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Na dúvida entre D2 ou D7, o empresário precisa olhar para uma coisa: de onde vem a renda que vai sustentar a vida em Portugal. Neste guia, você vê quando cada visto faz sentido, o que cada um pede e como decidir antes do pedido.
Se você quer apoio jurídico do início ao fim, conheça a assessoria para vistos de Portugal do nosso escritório em Lisboa.
Assessoria jurídica
D2 ou D7: qual é o seu caso?
A equipe olha para a sua empresa, a sua renda e o seu plano em Portugal e indica o visto mais coerente.
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ToggleD2 ou D7: qual a diferença para o empresário?
Os dois são vistos de residência e levam a uma autorização de residência em Portugal. A diferença está na razão do pedido: o D7 se apoia numa renda que você já tem, e o D2 se apoia num negócio ou investimento em Portugal.
O D7 em poucas palavras
O D7 é o visto de quem vive de rendimentos próprios, como aposentadorias, aluguéis, aplicações e lucros de empresas. Para o empresário, a empresa continua no Brasil e os lucros distribuídos sustentam a vida em Portugal.
O D2 em poucas palavras
O D2 é o visto do artigo 60.º da Lei 23/2007, para atividade profissional independente ou para imigrantes empreendedores. Nele, o projeto em Portugal é a razão do pedido, e não a renda que vem de fora.
O que os dois têm em comum
Nos dois casos, o visto serve para entrar em Portugal e pedir a autorização de residência na AIMA. A primeira autorização vale dois anos e é renovável por períodos de três anos, e o titular tem os mesmos direitos do artigo 83.º.
Por isso, a escolha não muda o que você poderá fazer depois de instalado. Muda a prova que você leva ao consulado e a história que o pedido conta sobre a sua vida em Portugal.
Resumo: D7 e D2 lado a lado
A tabela junta as regras oficiais que mais pesam na escolha do empresário:
| Tema | D7 | D2 |
|---|---|---|
| Base do pedido | Renda própria | Negócio ou investimento em Portugal |
| Empresa no Brasil | Pode ser a fonte da renda | Não é a razão do pedido |
| Prova principal | Rendimentos e disponibilidade em Portugal | Investimento feito ou meios em Portugal |
| Meios de subsistência | Mínimo de €920 por mês em 2026 | Mesma tabela, por 12 meses |
| Trabalhar em Portugal | Permitido com a residência | É o objetivo do visto |
As regras estão na Lei 23/2007, na Portaria 1563/2007 e na página de documentação instrutória do MNE. O valor de €920 é a retribuição mínima mensal garantida de 2026, segundo a DGERT.
Quando o D7 é o melhor caminho?
O D7 costuma ser o caminho mais simples para o empresário que já tem uma empresa sólida no Brasil e não precisa de um negócio português para viver. A análise do pedido gira em torno da renda e da prova dessa renda.
A empresa no Brasil dá lucro estável
Se a sua empresa distribui lucros com regularidade e o valor líquido cobre o mínimo da família, o D7 aproveita o que você já tem. Você não precisa montar um projeto de investimento nem provar que vai criar algo em Portugal.
A pasta do D7 também tende a ser mais simples de montar. Os documentos já existem na contabilidade da empresa e na sua declaração de imposto, e o trabalho é organizar tudo para que os valores batam entre si.
Você quer chegar sem pressa
Muitos empresários querem primeiro morar em Portugal, conhecer o mercado e só depois pensar num negócio local. Com a autorização de residência do D7, o artigo 83.º garante o direito ao trabalho independente, e isso deixa a porta aberta.
Para entender todos os requisitos do D7 do empresário, veja o guia completo do visto D7, com a lista do que o consulado pede.
Quando o D2 faz mais sentido?
O D2 faz sentido quando o seu plano é empreender em Portugal e viver desse negócio. Se o sustento da família vai depender do projeto português desde o início, o D2 é o visto que descreve a sua situação real.
O negócio português é o plano
Quem vai abrir uma empresa em Portugal, comprar um negócio ou investir numa atividade local tem no D2 o caminho natural. O pedido mostra o investimento e o que você pretende fazer com ele no país.
A renda do Brasil não basta
Se a empresa no Brasil não distribui lucros regulares, ou se o valor líquido não cobre o mínimo da família, o D7 fica difícil. Nesse caso, o D2 pode ser a alternativa, desde que haja um projeto real em Portugal.
O que o D7 pede ao empresário
Para quem vive de rendimentos próprios, o MNE pede a prova de rendimentos de bens móveis ou imóveis, de propriedade intelectual ou de aplicações financeiras. Pede também a prova da disponibilidade desses rendimentos em Portugal.
A prova da renda
Para o empresário, a prova costuma juntar contrato social, demonstrações da empresa, ata de distribuição de lucros, declaração do imposto de renda e extratos. A lista de documentos do visto D7 mostra a pasta completa.
O imposto sobre os lucros
Desde 2026, a Lei 15.270/2025 manda reter 10% na fonte sobre lucros e dividendos remetidos a quem mora no exterior. Faça a conta do mínimo com o valor que fica com você depois desse desconto.
O que o D2 pede ao empresário
O artigo 60.º, n.º 2, da Lei 23/2007 dá o visto ao imigrante empreendedor que quer investir em Portugal. Ele pode se apoiar num investimento já feito, em meios financeiros disponíveis em Portugal ou num projeto em incubadora certificada.
Os documentos do imigrante empreendedor
Na página de documentação instrutória da residência, o MNE pede ao imigrante empreendedor:
- Declaração de que realizou ou pretende realizar um investimento em Portugal, com a natureza, o valor e a duração.
- Comprovativo de que já fez operações de investimento.
- Ou comprovativo de meios financeiros disponíveis em Portugal e da intenção de investir, com o investimento descrito.
A declaração do investimento é o centro do pedido. Ela precisa dizer com clareza a natureza, o valor e a duração do investimento, e os outros documentos devem confirmar o que ela descreve, como contratos, extratos e registos da empresa portuguesa.
O caminho da Startup Visa
Para projetos de base inovadora, existe o programa Startup Visa. O MNE pede uma declaração do IAPMEI que comprove o contrato de incubação com uma incubadora certificada, conforme o Despacho Normativo 4/2018.
A atividade independente
O mesmo artigo 60.º também cobre a atividade profissional independente, com contrato ou proposta de prestação de serviços em profissões liberais. Esse caminho é de quem vai trabalhar por conta própria, e não do empresário que investe.

Os meios de subsistência em cada visto
A Portaria 1563/2007 usa a mesma tabela para os dois vistos. O primeiro adulto vale 100% da retribuição mínima, o segundo adulto vale 50% e cada filho menor ou a cargo vale 30%. Em 2026, isso dá €920 por mês para uma pessoa.
Com essas percentagens, um casal precisa de €1.380 por mês e um casal com dois filhos chega a €1.932. Os valores são líquidos de quotizações para a segurança social, como diz o artigo 2.º da Portaria.
No D7
O artigo 5.º, n.º 6, da Portaria pede meios assegurados por pelo menos 12 meses para o visto de residência. Para o empresário do D7, isso significa lucros que se repetem ao longo do ano, e não um pico isolado.
No D2
O artigo 5.º, n.º 2, da Portaria pede a quem pretende investir em Portugal meios de subsistência assegurados por pelo menos 12 meses. Ou seja, além do investimento, você precisa mostrar como vai se sustentar até o negócio dar retorno.
Atenção: no D2, o dinheiro do investimento e o dinheiro para viver são coisas diferentes. Não conte o mesmo valor duas vezes, porque o consulado vai olhar para os dois de forma separada.
Posso pedir o D7 e abrir empresa em Portugal depois?
Pode. Com a autorização de residência, o artigo 83.º da Lei 23/2007 garante o direito ao trabalho subordinado e independente. O D7 não impede você de abrir uma empresa em Portugal depois de instalado.
O cuidado na renovação
Para renovar a autorização, o artigo 78.º pede meios de subsistência, alojamento, obrigações fiscais e de segurança social em dia e ausência de condenação a pena superior a um ano. A renda portuguesa também conta, desde que bem documentada.
Peça a renovação até 30 dias antes do fim da validade, como manda o artigo 78.º. Leve os comprovantes de renda dos últimos meses, sejam lucros que chegam do Brasil ou resultados da empresa portuguesa, com os impostos em dia.
O negócio que cresce
Se o negócio português passar a ser a sua principal renda, isso não é um problema em si. O que importa é que cada renovação mostre meios de subsistência suficientes, venham eles do Brasil ou de Portugal.
Assessoria jurídica
Advogados em Portugal para o seu visto
Do pedido no consulado à autorização de residência na AIMA, você recebe orientação jurídica em cada etapa.
Quero apoio no meu vistoE a família do empresário?
Nos dois vistos, o cônjuge e os filhos podem ir junto ou depois, pelo reagrupamento familiar. O que muda é de onde vem a renda que cobre o mínimo da família inteira.
A família no D7
No D7, os lucros da empresa no Brasil precisam cobrir o mínimo de todos, com 50% para o segundo adulto e 30% para cada filho menor ou a cargo. Se o cônjuge também tem renda própria, ela pode entrar na conta.
A família no D2
No D2, os meios de 12 meses precisam cobrir a família, além do investimento. O guia do reagrupamento familiar em Portugal explica as formas de levar a família em cada caso.
E se eu já tiver os dois perfis?
Muitos empresários têm uma empresa lucrativa no Brasil e também querem investir em Portugal. Nesse caso, a escolha do visto depende do que vai sustentar a família no primeiro ano e de qual prova é mais forte hoje.
Quando ficar com o D7
Se os lucros do Brasil já cobrem o mínimo com folga, o D7 costuma ser o pedido mais simples. Na prática do escritório, eu vejo empresários que pedem o D7 e só montam o negócio português depois da mudança.
Quando ir de D2
Se o investimento em Portugal é grande e já está decidido, o D2 descreve melhor o seu plano. Nesse caso, a renda do Brasil pode ajudar a provar os meios de subsistência dos primeiros 12 meses.
Antes de decidir, separe no papel o valor que vai para o negócio português e o valor que vai sustentar a família. Essa separação mostra se o D2 fica de pé sozinho ou se o D7 é mais seguro.
Atenção: o visto deve contar a sua história real. Um pedido de D7 com um plano de negócio grande em Portugal, ou um D2 sem investimento concreto, gera perguntas no consulado.
Como decidir entre D2 ou D7
Responda a estas perguntas, nesta ordem, antes de escolher o visto:
- A sua empresa no Brasil distribui lucros com regularidade?
- O lucro líquido, em euros, cobre o mínimo da sua família?
- Você vai precisar de um negócio português para viver no primeiro ano?
- Já tem um investimento feito ou decidido em Portugal?
- Tem meios para viver 12 meses sem depender do negócio novo?
Se as duas primeiras respostas forem sim e a terceira for não, o D7 tende a ser o caminho. Se a quarta for sim e o negócio português for o plano, olhe para o guia do visto para empreendedores e autônomos.
Se as respostas ficarem divididas, vale fazer a conta com o contador antes de decidir. O lucro líquido do Brasil, o valor do investimento e o custo de vida da família em Portugal dizem qual pedido fica mais forte.

Erros comuns na escolha entre D2 ou D7
Estes são os erros que mais complicam o pedido de quem tem empresa e precisa escolher:
- Pedir o D2 sem um investimento concreto em Portugal.
- Pedir o D7 com lucros irregulares ou abaixo do mínimo.
- Contar o dinheiro do investimento como meio de subsistência.
- Esquecer a retenção de 10% sobre os lucros de quem mora fora.
- Escolher o visto sem pensar na primeira renovação.
Os dois vistos levam à mesma autorização de residência. Antes de abrir contas, veja como obter o NIF em Portugal e, a longo prazo, a nacionalidade portuguesa por tempo de residência.
Perguntas frequentes
A seguir, as respostas às dúvidas mais comuns de quem tem empresa e está entre o D2 ou o D7.
Qual a diferença entre o D2 e o D7?
O D7 se apoia numa renda que você já tem, como os lucros da empresa no Brasil. O D2 se apoia num negócio ou investimento em Portugal. Os dois levam a uma autorização de residência.
O empresário com empresa no Brasil deve pedir o D7?
Se a empresa distribui lucros regulares e o valor líquido cobre o mínimo da família, o D7 costuma ser o caminho mais simples. Você não precisa de um projeto de investimento em Portugal.
Quando o D2 é melhor que o D7?
Quando o plano é empreender em Portugal e viver desse negócio, ou quando a renda do Brasil não cobre o mínimo. O D2 pede um investimento feito ou meios financeiros em Portugal com a intenção de investir.
Com o D7 posso abrir empresa em Portugal?
Pode. O artigo 83.º da Lei 23/2007 garante ao titular da autorização de residência o direito ao trabalho independente. Na renovação, os meios de subsistência podem vir do Brasil ou de Portugal.
Quanto preciso ter para o D2?
Além do investimento, a Portaria 1563/2007 pede a quem vai investir meios de subsistência para pelo menos 12 meses, com a mesma tabela do D7: €920 por mês para uma pessoa em 2026.
Posso trocar o D7 pelo D2 depois?
Com a residência do D7 você já pode trabalhar e empreender em Portugal, então muitas vezes não é preciso trocar de visto. O que pesa é mostrar meios de subsistência em cada renovação.

Quem escreve
Rodrigo Maranhão
Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.
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Do plano de negócio à residência em Portugal
Cuidamos do visto e da residência e ajudamos a montar a prova da renda ou do investimento.
Falar sobre a minha mudançaFontes oficiais consultadas
- Documentação instrutória dos vistos de residência — MNE (consultado em 25/10/2026)
- Meios de subsistência dos vistos nacionais — MNE (consultado em 25/10/2026)
- Lei n.º 23/2007 (Lei de Estrangeiros), texto consolidado — PGDL (consultado em 25/10/2026)
- Lei n.º 23/2007 (Lei de Estrangeiros), versão consolidada — Diário da República (consultado em 25/10/2026)
- Portaria n.º 1563/2007 (meios de subsistência), texto publicado — Diário da República (consultado em 25/10/2026)
- Retribuição mínima mensal garantida para 2026 — DGERT (consultado em 25/10/2026)
- Lei n.º 15.270/2025 (tributação de lucros e dividendos) — Planalto (consultado em 25/10/2026)