência como requisitos diferentes. Se o capital da empresa é a única reserva, o pedido pode parecer frágil.

Rodrigo Maranhão, advogado

Quem escreve

Rodrigo Maranhão

Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.

  • PortugalOrdem dos Advogados · Portugal · Inscrição: 60554L
  • BrasilOrdem dos Advogados do Brasil · Pernambuco · Inscrição: 22.372
  • EspanhaColegio de Abogados de Madrid · Espanha · Inscrição: 144875

Fale com o advogado

Assessoria completa para o visto D2

Análise do projeto, empresa em Portugal, pedido no consulado e acompanhamento na AIMA, com advogados inscritos em Portugal e no Brasil e escritório em Lisboa.

Contratar a assessoria

Fontes oficiais consultadas

  • Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, versão consolidada (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)
  • AIMA, Meios de subsistência (consultado em 25/10/2026)
  • Portaria n.º 1563/2007, de 11 de dezembro (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)
  • DGERT, Retribuição mínima mensal garantida para 2026 (consultado em 25/10/2026)
  • MNE, Vistos nacionais: documentação instrutória (consultado em 25/10/2026)
  • Decreto-Lei n.º 33/2011, de 7 de março (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)

Compartilhar

Categorias

Vistos para Portugal
Portugal
Nacionalidade Portuguesa
Morar em Portugal
Empresarial - Portugal
Direito da Família

Precisa de orientação para o seu caso?

Você também pode gostar…

Promessa de contrato de trabalho Portugal: o que a lei exige, os dados que...
Visto D1 validade: os 4 meses do visto de residência, as duas entradas, a...
Visto de trabalho sazonal em Portugal: a diferença entre até 90 dias e até...