Rodrigo Maranhão
Por Rodrigo MaranhãoAdvogado em Lisboa · Atualizado em 25/10/2026
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Pensa em pedir o visto nômade digital com família? A lei portuguesa deixa o cônjuge e os filhos irem junto, com pedidos feitos ao mesmo tempo. Veja quem pode acompanhar você, quanto a renda tem de cobrir e o que cada pessoa precisa de levar.

Assessoria jurídica

Vai mudar com a família?

A equipe confere a renda, as certidões e os documentos de cada pessoa antes de você marcar o pedido no consulado.

Contratar análise do caso

Posso levar a família com o visto de nômade digital?

Pode. A Lei de Estrangeiros diz que o visto de residência abrange também o acompanhamento da família, e que os pedidos podem ser feitos em simultâneo. Na prática, você, o cônjuge e os filhos pedem o visto juntos e viajam juntos.

Isso evita uma separação longa. Quem vai primeiro e só depois chama a família tem de usar o reagrupamento familiar, que hoje tem prazos mais longos. Por isso, se a família vai mudar de qualquer forma, o pedido conjunto costuma ser o melhor caminho.

Se você ainda está a decidir quem vai primeiro, pense também na escola das crianças e no trabalho do cônjuge. Chegar todos juntos permite começar a rotina de uma vez, em vez de manter duas casas durante meses.

Quem é o titular

O titular é quem trabalha de forma remota para a empresa ou os clientes de fora. É a renda dele que sustenta o pedido de toda a família. O guia do visto para nômade digital explica os requisitos do titular.

Resumo: o pedido da família no D8

A tabela junta os pontos principais para quem vai mudar com o cônjuge e os filhos:

TemaRegra principal
PedidosPodem ser feitos ao mesmo tempo que o do titular
Renda do titular3.680 € por mês, em média
Meios por outro adulto+460 € por mês
Meios por filho+276 € por mês
Taxa do visto110 € por pedido; crianças até 6 anos isentas
Residência do familiarMesma duração que a do titular

Quem pode ir junto?

A família que acompanha o titular é, em geral, a mesma que a lei aceita no reagrupamento familiar. Cada vínculo precisa de prova com certidão atualizada e apostilada.

Cônjuge ou companheiro

Entra o cônjuge e também o companheiro em união de facto comprovada. Para a união estável, a escritura ou a sentença brasileira ajuda a provar o vínculo, com apostila.

Filhos e outros familiares

Entram os filhos menores e, em certas condições, os filhos maiores a cargo que estudem. Os pais a cargo também podem entrar, desde que a dependência seja provada. Cada caso pede os documentos certos.

Se você tem filhos de uma relação anterior, a autorização do outro progenitor costuma ser decisiva. Trate dela cedo, porque depende de outra pessoa e pode levar tempo a conseguir.

Quanto a renda precisa de cobrir?

O titular precisa de mostrar rendimentos médios de pelo menos 3.680 € por mês nos últimos três meses. Mas, com a família, entra também a regra dos meios de subsistência da Portaria 1563/2007, que usa o salário mínimo de 920 € como base.

  • o primeiro adulto conta 100% do salário mínimo, ou seja, 920 €;
  • cada outro adulto soma 50%, ou seja, 460 €;
  • cada filho menor ou a cargo soma 30%, ou seja, 276 €;
  • o consulado pode pedir prova de que a renda cobre todos.

Um exemplo

Um casal com dois filhos soma, nos meios de subsistência, 920 € mais 460 € mais duas vezes 276 €, num total de 1.932 € por mês. O salário do titular, de pelo menos 3.680 €, já costuma cobrir esse valor, mas o consulado olha para o conjunto.

Eu recomendo juntar extratos que mostrem saldo e entradas regulares, além dos recibos de salário. Quanto mais clara for a prova, menos pedidos de documentos extra aparecem.

Se você recebe em reais, lembre que o câmbio muda o valor em euros de um mês para o outro. Uma folga acima do mínimo protege o pedido de toda a família contra uma má semana do real.

Família brasileira com duas crianças a chegar a Portugal com as malas
Os pedidos do cônjuge e dos filhos podem ser feitos ao mesmo tempo que o do titular do D8.

Que documentos cada pessoa precisa?

Cada membro da família tem o seu próprio requerimento e os seus documentos. A pasta do cônjuge e a dos filhos são diferentes da do titular:

  1. passaporte válido e duas fotografias de cada pessoa;
  2. certidão de casamento ou prova da união de facto, apostilada;
  3. certidão de nascimento de cada filho, apostilada;
  4. registo criminal com apostila para quem tem 16 anos ou mais;
  5. autorização de viagem para o menor que não viaja com os dois pais.

Os documentos do titular

O titular leva a sua pasta do D8: o contrato ou a declaração da empresa, os comprovativos de renda e o documento da residência fiscal. O brasileiro fica dispensado do seguro de viagem por causa do acordo entre os dois países.

Atenção: as certidões brasileiras devem ser recentes e ter apostila. Uma certidão antiga ou sem apostila é um dos motivos mais comuns de pedido de documentos extra ou de atraso na família.

Como funciona o agendamento na VFS?

Desde 17 de abril de 2026, todos os pedidos de visto para Portugal feitos no Brasil são presenciais nos centros da VFS Global. Para a família, há uma regra prática que ajuda muito: um agendamento só.

Se o pedido de alguém da família chegar incompleto no dia, a VFS permite assinar um termo de compromisso e entregar o que falta em cinco dias úteis. Depois desse prazo, o processo segue como estiver, por isso convém levar tudo pronto desde o início.

Um agendamento para todos

O requerente principal faz o agendamento e acrescenta os familiares. Assim, todos são atendidos no mesmo dia. O agendamento é feito pelo próprio requerente, com reconhecimento facial.

As crianças precisam de ir?

Segundo a VFS, os menores até 15 anos ficam dispensados de comparecer se forem representados pelos pais. Se um dos pais não estiver presente, é preciso uma autorização com assinatura reconhecida. A partir dos 16 anos, cada pessoa comparece.

Quanto custa o pedido da família?

No consulado, a taxa do visto nacional é de 110 € por pedido, e cada pessoa da família faz o seu. As crianças até 6 anos estão isentas dessa taxa.

Depois, em Portugal, a AIMA cobra ao brasileiro 159,20 € por pessoa pela autorização de residência. Somam-se as apostilas, as certidões e as viagens até o centro da VFS.

Os valores são por pessoa e por pedido, por isso a conta cresce com cada filho. Se você tem filhos pequenos, vale ver as idades com cuidado antes de pagar, porque a isenção até 6 anos faz diferença numa família grande.

A conta de uma família de quatro

Com dois filhos acima de 6 anos, a taxa do visto fica em 440 €. Na AIMA, são mais 636,80 € para os quatro. Com uma criança até 6 anos, a taxa do consulado baixa para 330 €.

Quanto tempo demora?

Os prazos da lei valem para cada pedido, mas na prática os da família andam juntos com o do titular. Saber a ordem ajuda você a planear a saída do Brasil.

No consulado

O consulado tem até 60 dias para decidir o visto de residência. Durante esse tempo, a AIMA dá um parecer em 20 dias. Os pedidos da família entregues no mesmo agendamento costumam ser analisados em conjunto.

Em Portugal

Depois de entregue o pedido de residência na AIMA, a lei dá 90 dias para a decisão, com mais 30 em casos excecionais. Enquanto espera, você pode trabalhar nos termos da lei, porque o atraso não é culpa sua.

Depois de chegar: a residência na AIMA

Com os vistos no passaporte, a família entra em Portugal e pede a autorização de residência. A lei diz que a autorização do familiar tem a mesma duração que a do titular.

Os pedidos juntos também na AIMA

Os pedidos de residência da família podem ser apresentados ao mesmo tempo que o do titular. A entrega é presencial numa Loja AIMA, com agendamento e com a prova da morada de todos.

Na AIMA, a família leva os vistos válidos, os passaportes, a prova da morada e o modelo de pedido assinado por cada pessoa. Para os filhos menores, quem assina são os pais. Ter uma pasta por pessoa, com tudo pela mesma ordem, torna o atendimento mais rápido.

A autorização do titular vale dois anos e é renovada por períodos de três. A do familiar acompanha essa duração, por isso as renovações costumam ser feitas em conjunto.

E se a família for depois?

Se você for primeiro e a família só depois, o caminho passa a ser o reagrupamento familiar. Desde 2025, a regra geral exige dois anos de residência do titular, com algumas exceções.

As exceções

Os filhos menores ou incapazes a cargo e o cônjuge que é pai ou mãe de um filho menor estão entre as exceções. Para o cônjuge com 18 meses de vida em comum, o prazo pode baixar para 15 meses. Veja como funciona o reagrupamento familiar em Portugal.

O texto sobre o reagrupamento familiar do cônjuge mostra o caso do casal em detalhe.

Torre de Belém junto ao Tejo, em Lisboa
A autorização de residência do familiar tem a mesma duração que a do titular.

Escola, saúde e trabalho do cônjuge

Além do visto, a vida da família depende de três coisas: a escola, a saúde e o trabalho de quem acompanha. Vale você tratar de cada uma antes de embarcar.

Escola

Antes de escolher o bairro, veja que escolas ficam perto e como funciona a matrícula na sua área. A morada pesa na escolha da escola, por isso a casa e a escola devem ser decididas juntas.

Saúde

Com a residência, cada pessoa pode inscrever-se no centro de saúde da área e ter o número de utente. O texto sobre o sistema de saúde em Portugal explica como funciona.

O cônjuge pode trabalhar?

Quem tem autorização de residência pode exercer atividade profissional, por conta de outrem ou por conta própria, nos termos da lei. Isso inclui o cônjuge, depois de ter a sua autorização emitida.

Se o cônjuge também trabalha remoto para uma empresa de fora, pode até pedir o seu próprio D8. Mas, no pedido de família, a renda do titular pode sustentar o pedido de todos, e o cônjuge entra como familiar, o que simplifica a pasta do casal.

O texto sobre morar em Portugal com família ajuda a planear a escola, a casa e a rotina dos primeiros meses.

Como preparar a mudança da família

Uma mudança com crianças pede mais planeamento do que a de uma pessoa só. Começar cedo poupa você de correrias na véspera da viagem.

A casa para todos

Para a AIMA, cada pessoa precisa de prova da morada, com o contrato de arrendamento ou a declaração de quem recebe a família. Uma casa com espaço para todos também pesa na análise dos meios e do alojamento.

Se a família vai ficar uns dias num alojamento temporário antes de arrendar casa, confirme com antecedência que documento de morada vai apresentar na AIMA. Sem uma morada comprovada para cada pessoa, o pedido de residência da família não avança, e o agendamento pode ter de ser remarcado.

O calendário

Comece pelas certidões e apostilas, que dependem de cartórios no Brasil. Depois vêm o registo criminal, o agendamento na VFS e a casa em Portugal. Se você tem filhos em idade escolar, tente fazer coincidir a chegada com o início de um período letivo.

O texto sobre as cidades baratas para viver em Portugal ajuda a escolher onde morar com a família sem gastar todo o salário na renda.

Erros que atrasam o pedido da família

Eu vejo os mesmos problemas nos pedidos de família. Quase todos se evitam com tempo:

  1. certidões antigas ou sem apostila;
  2. falta de autorização de viagem para o menor que não viaja com os dois pais;
  3. renda que cobre o titular, mas não a família inteira;
  4. agendamentos separados, que obrigam a várias idas à VFS.

Atenção: a autorização para a VFS submeter o pedido do menor não substitui a autorização parental de viagem. São documentos diferentes, e os dois podem ser precisos.

Os filhos e a nacionalidade

Com o tempo de residência, a família pode pedir a nacionalidade portuguesa por tempo de residência. Os filhos que nascerem em Portugal têm regras próprias, explicadas no texto sobre a nacionalidade do filho de brasileiros nascido em Portugal.

Assessoria jurídica

Família inteira no mesmo pedido

Preparamos a pasta de cada pessoa, organizamos o agendamento conjunto e acompanhamos todos até a residência na AIMA.

Quero assessoria jurídica

Leia também: o guia do visto de TI para Portugal, o guia completo do visto nômade digital e o texto sobre renda mínima do visto nômade digital.

Perguntas frequentes

A seguir, as respostas às dúvidas mais comuns sobre o visto de nômade digital com família.

Posso levar a família no visto de nômade digital?

Pode. A lei portuguesa permite que o cônjuge e os filhos peçam o visto ao mesmo tempo que o titular do D8. Cada pessoa faz o seu pedido, com os seus documentos e a prova do parentesco.

Quanto preciso de ganhar para levar a família no D8?

O titular precisa de uma renda média de 3.680 € por mês. Para a família, os meios somam 460 € por outro adulto e 276 € por filho, e o consulado pode pedir prova de que a renda cobre todos.

As crianças precisam de ir à VFS?

Segundo a VFS, os menores até 15 anos ficam dispensados se forem representados pelos pais. Com um dos pais ausente, é preciso autorização com assinatura reconhecida. A partir dos 16 anos, todos comparecem.

Quanto custa o visto para a família?

A taxa do visto nacional é de 110 € por pedido, e as crianças até 6 anos estão isentas. Em Portugal, a AIMA cobra ao brasileiro 159,20 € por pessoa pela autorização de residência.

E se a família for depois de mim?

Nesse caso, entra o reagrupamento familiar, que em regra exige dois anos de residência do titular. Há exceções, por exemplo, para filhos menores a cargo e para o cônjuge que é pai ou mãe de um menor.

Rodrigo Maranhão, advogado

Quem escreve

Rodrigo Maranhão

Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.

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Assessoria para famílias que trabalham remoto

Advogados inscritos em Portugal e no Brasil cuidam do D8 do titular e dos pedidos do cônjuge e dos filhos.

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Fontes oficiais consultadas

  • Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, versão consolidada: arts. 58.º, 61.º-B, 75.º, 81.º, 83.º, 98.º e 107.º (consultado em 25/10/2026)
  • Decreto Regulamentar n.º 84/2007, arts. 18.º-B e 31.º-A; Decreto-Lei n.º 139/2025; Portaria n.º 1563/2007 (consultado em 25/10/2026)
  • MNE: documentação instrutória e emolumentos dos vistos nacionais (outubro de 2026) (consultado em 25/10/2026)
  • VFS Global Brasil–Portugal: perguntas frequentes sobre o pedido de visto (outubro de 2026) (consultado em 25/10/2026)
  • Portaria n.º 307/2023, tabela de taxas da AIMA (atualizada a 26/02/2026) (consultado em 25/10/2026)

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