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A residência não lucrativa com família cobre o cônjuge ou parceiro e os filhos. Os pais do titular não entram como familiares pelo Real Decreto 1155/2024. Veja quem pode ir junto, quanto custa cada um e o caminho para os pais.
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Assessoria jurídica
O pedido da sua família montado do jeito certo
A equipe confere quem da sua família pode entrar como familiar, calcula os meios de cada um e organiza as certidões para o consulado.
Quero a análise da minha famíliaConteúdo
ToggleQuem é familiar na residência não lucrativa?
O artigo 61.3 do Real Decreto 1155/2024 diz quem conta como familiar nessa autorização. A lista é fechada e tem três grupos: o cônjuge ou parceiro, os filhos menores e os filhos maiores que dependem do titular por deficiência ou saúde.
O que mudou com o novo regulamento
O regulamento novo está em vigor desde 20 de maio de 2025. Ele definiu, dentro do próprio capítulo da residência não lucrativa, quem é familiar, e essa definição não inclui ascendentes. É a regra que vale hoje para os pedidos feitos nos consulados.
O que dizem os consulados
As páginas dos consulados da Espanha em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre, lidas em outubro de 2026, listam só o cônjuge ou parceiro e os filhos. Nenhuma delas inclui os pais do titular.
Resumo: quem entra e quanto custa
A tabela resume quem pode ir junto e quanto cada pessoa soma aos meios exigidos, com o IPREM de €600 de 2026. Cada familiar acrescenta €600 por mês ao valor do titular:
| Quem | Entra como familiar? | Soma por mês | Soma no 1.º ano |
|---|---|---|---|
| Cônjuge ou parceiro | Sim | €600 | €7.200 |
| Filho menor não casado | Sim | €600 | €7.200 |
| Filho maior com deficiência ou dependente por saúde | Sim | €600 | €7.200 |
| Pai ou mãe do titular | Não | Pedido próprio | €28.800 cada |
O titular parte de €2.400 por mês, ou €28.800 no primeiro ano. A tabela completa por tamanho de família está no texto sobre o valor da residência não lucrativa.
O cônjuge e o parceiro
Se você é casado, o cônjuge entra com a certidão de casamento. O parceiro também entra, desde que a união esteja registrada ou provada como estável, segundo o artigo 61.3.a do regulamento. Não é preciso estar casado no papel.
Como provar a união estável
O regulamento pede um vínculo duradouro. Ele considera esse vínculo provado quando o casal mostra pelo menos um ano seguido de convivência. Se o casal tem filhos em comum, basta provar que vive junto de forma estável, sem o prazo de um ano.
A escritura pública de união estável ajuda, mas a convivência também se prova com contas no mesmo endereço, contrato de aluguel em nome dos dois e outros documentos que mostrem a vida em comum ao longo do tempo:
- Escritura de união estável ou registro da união.
- Comprovantes de endereço em nome dos dois, de datas diferentes.
- Contrato de aluguel ou escritura de imóvel em comum.
- Certidão de nascimento dos filhos em comum, se houver.
Casamento recente
Se você casou há pouco tempo, o seu cônjuge entra como tal, sem prazo mínimo de casamento. O prazo de um ano de convivência só aparece para a pareja estable que não tem registro. Por isso, a certidão de casamento é o caminho mais direto.
Quais filhos podem ir junto?
Entram os seus filhos menores de idade que não sejam casados nem tenham formado a sua própria família. O artigo 61.3.b inclui os filhos do titular e também os filhos do cônjuge ou parceiro, o que cobre enteados de casamentos anteriores.
Filhos maiores de idade
Os filhos maiores só entram em dois casos: se têm uma deficiência que exige apoio ou se não conseguem prover às próprias necessidades por causa do estado de saúde. Um filho adulto saudável, mesmo que estude e dependa dos pais, não entra como familiar.
Filho adulto que quer ir junto
O filho maior que não se encaixa nesses casos pode fazer o seu próprio pedido de residência não lucrativa, com os seus meios, ou procurar outra autorização, como a de estudos. Cada caminho tem regras e valores próprios que precisam ser analisados.
Filhos de um casamento anterior
Quando o filho vem de outra união, vale pedir a autorização do outro genitor para a mudança, ou a decisão judicial sobre a guarda. Essa é uma cautela prática de documentação, para que a saída do filho do Brasil não seja questionada depois.
Os pais do titular podem ir junto?
Não como familiares da residência não lucrativa. O artigo 61.3 não inclui ascendentes, e por isso os pais do titular não entram no mesmo pedido. Muitos textos ainda dizem o contrário, mas essa informação não bate com o regulamento em vigor nem com as páginas atuais dos consulados.
Isso não quer dizer que os seus pais não possam morar na Espanha. Eles têm dois caminhos, e a escolha depende da renda deles, da idade e de quanto tempo a família pode esperar. Eu costumo fazer a conta dos dois antes de decidir:
- Um pedido próprio de residência não lucrativa, feito por cada pai ou pela mãe como titular.
- A reagrupação familiar, pedida pelo filho quando ele tiver a residência de longa duração.
Atenção: desconfie de quem promete incluir os pais no pedido da residência não lucrativa como familiares. Pelo regulamento atual, um pedido assim tende a ser recusado na parte dos pais, e você perde tempo e taxas.

Como funciona o pedido próprio dos pais?
Cada pai ou mãe pode pedir a sua própria residência não lucrativa, como titular. Nesse caso, a regra do valor é a do titular: €2.400 por mês, ou €28.800 no primeiro ano. Se os pais são casados entre si, um é titular e o outro entra como cônjuge.
Um casal de pais aposentados
Um casal de pais aposentados que pede como titular e cônjuge precisa de €3.000 por mês, ou €36.000 no primeiro ano. É a mesma conta de qualquer casal, e as aposentadorias dos dois podem ser somadas para chegar ao mínimo.
Quando os pais são aposentados do INSS, a renda deles costuma ser o ponto de partida. O texto sobre o aposentado do INSS na Espanha mostra que documento usar e como completar a renda com saldo.
Os pais podem usar o dinheiro do filho?
O regulamento pede que o titular conte com meios suficientes, e a prova mais segura é a que está em nome do próprio titular. Um saldo dos filhos colocado na conta dos pais pouco antes do pedido pode levantar perguntas no consulado sobre a origem e a disponibilidade do dinheiro.
E a reagrupação dos pais mais tarde?
A reagrupação dos ascendentes é um procedimento diferente, regulado nos artigos 66 a 68. Ela permite trazer os pais do titular, ou os pais do cônjuge, quando estão a cargo dele, têm mais de 65 anos e há razões que justifiquem a residência na Espanha.
Quando se pode pedir
A Lei Orgânica 4/2000, no artigo 18.1, e o artigo 68.1.a do regulamento só permitem reagrupar ascendentes quando o titular já tem, ou já pediu, a residência de longa duração. Essa residência exige cinco anos contínuos de residência legal na Espanha.
Os valores da reagrupação
Na reagrupação, a conta é outra: o artigo 67 pede 150% do IPREM para a unidade de duas pessoas e mais 50% para cada membro adicional. Nesse procedimento, pensões e salários contam pelo valor bruto, com a parte das pagas extras.
A exceção abaixo dos 65 anos
O artigo 66.1.e admite, de forma excepcional, a reagrupação de ascendentes com menos de 65 anos quando há razões humanitárias. É uma exceção analisada caso a caso, sem garantia de aplicação, e não deve ser o plano principal da família.
Que documentos cada familiar precisa?
Cada familiar faz o seu próprio pedido no consulado, ligado ao seu, que é o do titular. Além dos documentos pessoais, cada um precisa provar o parentesco com o titular por certidões brasileiras apostiladas e traduzidas para o espanhol, como pedem os consulados.
Os documentos pessoais
Cada familiar apresenta o passaporte com mais de um ano de validade, o seguro de saúde que cubra todos os riscos do sistema público e o formulário da taxa 790-052. Os adultos apresentam também os antecedentes criminais dos últimos cinco anos e o atestado médico.
As certidões de parentesco
O cônjuge apresenta a certidão de casamento, e o parceiro, a prova da união. Os filhos apresentam a certidão de nascimento. Para os filhos maiores, é preciso juntar laudos ou documentos que provem a deficiência ou a dependência por saúde.
As taxas de cada familiar
A Orden PJC/617/2025 fixa a taxa da autorização inicial em €10,94 por pessoa, titular e familiares, e a primeira tarjeta de identidad de extranjero em €16,08. Cada pessoa da família paga as suas taxas.

O que muda para a família na renovação?
A renovação cobre dois anos, e os meios da família precisam cobrir esse período inteiro. Um casal com dois filhos, que precisa de €4.200 por mês, deve mostrar €100.800 na renovação, segundo a conta do artigo 62.2 com o IPREM de 2026.
A escolarização dos filhos
O artigo 64 exige que os filhos menores em idade de escolaridade obrigatória estejam escolarizados na Espanha. Na renovação, você junta o informe das autoridades autonómicas que prova essa escolarização. Sem ele, a Extranjería dá um mês para apresentá-lo, ou a autorização não é renovada.
Os 183 dias de cada um
A regra de residência real por mais de 183 dias no ano civil vale para a renovação de cada autorização. Se você e a família passam longas temporadas no Brasil, contem os dias de cada pessoa antes de planejar as viagens.
Que erros a família deve evitar no pedido?
Os pedidos de família têm mais documentos, e cada documento a mais é uma chance de erro. Eu vejo os mesmos problemas se repetirem em famílias diferentes, quase sempre ligados à prova do parentesco e à conta dos meios:
- Somar os pais como familiares, quando eles precisam de um pedido próprio.
- Calcular os meios só para o titular e esquecer os €600 por mês de cada familiar.
- Apresentar certidões antigas, sem apostila ou sem tradução para o espanhol.
- Contar com a união estável sem documentos que provem um ano seguido de convivência.
Atenção: se você planeja trazer os pais por reagrupação no futuro, a contagem dos cinco anos para a longa duração começa com a sua primeira autorização. Interromper a residência, ou passar mais de 183 dias fora num ano, pode atrasar esse plano.
Quando você organiza a pasta de cada pessoa em separado, com os documentos de identidade, as certidões e as taxas, fica mais fácil conferir se nada falta antes do atendimento no consulado. Esse cuidado poupa idas e voltas e mantém o pedido da família inteira no mesmo ritmo.
Como se compara à família no visto D7?
Em Portugal, o visto D7 segue outra regra para a família e pede menos renda. A Espanha pede €600 por mês para cada familiar, além dos €2.400 do titular, e não aceita os pais no mesmo pedido.
O texto sobre o visto D7 com família mostra a conta portuguesa. Comparar os dois países pelo custo da família inteira, e não só pelo valor do titular, costuma mudar a decisão de muitas famílias.
Próximos passos para a família
Com a lista de quem entra e a conta de cada um, você consegue planejar o pedido da família inteira. O ponto de atenção é definir logo no início o caminho dos pais, se eles também querem morar na Espanha.
1. Liste quem vai e em que condição
Separe quem entra como seu familiar e quem precisa de um pedido próprio, e anote a situação de cada pessoa. Some €600 por mês para cada familiar e €2.400 para cada titular.
2. Reúna as certidões
Peça em cartório, para você e para cada familiar, as certidões de casamento e de nascimento atualizadas, com apostila e tradução para o espanhol. Junte a prova da união estável, se for o caso.
3. Veja o pedido inteiro
Os meios são só uma parte do que você vai apresentar. O guia completo da residência não lucrativa na Espanha mostra os outros requisitos, e o texto sobre o saldo bancário explica como provar o dinheiro.
Assessoria jurídica
Um plano para os seus pais também
Se os seus pais querem morar na Espanha, analisamos se vale um pedido próprio agora ou a reagrupação mais tarde, com os números de cada caminho.
Quero o plano para os meus paisPerguntas frequentes
A seguir, as respostas às dúvidas mais comuns de quem quer levar a família na residência não lucrativa.
Quem pode ir junto na residência não lucrativa?
Pelo artigo 61.3 do Real Decreto 1155/2024, entram o cônjuge ou parceiro registrado ou estável, os filhos menores não casados e os filhos maiores com deficiência ou dependentes por saúde.
Os pais do titular entram na residência não lucrativa?
Não como familiares. Eles podem fazer um pedido próprio de residência não lucrativa, com €2.400 por mês cada titular, ou vir por reagrupação quando o filho tiver a residência de longa duração.
Quanto cada familiar soma aos meios exigidos?
Cada familiar soma 100% do IPREM, que em 2026 é €600 por mês, ou €7.200 no primeiro ano. Um casal precisa de €3.000 por mês e um casal com dois filhos, de €4.200.
O parceiro de união estável pode entrar como familiar?
Pode, se a união estiver registrada ou provada como estável. O regulamento considera provado o vínculo com um ano seguido de convivência, ou com convivência estável quando há filhos em comum.
Filho maior de idade entra como familiar?
Só se tiver uma deficiência que exija apoio ou não conseguir prover às próprias necessidades por saúde. Um filho adulto saudável precisa de um pedido próprio ou de outra autorização.

Quem escreve
Rodrigo Maranhão
Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.
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Falar sobre a minha mudançaFontes oficiais consultadas
- Real Decreto 1155/2024, Reglamento de la Ley Orgánica 4/2000, arts. 61, 62, 64, 66, 67 e 68, texto consolidado — BOE (consultado em 25/10/2026)
- Ley Orgánica 4/2000, sobre derechos y libertades de los extranjeros en España, arts. 17, 18 e 32 — BOE (consultado em 25/10/2026)
- Ley 31/2022, de Presupuestos Generales del Estado para 2023, disposición adicional nonagésima (IPREM) — BOE (consultado em 25/10/2026)
- Orden PJC/617/2025, taxas de imigração (modelo 790-052), BOE de 16/06/2025 (consultado em 25/10/2026)
- Visado de residencia no lucrativa — Consulados-Gerais da Espanha em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre e Embaixada em Brasília (exteriores.gob.es) (consultado em 25/10/2026)