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Rodrigo Maranhão
Por Rodrigo MaranhãoAdvogado em Lisboa · Atualizado em 25/10/2026
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Os documentos para visto D2 se dividem em dois blocos: a documentação geral de qualquer visto de residência e os papéis próprios do imigrante empreendedor, que provam a operação de investimento em Portugal.

Assessoria jurídica

Revise a pasta do seu D2 antes de entregar

A equipe confere cada documento contra a lista do MNE, aponta o que falta e organiza a ordem dos pedidos para nada vencer antes da entrega na VFS.

Contratar análise do caso

Quais documentos o visto D2 exige?

A lista oficial está na página de documentação instrutória do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Ela vale para todos os postos consulares e é a referência que o consulado usa para conferir a sua pasta.

O serviço do gov.pt repete a mesma base e acrescenta alguns itens práticos, como o comprovativo de alojamento e a reserva de viagem. Este checklist junta as duas fontes.

Documentos gerais e documentos específicos

Os documentos gerais mostram quem você é e que pode viver em Portugal sem depender do Estado. Os específicos mostram o negócio: o que você vai fazer, quanto vai investir e por quanto tempo.

Resumo: o checklist do visto D2

A tabela reúne os documentos que o MNE e o gov.pt pedem ao imigrante empreendedor. Use-a como ponto de partida e confirme, perto da data, se o seu posto consular pede algum papel extra.

DocumentoQuem entregaObservação
Requerimento do vistoCada requerenteFormulário assinado
Duas fotografiasCada requerenteRecentes e iguais
PassaporteCada requerenteVálido 3 meses além da estada
PB4 ou seguro de viagemCada requerenteO PB4 dispensa o seguro
Registo criminalCada adultoCom Apostila da Haia
Meios de subsistênciaRequerente e famíliaPortaria 1563/2007
Declaração de investimentoRequerente principalNatureza, valor e duração
Comprovativos do investimentoRequerente principalFeito ou em preparação
Alojamento e reserva de viagemRequerente e famíliaPedido pelo gov.pt

O formulário e as fotografias

O primeiro documento da pasta é o requerimento do visto, preenchido e assinado. Cada pessoa da família tem o seu próprio formulário, mesmo as crianças, que são assinadas pelos pais ou representantes legais.

Como preencher sem erros

Os dados do formulário precisam bater com o passaporte, letra por letra. Nomes abreviados, datas trocadas ou moradas antigas são motivos comuns de pedidos de correção, que atrasam a análise sem necessidade.

As duas fotografias

O MNE pede duas fotografias por requerente. Use fotografias recentes, iguais e com fundo claro, no padrão de documento. Fotografias antigas ou de qualidade fraca podem ser recusadas no balcão.

Guarde algumas fotografias a mais na pasta. Elas costumam ser úteis noutras etapas, como a abertura de conta, a matrícula das crianças na escola e o próprio agendamento na AIMA, depois da chegada.

Até quando o passaporte precisa valer?

Segundo o MNE, o passaporte deve ser válido por pelo menos três meses além da duração da estada prevista. Na prática, quem vai morar em Portugal precisa de um passaporte com validade longa, porque ele acompanha todo o processo.

Renovar antes de começar

Se o seu passaporte vence nos próximos dois anos, vale a pena renová-lo antes do pedido. O número do passaporte aparece no visto, no NIF e na autorização de residência, e trocá-lo no meio do caminho gera atualizações em vários registos.

Os filhos menores também precisam de passaporte próprio e válido. Para eles, confira a autorização dos dois pais quando a lei brasileira a exigir para a emissão do documento.

PB4 ou seguro de viagem?

A regra geral dos vistos exige seguro de viagem. O MNE indica que o seguro é dispensável quando há acordo bilateral, «como por exemplo no caso do Brasil», e cita o certificado PB4.

O que é o PB4

O PB4 é o certificado de direito à assistência médica previsto no acordo entre Brasil e Portugal. Ele é emitido no Brasil, pelo sistema de saúde, e dá acesso ao Serviço Nacional de Saúde português nas mesmas condições dos residentes.

Quando contratar um seguro

Quem não consegue o PB4 a tempo pode entregar um seguro de viagem válido para o período do visto. Muitas famílias contratam também um seguro de saúde privado nos primeiros meses, por conforto.

Cada pessoa da família precisa do seu próprio PB4 ou da sua própria apólice. Peça o certificado com antecedência, para não ficar dependente dele na semana da entrega e ter tempo de corrigir qualquer dado errado.

Registo criminal com Apostila

O MNE pede o registo criminal do país de origem ou do país onde você mora há mais de um ano, com a Apostila da Haia. Cada adulto que pede o visto entrega o seu.

Qual certidão pedir no Brasil

No Brasil, o documento usado costuma ser a certidão de antecedentes criminais emitida pela Polícia Federal. Confirme com a VFS se o seu posto pede também certidões estaduais, porque a prática pode variar entre consulados.

O gov.pt menciona ainda a autorização para consulta do registo criminal português pela AIMA. Ela entra no próprio formulário e não exige documento separado, mas precisa estar assinada.

Atenção: o registo criminal tem validade curta. Peça a certidão e a Apostila perto da data da entrega, para que ela não vença enquanto você reúne o resto da pasta.

Pasta organizada com os documentos para o visto D2
Uma pasta organizada pela ordem da lista do MNE facilita a conferência na entrega.

Como provar os meios de subsistência?

Os meios de subsistência seguem a Portaria n.º 1563/2007, que usa o salário mínimo português como referência. Em 2026, a DGERT fixa esse valor em 920 euros por mês.

Os papéis que servem de prova

A página da AIMA lista várias formas de prova. Para o empreendedor, as mais usadas são estas:

  • extratos de conta bancária em Portugal, em nome do requerente ou da empresa;
  • contrato de constituição de sociedade comercial;
  • comprovativos de meios financeiros disponíveis em Portugal, incluindo financiamento de banco português;
  • rendimentos de aplicações financeiras, reforma ou pensão;
  • declaração do IAPMEI sobre contrato de incubação, no caso das startups.

Para abrir a conta e receber os extratos, veja o guia sobre a conta bancária em Portugal. Antes dela, você precisa do NIF português.

Os documentos próprios do imigrante empreendedor

Este é o bloco que distingue o D2 de outros vistos. O MNE pede uma declaração de investimento e os comprovativos que a sustentam, e a qualidade desses papéis pesa muito na decisão.

A declaração de investimento

Nas palavras do MNE, é a declaração de que você realizou ou pretende realizar uma operação de investimento em Portugal, «com indicação da sua natureza, valor e duração». Um plano de negócios bem feito é a forma mais clara de cumprir essa exigência.

Os comprovativos

Quem já investiu entrega a prova da operação, como o registo da empresa, contratos e faturas. Quem ainda vai investir prova os meios financeiros disponíveis em Portugal e a intenção de investir, devidamente descrita e identificada.

Para cumprir o que o MNE pede, a declaração e o plano que a acompanha devem deixar claros, no mínimo, estes pontos:

  • a natureza do negócio, com a atividade, o público e a cidade escolhida;
  • o valor do investimento, separado por etapas e por tipo de gasto;
  • a duração prevista, com o calendário de abertura e dos primeiros anos;
  • a origem do dinheiro e a conta em Portugal onde ele está ou vai estar.

Se a empresa já existe, junte a certidão permanente e o pacto social. O serviço Empresa na Hora entrega esses códigos no fim da constituição, e o guia sobre abrir empresa em Portugal explica as etapas.

Eu costumo dizer aos clientes que a declaração de investimento é o documento que o consulado lê com mais atenção. Uma lista de intenções vagas pesa pouco; números, prazos e contratos pesam muito.

Assessoria jurídica

Documentos do D2 sem retrabalho

Preparamos a declaração de investimento, os comprovativos da empresa e os papéis da família, para você entregar a pasta completa da primeira vez.

Quero assessoria jurídica

Alojamento e reserva de viagem

O gov.pt inclui na lista o comprovativo de alojamento e a reserva de viagem. Eles mostram onde você vai morar ao chegar e quando pretende entrar em Portugal.

Que alojamento serve

Um contrato de arrendamento, uma escritura ou um termo de responsabilidade de quem vai receber a família são as formas mais comuns. Uma reserva curta pode ser aceita no visto, mas o alojamento volta a ser exigido na AIMA.

Se você ainda não escolheu a cidade, compare custos antes de assinar um contrato longo. O guia das cidades mais baratas para viver em Portugal ajuda a fazer essa escolha com base no orçamento da família.

A reserva de viagem

A reserva mostra a data prevista de entrada. Lembre que o visto vale por quatro meses e duas entradas, segundo o MNE, e que nesse prazo você precisa pedir a autorização de residência.

Que documentos a família precisa entregar?

O cônjuge e os filhos podem pedir o visto de acompanhamento junto com o D2, como prevê o artigo 58.º da Lei n.º 23/2007. Cada um entrega a documentação geral, com dois documentos a mais.

Os papéis extras

O primeiro é a prova dos laços familiares, como a certidão de casamento ou de nascimento, com Apostila. O segundo é a prova de recursos estáveis para todos, pelo período da estada ou por 12 meses, o que for menor.

Quem conta como família

O MNE inclui o cônjuge, os filhos menores, os filhos maiores a cargo que estudem em Portugal, os ascendentes a cargo e o parceiro em união de facto comprovada. Para quem vem depois, o caminho é o reagrupamento familiar.

Se a sua dúvida é a vida do dia a dia, como escola e bairro, veja o guia sobre morar em Portugal com família.

Ruas caiadas de Monsaraz, no Alentejo
Depois do visto, a mesma pasta volta a ser útil no pedido da autorização de residência na AIMA.

Precisa traduzir ou apostilar os documentos?

Os documentos públicos brasileiros, como certidões e registo criminal, precisam da Apostila da Haia para valer em Portugal. Brasil e Portugal fazem parte da Convenção da Apostila, e no Brasil ela é feita nos cartórios.

A ordem certa

Primeiro você obtém a certidão atualizada, depois a Apostila. Documentos com informações antigas, como certidões de casamento sem averbações recentes, devem ser pedidos de novo antes de apostilar.

Atenção: documentos noutras línguas, como diplomas ou contratos estrangeiros, podem precisar de tradução certificada. Confirme com o seu posto consular antes de pagar traduções que talvez não sejam pedidas.

Os erros que mais atrasam a pasta do D2

A maior parte dos atrasos não vem da lei, e sim de detalhes da pasta. Eu vejo os mesmos erros se repetirem em pedidos feitos sem revisão, e quase todos são fáceis de evitar.

Documentos que não conversam entre si

O valor do investimento na declaração é diferente do valor no plano de negócios. A morada do formulário não bate com a do alojamento. O nome da empresa muda entre o pacto social e os extratos. O consulado repara nessas diferenças.

Provas fracas do investimento

Uma declaração genérica, sem números nem prazos, deixa o consulado sem base para avaliar o projeto. O mesmo acontece com extratos de contas no Brasil quando a lei fala em meios financeiros disponíveis em Portugal.

Datas fora de ordem

Certidões emitidas meses antes, passaportes perto do fim da validade e reservas de viagem para datas já passadas obrigam a refazer papéis. Um calendário simples, feito antes de começar, resolve quase todos esses casos.

Que documentos levar à AIMA depois do visto?

O visto é a primeira etapa. Para a autorização de residência, o artigo 77.º da Lei de Estrangeiros pede, entre outros, o visto de residência válido, meios de subsistência, alojamento e a inscrição na segurança social, sempre que aplicável.

O que o empreendedor acrescenta

Pelo artigo 89.º, o imigrante empreendedor precisa ter constituído a sociedade nos termos da lei. Por isso, quem pediu o visto com a intenção de investir chega à AIMA já com a empresa criada e a operação em andamento.

Guarde a cópia da pasta do visto. Muitos documentos voltam a ser pedidos, atualizados, e ter tudo organizado desde o consulado torna o agendamento na AIMA muito mais simples.

Como organizar a pasta para a entrega

Uma pasta organizada poupa tempo no balcão da VFS Global e reduz pedidos de documentos em falta. Antes de agendar, siga esta ordem:

  1. separe uma pasta por requerente, com o formulário na frente;
  2. ponha os documentos gerais na ordem da lista do MNE;
  3. junte os documentos do empreendedor na pasta do requerente principal;
  4. confira as datas de validade do registo criminal e das certidões;
  5. faça uma cópia simples de tudo e guarde-a com você.

Se você também avalia o visto para quem vive de rendimentos, compare com os documentos do visto D7. Para entregar a pasta revisada por um advogado, a equipe do escritório pode ajudar desde a primeira análise.

Este texto faz parte do guia completo do visto D2 Portugal. Se o seu próximo passo for outro, veja também requisitos do visto D2 e como pedir o visto D2 na VFS Global, escritos com a mesma base nas fontes oficiais.

Perguntas frequentes

A seguir, respondemos às dúvidas mais comuns sobre os documentos do visto D2.

Quais são os documentos para o visto D2?

Formulário, duas fotografias, passaporte válido, PB4 ou seguro de viagem, registo criminal com Apostila, prova de meios de subsistência, alojamento, reserva de viagem e a declaração de investimento com os seus comprovativos.

O brasileiro precisa de seguro de viagem para o D2?

Não obrigatoriamente. O MNE indica que o seguro é dispensável quando há acordo bilateral, como no caso do Brasil, com o certificado PB4. Quem não tiver o PB4 a tempo pode entregar um seguro de viagem.

O registo criminal precisa de Apostila?

Sim. O MNE pede o registo criminal do país de origem ou onde você mora há mais de um ano, com a Apostila da Haia. Peça-o perto da entrega, porque a certidão tem validade curta.

A família entrega os mesmos documentos?

Cada familiar entrega a documentação geral e mais dois papéis: a prova dos laços familiares, com Apostila, e a prova de recursos estáveis para todos, pelo período da estada ou por 12 meses.

Preciso ter a empresa aberta para entregar os documentos?

Não. A lei aceita quem já investiu e quem prova meios financeiros em Portugal e a intenção de investir. Nesse caso, a declaração de investimento precisa estar bem descrita e identificada.

Rodrigo Maranhão, advogado

Quem escreve

Rodrigo Maranhão

Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.

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Do NIF à autorização de residência na AIMA, com advogados inscritos em Portugal e no Brasil e escritório em Lisboa a acompanhar o seu processo.

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Fontes oficiais consultadas

  • MNE, Documentação instrutória dos vistos nacionais (consultado em 25/10/2026)
  • MNE, Tipo de visto (consultado em 25/10/2026)
  • gov.pt, Pedir visto de residência para imigrantes empreendedores (consultado em 25/10/2026)
  • AIMA, Meios de subsistência (consultado em 25/10/2026)
  • Portaria n.º 1563/2007, de 11 de dezembro (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)
  • DGERT, Retribuição mínima mensal garantida para 2026 (consultado em 25/10/2026)
  • Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, versão consolidada (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)

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