Rodrigo Maranhão
Por Rodrigo MaranhãoAdvogado em Lisboa · Atualizado em 25/10/2026
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Quem tem uma proposta de trabalho em Portugal costuma ficar entre a euforia e a dúvida. Antes de aceitar, pedir demissão ou comprar passagem, há uma ordem certa de passos até o visto, e saltar algum pode sair caro.

Assessoria jurídica

Recebeu uma proposta de trabalho em Portugal?

A equipe avalia a proposta, confere a empresa e indica o visto e os documentos certos para o seu caso, antes de você pedir demissão ou gastar com a mudança.

Contratar análise da proposta

O que fazer quando recebe uma proposta de trabalho em Portugal?

O primeiro passo é não decidir por impulso. Uma proposta é o começo do processo, não o fim. Entre o e-mail da empresa e o primeiro dia de trabalho em Portugal, há um visto para pedir no Brasil e alguns meses de preparação.

Para trabalhar como empregado de uma empresa portuguesa, você precisa do visto de residência para atividade profissional subordinada, conhecido como visto D1. É pedido no consulado português, antes da viagem, com o documento da empresa.

Não peça demissão já

Mantenha o seu emprego no Brasil até ter o visto na mão. O visto pode levar até 60 dias para ser decidido depois do pedido completo, e o tempo de juntar documentos e conseguir agendamento soma-se a esse prazo.

A ordem dos passos

Primeiro, confirme que a proposta é real. Depois, avalie o salário e as condições, peça o documento certo à empresa, escolha o visto, junte os documentos e só então marque o atendimento. A tabela a seguir resume cada passo.

Resumo: o passo a passo depois da proposta

A tabela mostra a sequência que eu recomendo a quem acabou de receber uma proposta. Cada passo é explicado nas secções seguintes, com o que você faz e o que cabe à empresa.

PassoO que fazerQuem faz
1. Confirmar a propostaVerificar a empresa e quem fez o contactoVocê
2. Avaliar o salárioFazer as contas do líquido e do custo de vidaVocê
3. Conferir as condiçõesTipo de contrato, horário, local e data de inícioVocê e a empresa
4. Pedir o documentoPromessa de contrato ou contrato assinadoA empresa
5. Escolher o vistoD1, D3 ou outro, conforme a função e o salárioVocê, com apoio jurídico
6. Juntar os documentosRegisto criminal, apostilas e papéis da famíliaVocê
7. Pedir o vistoAtendimento na VFS ou no posto consularVocê

Os passos 1 a 4 decidem se vale a pena seguir. Só depois do documento assinado faz sentido gastar com certidões, apostilas e agendamento, porque sem ele não existe pedido de visto D1.

A proposta de trabalho é verdadeira?

Há quem use falsas propostas de trabalho em Portugal para tirar dinheiro de brasileiros. O padrão repete-se: uma vaga fácil, um salário atraente e, pouco depois, um pedido de pagamento para «garantir» o lugar ou tratar do visto.

Antes de responder, confira estes pontos:

  • a empresa tem nome completo, NIF e morada que você consegue verificar;
  • a atividade da empresa tem ligação com a função oferecida;
  • houve entrevista, de preferência por vídeo, com uma pessoa identificada;
  • ninguém pediu dinheiro para a vaga, para a promessa ou para o visto;
  • o salário é compatível com a função e com a sua experiência.

Como verificar a empresa

Pesquise o nome e o NIF da empresa, o site, a morada no mapa e as avaliações de antigos trabalhadores. Peça o nome e o cargo de quem vai ser o seu responsável e desconfie de quem só fala por mensagem.

Agências de recrutamento

As agências privadas de colocação não podem cobrar ao candidato pela colocação. O IEFP mantém o registo nacional das agências, e uma agência fora desse registo, ou que pede pagamento, é motivo para parar.

Como avaliar o salário da proposta?

Em Portugal, as propostas costumam indicar o salário bruto mensal. O valor que chega à sua conta é menor, porque saem os descontos para a segurança social e a retenção de imposto, conforme o salário e a situação familiar.

Bruto e líquido

O trabalhador desconta 11 % do salário bruto para a segurança social. A retenção de IRS depende do valor e do agregado familiar. Peça à empresa uma estimativa do líquido, ou faça a simulação antes de aceitar.

Catorze salários por ano

Em regra, o trabalhador recebe catorze pagamentos por ano: doze salários e os subsídios de férias e de Natal. Ao comparar com o Brasil, confirme na proposta se o valor anual inclui esses subsídios ou se foi dividido por doze meses.

O salário chega para viver?

O salário mínimo em 2026 é de 920 € brutos por mês para tempo inteiro. Em Lisboa e no Porto, a renda pesa muito. A lista de cidades baratas para viver em Portugal e o texto sobre se vale a pena morar em Portugal ajudam a fazer as contas.

Que condições conferir na proposta?

Além do salário, a proposta deve deixar claras as condições do emprego. São elas que vão aparecer na promessa de contrato e, depois, no contrato definitivo assinado em Portugal.

Tipo de contrato

O contrato pode ser sem termo ou a termo, com duração limitada. Um contrato sem termo dá mais estabilidade para a autorização de residência e para a família. Se for a termo, pergunte a duração e se há perspetiva de renovação.

Horário, local e funções

Confira o período normal de trabalho por semana, o local, os turnos e as funções. Uma proposta vaga sobre as funções pode esconder um trabalho diferente do combinado, e esses dados fazem falta no pedido de visto.

Período experimental

A maioria dos contratos começa com um período experimental, em que qualquer das partes pode terminar o contrato com regras mais simples. A duração depende do tipo de contrato e da função, por isso pergunte à empresa qual será no seu caso.

Pessoa a ler uma proposta de trabalho de Portugal no portátil
Antes de responder à empresa, confira se a proposta é real e se o salário chega para a mudança.

Que documento pedir à empresa?

Para o visto D1, a lei de estrangeiros aceita três documentos: contrato de trabalho, promessa de contrato de trabalho ou manifestação individualizada de interesse do empregador. Sem um deles, não existe pedido.

O mais usado é a promessa de contrato de trabalho, porque liga o início do trabalho à concessão do visto. O Código do Trabalho exige forma escrita, identificação e assinaturas das partes, a vontade clara de contratar, a função e o salário.

Para o consulado, a promessa deve trazer também o NIF e a sede da empresa, o local, o horário e a data de início. Temos um texto próprio só sobre o que a promessa precisa ter, com os erros que mais atrasam o visto.

Muitas empresas portuguesas nunca contrataram alguém de fora e não sabem que documento enviar. Explicar isso com clareza, ou pedir que um advogado fale com a empresa, costuma destravar a contratação.

Peça também que o documento venha assinado por quem tem poderes para obrigar a empresa, como um gerente ou administrador. Uma assinatura de alguém sem esses poderes pode levantar dúvidas no consulado e obrigar a refazer o documento.

Qual visto pedir com a proposta?

Com uma proposta de emprego por conta de outrem, o caminho normal é o visto D1. Mas há casos em que outro visto encaixa melhor, conforme a função, o salário e o tipo de empregador.

Visto D1

Serve para qualquer função subordinada, qualificada ou não, desde que exista o documento da empresa e os meios de subsistência. É pedido no consulado e dá direito a pedir a autorização de residência na AIMA depois da chegada.

Visto D3 para funções qualificadas

Para funções altamente qualificadas, com formação superior e salário mais alto, o visto D3 pode ser mais vantajoso. O guia do visto D3 para profissionais qualificados explica quando compensa.

Trabalho remoto para empresa estrangeira

Se a proposta é de uma empresa de fora de Portugal, para trabalhar à distância, o D1 não serve. Nesse caso, o caminho é outro, explicado no guia do visto para nómada digital.

A sua profissão é regulamentada em Portugal?

Algumas profissões só podem ser exercidas em Portugal com inscrição numa ordem profissional ou autorização própria. É o caso, por exemplo, de enfermagem, medicina, engenharia, advocacia e arquitetura.

Se a sua função é regulamentada, o MNE pede no pedido de visto o comprovativo de habilitação para a profissão. Esse reconhecimento leva meses e depende de cada ordem, por isso deve começar assim que a proposta parecer firme.

Se a função não é regulamentada, como a maior parte dos empregos em hotelaria, construção, comércio e serviços, não há esse passo. Basta o documento da empresa e os restantes documentos gerais do visto.

Na dúvida, pergunte à empresa se a função exige inscrição numa ordem ou certificação própria em Portugal. Algumas funções técnicas, como a condução profissional ou certas áreas da saúde, têm regras específicas que convém conhecer antes de aceitar.

E se a família for junto?

O cônjuge e os filhos podem pedir o visto ao mesmo tempo que você, como acompanhantes. A lei de estrangeiros permite o pedido conjunto, e cada familiar entrega os seus documentos e a prova dos laços familiares.

O salário precisa cobrir todos

Os meios de subsistência são calculados para todo o agregado. Um salário perto do mínimo pode não chegar para a família, e pode ser preciso juntar extratos com uma reserva ou negociar um valor mais alto antes de aceitar.

Escola, casa e saúde

Com filhos, a escolha da cidade depende da escola e da renda. O guia sobre morar em Portugal com família ajuda a planear. Se a família for depois, o caminho passa pelo reagrupamento familiar.

Calçada portuguesa no Rossio, em Lisboa
Entre a proposta e a chegada, o visto D1 leva alguns meses de preparação.

Quando marcar o atendimento e a data de início?

O atendimento só deve ser marcado quando o documento da empresa estiver assinado e os documentos estiverem quase prontos. Marcar antes, com papéis em falta, costuma obrigar a remarcar e a perder semanas.

Data de início realista

Combine com a empresa uma data de início ligada à concessão do visto, e não uma data fixa próxima. Entre juntar documentos, agendar e esperar a decisão, o processo leva alguns meses, e a empresa precisa saber disso desde o início.

Depois do visto

O visto de residência vale quatro meses e permite duas entradas. Já em Portugal, você assina o contrato definitivo e pede a autorização de residência na AIMA. O texto sobre o NIF em Portugal ajuda nos primeiros passos.

Assessoria jurídica

Da proposta ao visto com advogados

Revemos a proposta e a promessa de contrato, organizamos os documentos do Brasil e os vistos da família e acompanhamos o pedido no consulado.

Quero assessoria jurídica

Que erros evitar depois da proposta?

Os erros mais caros acontecem nas primeiras semanas, com a pressa de aproveitar a oportunidade. Quase todos se evitam com calma e com a ordem certa dos passos.

Os que eu mais vejo são estes:

  • pagar a alguém para garantir a vaga, a promessa ou o visto;
  • pedir demissão no Brasil antes de ter o visto concedido;
  • viajar como turista para começar a trabalhar e tratar do visto depois;
  • aceitar um salário que não cobre os meios de subsistência da família.

Atenção: a isenção de visto para brasileiros serve para turismo e estadias curtas, não para trabalhar. Para ser contratado por uma empresa portuguesa, o caminho do D1 começa no consulado, ainda no Brasil.

Outro erro comum é aceitar uma proposta sem nada por escrito. Uma conversa por mensagem não serve para o visto nem protege você se a empresa mudar de ideia; peça sempre o documento assinado.

Por último, evite gastar com passagens, casa ou contentores antes de o visto ser concedido. Reservas reembolsáveis e um plano para os primeiros meses dão margem se a decisão demorar ou se o consulado pedir algum documento adicional.

Quando contratar a assessoria?

O melhor momento é logo depois da proposta, antes de aceitar formalmente. A análise jurídica nessa fase evita que você assine um documento incompleto, escolha o visto errado ou gaste com certidões antes da hora.

O que o escritório faz

Avaliamos a proposta e a empresa, indicamos o visto certo, revemos a promessa de contrato e organizamos os documentos do Brasil e da família. Também falamos com a empresa, quando ela não sabe que documento enviar.

Para quem faz mais diferença

A assessoria pesa mais quando a família vai junto, quando a profissão é regulamentada ou quando a empresa nunca contratou estrangeiros. Veja como funciona a assessoria jurídica e contrate a análise da sua proposta.

Atenção: ninguém pode garantir a concessão do visto. Quem decide é o posto consular português, e qualquer promessa de visto garantido, mediante pagamento, é sinal de alerta.

Leia também: o guia completo do visto de trabalho para Portugal, com o caminho do contrato ao visto, e o texto sobre promessa de contrato de trabalho.

Perguntas frequentes

A seguir, respondemos às dúvidas mais comuns de quem recebeu uma proposta de trabalho em Portugal.

Recebi uma proposta de trabalho em Portugal. O que faço primeiro?

Confirme que a proposta é real, verificando a empresa e quem fez o contacto. Depois avalie o salário e as condições e peça à empresa uma promessa de contrato assinada, antes de gastar com documentos.

Posso ir para Portugal como turista e trabalhar com a proposta?

Não. A isenção de visto para brasileiros serve para turismo e estadias curtas. Para trabalhar como empregado de uma empresa portuguesa, você deve pedir o visto D1 no consulado, ainda no Brasil.

Que documento a empresa precisa enviar para o visto?

Um contrato de trabalho, uma promessa de contrato de trabalho ou uma manifestação individualizada de interesse. O mais usado é a promessa, que liga a data de início à concessão do visto.

A empresa pode cobrar pelo visto ou pela vaga?

Desconfie de qualquer pedido de pagamento para garantir a vaga ou o visto. As agências privadas de colocação não podem cobrar ao candidato, e o IEFP mantém o registo das agências autorizadas.

Quanto tempo depois da proposta posso começar a trabalhar?

Depende da preparação dos documentos, do agendamento e da decisão do consulado, que tem até 60 dias após o pedido completo. Combine com a empresa uma data de início ligada à concessão do visto.

Devo pedir demissão no Brasil depois da proposta?

Não antes de ter o visto concedido. O processo leva alguns meses e depende da decisão do consulado. Pedir demissão cedo demais pode deixar você sem rendimento durante a espera.

Rodrigo Maranhão, advogado

Quem escreve

Rodrigo Maranhão

Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.

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Assessoria completa para o visto de trabalho

Análise da proposta, pedido no consulado, vistos da família e acompanhamento na AIMA, com advogados inscritos em Portugal e no Brasil e escritório em Lisboa.

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Fontes oficiais consultadas

  • Lei n.º 23/2007 — lei de estrangeiros, versão consolidada (arts. 52.º, 58.º e 59.º) — Diário da República (consultado em 25/10/2026)
  • Documentação instrutória — vistos de residência — Ministério dos Negócios Estrangeiros (consultado em 25/10/2026)
  • Código do Trabalho, art. 103.º (promessa de contrato de trabalho) — Diário da República (consultado em 25/10/2026)
  • Decreto-Lei n.º 260/2009 — agências privadas de colocação — Diário da República (consultado em 25/10/2026)
  • Decreto-Lei n.º 139/2025 — retribuição mínima mensal garantida para 2026 — Diário da República (consultado em 25/10/2026)

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