Rodrigo Maranhão
Por Rodrigo MaranhãoAdvogado em Lisboa · Atualizado em 25/10/2026
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O visto D2 Portugal é o visto de residência para o empreendedor imigrante que abre, compra ou investe num negócio em território português. A lei não fixa valor mínimo de investimento, mas exige um projeto credível e meios de subsistência.

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Vai empreender em Portugal? Comece pelo plano certo

A equipe analisa o seu negócio, o dinheiro disponível e a sua família para montar um pedido de visto D2 coerente, antes de você abrir empresa ou pagar taxas.

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Conteúdo

O que é o visto D2?

O visto D2 é o nome prático do visto de residência para imigrantes empreendedores, previsto no artigo 60.º, n.º 2, da Lei n.º 23/2007, a lei de estrangeiros. Ele é pedido no Brasil, antes da mudança, e abre a porta para a autorização de residência.

A letra «D» vem da classificação dos vistos nacionais de longa duração, e o número «2» identifica a finalidade. Nos consulados e nos centros de vistos, o pedido aparece como visto de residência para atividade empreendedora.

Para quem o visto D2 foi pensado

O D2 foi desenhado para quem quer viver em Portugal a partir de um negócio próprio. É o caminho de quem pretende abrir uma empresa, comprar um negócio que já funciona, entrar como sócio ou investir num projeto concreto no país.

Não é preciso ter um contrato de trabalho com uma empresa portuguesa, nem renda passiva no Brasil. O que sustenta o pedido é o projeto empresarial e o dinheiro que você vai usar para colocá-lo de pé.

O que o D2 não é

O D2 não é um visto de investimento imobiliário, nem um visto para quem vive de rendimentos no Brasil. A mesma norma também prevê uma via para atividade independente, que não é o tema deste guia.

Aqui, o foco é o empreendedor que leva um negócio para Portugal. Se você vai viver de aposentadoria ou de aluguéis, o caminho costuma ser o visto D7, que tem requisitos e documentos diferentes.

A lei que vale hoje

A base é a Lei n.º 23/2007, na versão consolidada do Diário da República. Ela já integra as alterações de 2026, incluindo a Lei n.º 62/2026, que mudou regras de residência e de reagrupamento familiar.

Todas as regras deste guia seguem essa redação atual. Antes de seguir uma informação da internet sobre o D2, confira a data do texto, porque muitos artigos ainda descrevem regras antigas ou caminhos que já não existem.

Resumo: o visto D2 em números

A tabela abaixo reúne os pontos que mais pesam na decisão de quem quer se mudar com o visto D2. Cada linha é explicada com mais detalhe nas secções seguintes, com a fonte oficial correspondente.

PontoO que vale em 2026Base
Para quemEmpreendedor que investiu ou vai investir em PortugalLei 23/2007, art. 60.º, n.º 2
Valor mínimo de investimentoNão existe na leiLei 23/2007, art. 60.º, n.º 2
Meios de subsistênciaReferência no salário mínimo: 920 € por mês em 2026Portaria 1563/2007 e Decreto-Lei 139/2025
Taxa do pedido110 €Portaria 91/2025/1
Prazo de decisão60 diasLei 23/2007, art. 58.º, e gov.pt
Validade do visto4 meses, com 2 entradasLei 23/2007, art. 58.º, e MNE
FamíliaPode pedir o visto ao mesmo tempoLei 23/2007, art. 58.º, n.º 5
Depois da chegadaAutorização de residência de 2 anos, renovável por 3Lei 23/2007, art. 75.º

O que a tabela mostra é que o D2 depende menos de um número fixo e mais da coerência do projeto. O consulado avalia se o investimento é real, se o dinheiro existe e se a família consegue viver em Portugal até o negócio andar.

Por isso, dois pedidos com o mesmo valor podem ter destinos diferentes. Um projeto bem explicado, com números e documentos que batem entre si, convence mais do que uma conta bancária alta sem plano por trás.

Quem pode pedir o visto D2?

Pode pedir o D2 o cidadão de fora da União Europeia que efetuou operações de investimento em Portugal ou que prova ter meios financeiros disponíveis no país e a intenção de investir. São as duas alíneas do artigo 60.º, n.º 2.

Na prática, essas duas alíneas se traduzem em três perfis de empreendedor. Cada um prepara o pedido de um jeito, com documentos próprios, e a escolha do perfil é a primeira decisão estratégica do processo.

Quem abre uma empresa nova

É o perfil mais comum entre brasileiros. Você constitui uma sociedade em Portugal, ainda a partir do Brasil, deposita o capital e apresenta o projeto ao consulado como uma operação de investimento já feita.

A vantagem é mostrar um passo concreto. A desvantagem é assumir custos de empresa, como contabilista e obrigações fiscais, antes de saber se o visto será concedido. O guia sobre como abrir empresa em Portugal detalha essa etapa.

Quem compra um negócio ou entra como sócio

Comprar um negócio que já funciona, como um café, uma loja ou uma pequena empresa de serviços, também é uma operação de investimento. O mesmo vale para quem compra quotas e entra como sócio de uma sociedade portuguesa.

Nesses casos, o consulado olha para o contrato de compra, para o histórico do negócio e para o seu papel na gestão. Um negócio com faturação comprovada costuma dar mais solidez ao pedido do que uma empresa recém-criada.

Quem ainda não investiu, mas tem o dinheiro em Portugal

A lei aceita também quem ainda não investiu, desde que comprove meios financeiros disponíveis em Portugal e demonstre, por qualquer meio, a intenção de fazer o investimento. O dinheiro pode vir de financiamento de banco português.

Esse caminho exige um projeto muito bem descrito, com natureza, valor e duração do investimento. Sem empresa constituída, é a qualidade do plano e dos comprovativos que mostra ao consulado que a intenção é séria.

Existe valor mínimo para o visto D2?

Não. A Lei 23/2007 não fixa um valor mínimo de investimento para o D2. Nenhum consulado pode exigir, com base na lei, um investimento de 50 mil ou de 100 mil euros, como alguns sites afirmam.

Isso não quer dizer que qualquer valor sirva. O investimento precisa ser compatível com o negócio que você descreve, e há outro valor que pesa muito no pedido: os meios de subsistência para você e para a família.

O investimento precisa fazer sentido

Um restaurante, uma empresa de software e uma loja online têm custos muito diferentes. O consulado avalia se o dinheiro investido chega para o negócio arrancar, considerando aluguel, equipamento, licenças, estoque e os primeiros meses de despesas.

Um investimento pequeno para um negócio grande levanta dúvidas sobre a viabilidade. Um investimento coerente com o plano, mesmo modesto, mostra que você conhece o mercado e que o projeto tem começo, meio e números.

Os meios de subsistência

Além do investimento, você precisa provar que consegue se sustentar em Portugal. A AIMA explica que a Portaria n.º 1563/2007 usa como referência a retribuição mínima mensal garantida, o salário mínimo português.

Em 2026, esse salário é de 920 euros por mês, fixado pelo Decreto-Lei n.º 139/2025, como informa a DGERT. A referência mais usada é o equivalente a 12 meses, cerca de 11 040 euros para o requerente.

Quanto a mais por familiar

Quando a família vem junta, o valor cresce. Pelas percentagens que a AIMA divulga, o segundo adulto conta 50% do salário mínimo e cada filho menor ou a cargo conta 30%, o que dá cerca de 460 e 276 euros por mês.

Esses números são uma referência mínima, e não um teto. O consulado pode pedir mais quando o custo de vida da cidade escolhida é alto, e vale planejar com folga. Veja as cidades mais baratas para viver em Portugal.

Atenção: o dinheiro do investimento e o dinheiro da subsistência não devem ser o mesmo. Se o capital da empresa é a única reserva da família, o consulado pode entender que você não terá como viver enquanto o negócio não dá lucro.

Quais são os requisitos do visto D2?

Os requisitos do D2 somam as condições gerais de qualquer visto de residência, do artigo 52.º, com as condições próprias do empreendedor, do artigo 60.º. Para o pedido ser aceite, você precisa reunir estes pontos:

  • passaporte válido por pelo menos três meses além da duração prevista da estada;
  • meios de subsistência para você e para os familiares que vêm junto;
  • seguro de viagem, dispensado para brasileiros por acordo bilateral;
  • registo criminal sem condenação por crime punível em Portugal com pena de prisão superior a um ano;
  • operação de investimento feita, ou meios financeiros em Portugal e intenção de investir;
  • alojamento em Portugal, ou pelo menos a indicação de onde vai morar ao chegar.

As condições gerais

O artigo 52.º da lei lista as condições comuns a todos os vistos, como o documento de viagem válido, os meios de subsistência e o seguro. O mesmo artigo determina a recusa de quem tem condenação por crime punível em Portugal com pena de prisão superior a um ano.

Para brasileiros, o seguro de viagem costuma ser dispensado. O Ministério dos Negócios Estrangeiros indica que ele não é exigido quando há acordo bilateral, «como por exemplo no caso do Brasil (PB4)», o certificado de direito à saúde.

As condições do empreendedor

Aqui está o coração do pedido. Você precisa mostrar, com documentos, que fez ou vai fazer um investimento em Portugal, com natureza, valor e duração identificados, e que esse investimento é a razão da sua mudança.

Não basta escrever que pretende abrir um negócio. O consulado quer ver o contrato de sociedade, o comprovativo do capital, o contrato de compra do negócio ou o extrato da conta em Portugal, sempre ligados a um plano concreto.

Documentos para o visto D2

A lista de documentos tem duas partes: a documentação geral, igual para todos os vistos de residência, e a documentação específica do imigrante empreendedor. As duas são descritas na página oficial do MNE.

A documentação geral

Comece pelos papéis comuns a qualquer visto nacional, porque alguns dependem de outros órgãos e demoram para ficar prontos:

  • formulário de pedido de visto preenchido e assinado;
  • duas fotografias recentes, tipo passe;
  • passaporte válido e cópia das páginas usadas;
  • certificado de registo criminal do Brasil, ou do país onde você mora há mais de um ano, com Apostila;
  • pedido de consulta do registo criminal português pelos serviços de imigração;
  • comprovativo de meios de subsistência e de alojamento.

A documentação do empreendedor

O MNE pede uma declaração de que realizou ou pretende realizar uma operação de investimento em Portugal, com a indicação da natureza, do valor e da duração. A declaração vem acompanhada do comprovativo do investimento feito ou dos meios disponíveis no país.

Na prática, entram aqui o pacto social e a certidão permanente da empresa, o comprovativo do depósito do capital, contratos de compra ou de arrendamento do espaço, o plano de negócios e os extratos bancários da conta portuguesa.

Apostila, traduções e coerência

Documentos brasileiros públicos, como o registo criminal e as certidões de casamento e de nascimento dos filhos, precisam da Apostila da Haia. Peça a Apostila logo que cada documento chegar, porque o registo criminal tem prazo de validade curto.

O ponto que mais derruba pedidos não é a falta de um papel, mas a incoerência entre eles. Valores diferentes no plano e no extrato, ou uma atividade no pacto social que não bate com o plano, geram dúvidas difíceis de explicar depois.

Se você quer comparar com outro visto de residência, o artigo sobre os documentos do visto D7 mostra como a lista geral se repete e onde as exigências mudam de um visto para o outro.

Empreendedor revendo o plano de negócios num café em Portugal
O plano de negócios mostra ao consulado que o projeto tem números e começo marcado.

O plano de negócios: o documento que convence

A lei não usa a expressão «plano de negócios», mas é ele que mostra a natureza, o valor e a duração do investimento que o MNE pede. Num pedido de D2, o plano é o documento que liga todos os outros.

É no plano que o consulado entende o que você vai fazer, onde, com quanto dinheiro e em quanto tempo. Um bom plano responde às perguntas antes de elas serem feitas e mostra que você conhece o mercado português.

O que o plano deve mostrar

O plano precisa descrever o negócio, o público, a localização, os concorrentes e a forma de vender. Precisa também mostrar o investimento inicial, as despesas mensais e uma projeção realista de receitas para os primeiros anos.

Vale incluir quem vai trabalhar no negócio, se haverá contratação de pessoas em Portugal e qual será o seu papel na gestão. O consulado quer ver que você vai dirigir a empresa, e não apenas aparecer como sócio no papel.

Os erros mais comuns no plano

O erro mais comum é copiar um modelo genérico da internet, com números que não batem com o resto do pedido. Outro erro frequente é prometer lucros altos logo no primeiro ano, sem explicar de onde viriam os clientes.

Também atrapalha um plano escrito como se o negócio fosse funcionar no Brasil. Aluguel, salários, impostos e licenças em Portugal têm valores próprios, e um plano com custos brasileiros mostra pouco conhecimento do mercado.

Eu recomendo escrever o plano antes de abrir a empresa, e não depois. Ele obriga você a fazer as contas, ajuda a escolher o tipo de sociedade e o capital, e evita gastar com uma estrutura que não serve ao projeto.

Abrir a empresa em Portugal antes do visto

Quem escolhe o caminho da empresa nova costuma constituí-la ainda a partir do Brasil, antes de entregar o pedido. A empresa constituída e com capital depositado é a prova mais direta de uma operação de investimento.

A constituição tem uma ordem que evita retrabalho: primeiro o NIF, depois a empresa, a conta bancária e o contabilista. Cada etapa depende da anterior, e pular uma delas costuma atrasar todas as seguintes.

O NIF e o representante fiscal

Cada sócio precisa de um número de identificação fiscal português antes de constituir a empresa. Quem mora fora da União Europeia normalmente pede o NIF com um representante fiscal em Portugal, que recebe as notificações das Finanças.

O passo a passo está no guia sobre como obter o NIF em Portugal. Peça o NIF com antecedência, porque sem ele nenhuma das etapas seguintes avança, nem a empresa nem a conta.

A Empresa na Hora

O serviço Empresa na Hora, do Instituto dos Registos e do Notariado, cria sociedades por quotas e unipessoais num só balcão. O pedido normal custa 360 euros, e qualquer pessoa pode criar uma empresa.

O balcão exige a presença de todos os sócios, com passaporte e NIF. Quem não pode viajar antes do visto costuma usar a constituição por procuração ou outros meios de criação da empresa, com apoio de um profissional em Portugal.

A conta bancária e o capital

Depois de criada a empresa, há 5 dias úteis para depositar o capital social na conta bancária da sociedade, salvo se os sócios já o depositaram ou declararam entregá-lo até o fim do primeiro exercício. Para o D2, depositar logo é o mais seguro.

O extrato da conta com o capital depositado é um dos documentos mais fortes do pedido. Veja como funciona a conta bancária em Portugal e o que os bancos pedem a quem ainda mora no Brasil.

O contabilista certificado

Toda sociedade em Portugal precisa de um contabilista certificado. Ele pode ser indicado na constituição ou depois, com a declaração de início de atividade entregue nas Finanças até 15 dias após a criação da empresa.

Também é preciso declarar o beneficiário efetivo da empresa no prazo de 30 dias. São obrigações que começam a contar logo, mesmo que você ainda esteja no Brasil à espera do visto, e que geram multas quando esquecidas.

Como pedir o visto D2 no Brasil

O pedido de visto D2 é feito antes da viagem, no Brasil, junto do posto consular português da área onde você mora. Quem está em Portugal como turista não pode transformar a estadia num D2 sem voltar para pedir o visto.

Os centros da VFS Global

No Brasil, os pedidos de visto nacional são entregues nos centros da VFS Global, a empresa parceira do MNE. A entrega é presencial, com agendamento prévio pelo site, e o processo segue depois para o consulado.

A VFS recebe os documentos e encaminha o processo, mas não decide o pedido. Quem decide é o consulado, com parecer dos serviços de imigração. Por isso, a pasta precisa estar completa e organizada no dia da entrega.

O que acontece depois da entrega

Depois da entrega, o consulado analisa os documentos e pode pedir informações ou papéis adicionais. Responder rápido e com documentos coerentes evita que o prazo de decisão fique parado à espera de você.

Se o visto for concedido, ele vem colado no passaporte. A partir daí começa a contar a validade de quatro meses, e você precisa planejar a viagem e a marcação na AIMA dentro desse período.

Atenção: não compre passagens nem entregue o aluguel no Brasil antes de o visto sair. Mudar a data de viagem custa pouco; desfazer uma mudança já feita, sem visto aprovado, custa muito mais para a família.

Quanto custa o visto D2?

O custo do D2 tem três camadas: as taxas oficiais do pedido, os custos de criar e manter a empresa e o dinheiro que precisa estar disponível para o investimento e para a subsistência da família.

As taxas oficiais

A Portaria n.º 91/2025/1, de 10 de março, fixou em 110 euros o emolumento do pedido de visto nacional, o que inclui o D2. A VFS cobra a sua taxa de serviço à parte, e a AIMA tem taxas próprias na autorização de residência.

Some ainda o registo criminal, a Apostila de cada documento e as fotografias. São valores pequenos isoladamente, mas que se multiplicam por cada membro da família que vai pedir o visto ao mesmo tempo que você.

Os custos da empresa

Quem abre uma sociedade paga a constituição, como os 360 euros da Empresa na Hora, o representante fiscal, o contabilista mensal e, muitas vezes, o aluguel de um espaço. Esses custos começam antes do visto e continuam durante o processo.

Quem compra um negócio tem ainda o preço da compra, os impostos da transmissão e os custos de advogado e de contabilista para analisar as contas do negócio antes de assinar. É o caminho que exige mais capital de entrada.

O dinheiro que precisa estar na conta

A maior parte do dinheiro não é custo, mas reserva. O capital investido e os meios de subsistência, cerca de 11 040 euros por ano para o requerente em 2026, precisam aparecer nos extratos no momento do pedido.

Ao planejar, separe o que é gasto, o que é investimento e o que é reserva. Essa separação ajuda a montar um plano de negócios honesto e mostra ao consulado que a família não depende do lucro imediato da empresa.

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Pedido de visto D2 preparado por advogados

Organizamos a empresa ou a declaração de investimento, o plano de negócios, os meios de subsistência e os documentos da família, e acompanhamos até a autorização de residência.

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Quanto tempo demora o visto D2?

Pela lei, o consulado tem 60 dias para decidir o pedido de visto de residência. O prazo está no artigo 58.º da Lei 23/2007 e é repetido na página oficial do serviço, mas conta a partir da entrega do pedido completo.

O prazo da decisão

Os 60 dias são o prazo de decisão, e não o tempo total da mudança. Pedidos com documentos em falta ou com dúvidas sobre o investimento podem receber exigências, e cada exigência atrasa a resposta final do consulado.

Um pedido completo, com documentos coerentes e plano bem explicado, tem mais chance de ser decidido dentro do prazo. É mais um motivo para não entregar a pasta com pressa, só para garantir uma vaga na agenda da VFS.

O tempo total, do plano até a mudança

Antes do pedido vêm as etapas que dependem de você: escrever o plano, pedir o NIF, abrir a empresa e a conta, depositar o capital e reunir certidões. Para muitos empreendedores, essa preparação leva de dois a quatro meses.

Somando a preparação, a agenda da VFS e os 60 dias de decisão, é prudente contar com seis meses ou mais entre a decisão de se mudar e a viagem. Quem tem filhos em idade escolar costuma planejar a chegada para o início do ano letivo.

A família no visto D2

O D2 permite que a família venha junto desde o início. O artigo 58.º, n.º 5, da lei diz que o visto de residência também serve ao acompanhamento de membros da família do requerente, e que os pedidos podem ser feitos em simultâneo.

Quem conta como família

Para o visto de acompanhamento, o MNE inclui o cônjuge, o companheiro em união de facto comprovada, os filhos menores ou incapazes, os filhos maiores solteiros a cargo que estudem em Portugal e os ascendentes em primeiro grau a cargo.

Cada familiar precisa comprovar o laço com certidões apostiladas. A família também precisa de recursos estáveis e regulares para todos, calculados com as percentagens do salário mínimo para cada adulto e para cada filho.

Pedir junto ou depois

Pedir junto evita a separação da família e o tempo de espera do reagrupamento. Com a Lei 62/2026, o reagrupamento feito depois exige, em regra, que o titular tenha a autorização de residência válida há pelo menos dois anos.

Há exceções para filhos menores ou incapazes a cargo e para o cônjuge que é pai ou mãe de um menor a cargo. O artigo sobre o reagrupamento familiar em Portugal explica as regras de quem já está no país.

Para a maioria das famílias, o pedido simultâneo é a escolha mais segura. Se você vai se mudar com cônjuge e filhos, veja também o guia sobre morar em Portugal com família, com escola, saúde e custo de vida.

Ponte 25 de Abril sobre o Tejo
Com o visto D2, a família pode pedir o visto ao mesmo tempo e chegar junta a Portugal.

Depois da chegada: a autorização de residência na AIMA

O D2 não é o destino final. Segundo o MNE, o visto é válido para duas entradas e por quatro meses, período em que você deve pedir à AIMA o título de residência.

Os números provisórios

Com o visto de residência, a lei prevê uma pré-autorização de residência, com a atribuição provisória do NIF, do número de segurança social e do número de utente do Serviço Nacional de Saúde. Isso ajuda nos primeiros meses em Portugal.

O que a AIMA confere

Para a autorização de residência do empreendedor, o artigo 89.º exige, entre outros pontos, que você tenha constituído a sociedade nos termos da lei, tenha meios de subsistência e esteja inscrito na segurança social. O artigo 77.º acrescenta o alojamento e a presença em Portugal.

Quem pediu o visto só com meios financeiros e intenção de investir precisa, portanto, concretizar o investimento antes da AIMA. É nessa fase que a empresa sai do papel, se ainda não tinha sido criada no Brasil.

Renovação e caminho para a nacionalidade

Pelo artigo 75.º, a autorização de residência temporária vale dois anos e pode ser renovada por períodos de três anos. Em cada renovação, a AIMA volta a olhar para a empresa, para os meios e para a situação contributiva.

Os anos de residência legal contam para a nacionalidade portuguesa. Para brasileiros, o prazo é de sete anos, como explica o guia sobre a nacionalidade portuguesa por tempo de residência. A cidadania começa a ser construída na primeira renovação.

Atenção: manter a empresa ativa, com contabilidade em dia e contribuições pagas, é o que garante as renovações. Uma empresa parada ou com dívidas à segurança social pode complicar a renovação e, mais tarde, o pedido de nacionalidade.

StartUP Visa: a variante para startups

Quem tem um projeto inovador pode seguir um caminho próprio, o programa StartUP Visa. O artigo 89.º, n.º 4, prevê a autorização de residência para quem desenvolve um projeto empreendedor integrado numa incubadora certificada.

Como funciona o programa

Nesse caminho, o pedido de visto leva uma declaração do IAPMEI que comprova o contrato de incubação com uma incubadora certificada. O MNE remete ao Despacho Normativo n.º 4/2018, que regulamenta o programa.

O StartUP Visa faz sentido para empresas de base tecnológica ou com potencial de crescimento rápido. Para um café, uma loja ou um serviço tradicional, o D2 comum costuma ser o caminho mais simples e mais rápido.

Startup ou D2 comum?

A incubadora dá credibilidade ao projeto e apoio nos primeiros anos, mas exige candidatura, avaliação e um contrato com obrigações. Antes de escolher, compare o tempo de aprovação da incubadora com o calendário da sua mudança.

D2, D7 ou nômade digital: qual escolher?

Muitos brasileiros chegam ao D2 sem saber que outro visto serviria melhor. A escolha depende de onde vem o seu dinheiro e do que você vai fazer em Portugal, e não do visto que parece mais rápido.

Quando o D2 é o visto certo

O D2 é o visto certo quando o centro da mudança é um negócio em Portugal, com clientes, espaço ou equipe no país. Se o projeto é abrir, comprar ou gerir uma empresa portuguesa, o D2 é o caminho natural.

Quando outro visto serve melhor

Quem vive de aposentadoria, aluguéis ou aplicações financeiras costuma ter no D7 um pedido mais simples. Quem trabalha remotamente para empresas fora de Portugal tem o visto para nômade digital.

Já quem tem formação superior e uma oferta de trabalho qualificado deve olhar para o visto D3. Em alguns casos, a família combina vistos diferentes, cada um com o seu fundamento, e isso precisa ser planejado com cuidado.

Eu sempre comparo os vistos possíveis por escrito, com os documentos na mesa, antes de abrir qualquer empresa. Abrir uma sociedade só para conseguir um visto, quando outro serviria melhor, gera custos que continuam por anos.

Erros que atrasam o visto D2

A maior parte dos problemas no D2 não vem da lei, mas da preparação do pedido. Os erros abaixo aparecem com frequência e quase todos podem ser evitados antes de você entregar a pasta na VFS.

Abrir a empresa sem plano

O erro mais caro é abrir a sociedade antes de definir o projeto. Atividade errada no pacto social, capital incompatível com o negócio ou sócios mal escolhidos obrigam a alterações que custam tempo e dinheiro.

Juntar o dinheiro todo numa conta só

Misturar o capital da empresa, a reserva da família e o dinheiro da mudança na mesma conta dificulta a prova dos meios de subsistência. O consulado precisa ver com clareza o que é investimento e o que é sustento.

Esquecer as obrigações da empresa

Quem abre a empresa e espera o visto no Brasil às vezes esquece o contabilista, a declaração do beneficiário efetivo ou as declarações fiscais. Essas falhas geram multas e podem pesar na autorização de residência e nas renovações.

Quais são os guias do visto D2, tema por tema?

Este guia dá a visão geral. Para cada etapa do processo, há um texto próprio, com mais detalhe e as mesmas fontes oficiais. Use as tabelas abaixo para ir direto ao ponto que você precisa agora.

Antes do pedido: requisitos, custos e prazos

TemaGuia
Requisitos do visto D2requisitos do visto D2
Valor mínimo para o visto D2valor mínimo para o visto D2
Quanto custa o visto D2quanto custa o visto D2
Documentos do visto D2documentos do visto D2
Como pedir o visto D2 na VFS Globalcomo pedir o visto D2 na VFS Global
Quanto tempo demora o visto D2quanto tempo demora o visto D2
Advogado para o visto D2advogado para o visto D2

A empresa em Portugal

TemaGuia
Plano de negócios do visto D2plano de negócios do visto D2
Abrir empresa em Portugal sendo brasileiroabrir empresa em Portugal sendo brasileiro
Unipessoal ou Lda para o visto D2Unipessoal ou Lda para o visto D2
Que negócio abrir com o visto D2que negócio abrir com o visto D2
StartUP Visa PortugalStartUP Visa Portugal
Comprar empresa em Portugal com o visto D2comprar empresa em Portugal com o visto D2
Franquia em Portugal com o visto D2franquia em Portugal com o visto D2
Filial de empresa brasileira em Portugalfilial de empresa brasileira em Portugal
Abrir empresa em Portugal a distânciaabrir empresa em Portugal a distância

Depois do visto: trabalho, família e residência

TemaGuia
Trabalhar em Portugal com o visto D2trabalhar em Portugal com o visto D2
O que fazer depois do visto D2o que fazer depois do visto D2
Visto D2 com a famíliavisto D2 com a família

Como pedir o visto D2: passo a passo

O caminho do D2 tem uma ordem que evita retrabalho. Seguir esta sequência poupa tempo, reduz custos e chega ao consulado com um pedido coerente do primeiro ao último documento:

  1. defina o projeto e escreva o plano de negócios com números de Portugal;
  2. escolha o perfil: empresa nova, compra de negócio ou meios com intenção de investir;
  3. peça o NIF de cada sócio, com representante fiscal;
  4. constitua a empresa, abra a conta e deposite o capital, quando for o seu caminho;
  5. reúna os documentos gerais, os do negócio e os da família, com Apostila;
  6. agende e entregue o pedido na VFS Global, com os familiares ao mesmo tempo;
  7. depois do visto, viaje dentro dos quatro meses e peça a autorização de residência na AIMA.

Se você ainda está avaliando a mudança, o artigo sobre se vale a pena morar em Portugal em 2026 ajuda a pensar no custo de vida, no mercado e na rotina antes de investir.

Se você quer que um advogado analise o seu projeto e conduza o pedido do início ao fim, conheça a assessoria para vistos em Portugal do escritório, com equipe em Lisboa e no Brasil.

Perguntas frequentes

A seguir, respondemos às dúvidas mais comuns de quem quer se mudar para Portugal com o visto D2.

Existe valor mínimo para o visto D2?

Não. A Lei 23/2007 não fixa valor mínimo de investimento. O valor precisa ser coerente com o negócio, e você ainda precisa provar meios de subsistência, com referência no salário mínimo de 920 euros em 2026.

Preciso abrir empresa antes de pedir o visto D2?

Não é obrigatório. A lei aceita quem já investiu e quem tem meios financeiros em Portugal com intenção de investir. Mas, para a autorização de residência na AIMA, quem segue o caminho da empresa precisa tê-la constituído.

Quanto custa o pedido do visto D2?

A taxa oficial do pedido é de 110 euros, fixada pela Portaria n.º 91/2025/1. A isso se somam a taxa da VFS, certidões, Apostilas, os custos da empresa e o dinheiro do investimento e da subsistência da família.

Quanto tempo demora o visto D2?

O consulado tem 60 dias para decidir depois da entrega do pedido completo. Com a preparação do plano, do NIF, da empresa e dos documentos, é prudente contar com seis meses ou mais até a mudança.

A família pode ir junto com o visto D2?

Sim. A lei permite que o cônjuge, os filhos e outros familiares a cargo peçam o visto ao mesmo tempo que o requerente, desde que provem o laço familiar e os meios de subsistência para todos.

Posso pedir o visto D2 estando em Portugal como turista?

Não. O visto D2 é pedido antes da viagem, no Brasil ou no país onde você mora legalmente, junto do posto consular português ou do centro de vistos da VFS Global, com entrega presencial.

Rodrigo Maranhão, advogado

Quem escreve

Rodrigo Maranhão

Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.

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Fontes oficiais consultadas

  • Portaria n.º 91/2025/1, de 10 de março (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)
  • Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, versão consolidada (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)
  • MNE, Vistos nacionais: documentação instrutória (consultado em 25/10/2026)
  • MNE, Vistos nacionais: tipo de visto (consultado em 25/10/2026)
  • gov.pt, Pedir visto de residência para imigrantes empreendedores (consultado em 25/10/2026)
  • AIMA, Meios de subsistência (consultado em 25/10/2026)
  • Portaria n.º 1563/2007, de 11 de dezembro (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)
  • DGERT, Retribuição mínima mensal garantida para 2026 (consultado em 25/10/2026)
  • IRN, Criar Empresa na Hora (consultado em 25/10/2026)

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