Rodrigo Maranhão
Por Rodrigo MaranhãoAdvogado em Lisboa · Atualizado em 25/10/2026
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Contratar um advogado para o visto D2 não é obrigatório, mas pesa muito quando o investimento ainda não foi feito, quando há sócios ou família, ou quando a empresa precisa de ser criada à distância.

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A equipe analisa o seu projeto, diz com franqueza se o D2 é o melhor caminho e mostra o que falta para um pedido sólido.

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Preciso de advogado para o visto D2?

Não. A Lei n.º 23/2007 não obriga a ter advogado para pedir o visto de residência. Você pode montar a pasta, preencher o formulário e entregar o pedido sozinho, e há quem faça assim nos casos mais simples.

A pergunta útil é outra: o seu caso é simples? Para o D2, a resposta depende do projeto, do dinheiro disponível em Portugal, de quantas pessoas vão junto e de onde está a empresa. Quanto mais peças, mais pesa ter alguém a coordenar.

O que torna um caso simples

Um caso simples tem um único investidor, investimento já feito e documentado, empresa criada em Portugal, meios claros e uma família pequena. Mesmo assim, a leitura de alguém experiente costuma evitar pedidos de documentos.

Se você se encaixa nesse perfil, uma consulta pontual para rever a pasta pode bastar. Você mantém o controle do processo e ganha uma segunda leitura antes da entrega, que é quando os erros ainda são baratos de corrigir.

O que torna um caso complexo

Investimento ainda por fazer, sócios, empresa brasileira envolvida, compra de um negócio, filhos maiores ou pais a cargo e prazos apertados tornam o pedido mais delicado. São os casos em que um erro de estratégia custa meses.

Nesses casos, você ganha sobretudo em tempo. Um pedido bem montado à primeira evita idas e voltas ao consulado, e cada ida e volta pode adiar a mudança da família em várias semanas.

Resumo: o que o advogado faz em cada fase

A tabela mostra onde o trabalho de um advogado costuma entrar no visto D2, do projeto às renovações.

FaseO que o advogado fazBase
ProjetoConfere se o D2 é o visto certo e desenha o investimentoArtigo 60.º, n.º 2
NIFPede o NIF de cada sócio com procuraçãoFolheto das Finanças
EmpresaPrepara o pacto e trata da criaçãoIRN e Código das Sociedades
ConsuladoMonta e revê a pasta de cada pessoaMNE e artigo 58.º
AIMAPrepara o pedido de residência e acompanha a decisãoArtigos 81.º e 82.º
FamíliaOrganiza vistos de acompanhamento ou reagrupamentoArtigos 58.º e 98.º
RenovaçõesControla prazos e documentos da empresaArtigos 75.º e 78.º

O que o advogado faz antes do pedido?

A parte mais valiosa do trabalho acontece antes da entrega. É aqui que se decide se o D2 é o visto certo, que forma o investimento vai ter e como ele vai ser provado ao consulado.

Confirmar o visto certo

Nem todo projeto de mudança é um caso de D2. Quem quer trabalhar com contrato ou viver de rendimentos pode ter caminhos melhores, e um bom advogado diz isso logo na primeira conversa, mesmo que seja menos trabalho para ele.

Desenhar o investimento

A Lei n.º 23/2007 aceita quem já efetuou operações de investimento e quem tem meios em Portugal com intenção de investir. A escolha entre os dois caminhos muda a pasta, o calendário e o que você precisa de provar.

Na prática, você chega à primeira reunião com uma ideia de negócio e sai com um plano de prova: que documentos juntar, que contas abrir e em que ordem. Esse plano é o que dá previsibilidade ao resto do processo.

Criar a empresa à distância

As Finanças aceitam que advogados e solicitadores peçam o NIF por procuração sem reconhecimento de assinatura, e o IRN admite que profissionais jurídicos usem a Empresa Online. Isso permite criar a empresa sem você viajar.

O guia sobre como abrir empresa em Portugal mostra os passos da criação, e o guia sobre como obter o NIF explica o pedido do número fiscal.

O que o advogado faz no consulado?

No consulado, o trabalho é de pasta e coerência. A lista do MNE é pública, mas o que decide um pedido é a forma como cada documento conversa com os outros e com o plano do negócio.

Rever cada documento

O advogado confere validade de passaportes, Apostilas, traduções, registo criminal, seguro, meios de subsistência e a declaração do investimento. Um documento vencido ou incoerente pode gerar um pedido de elementos e parar a análise.

Também cabe ao advogado conferir se o plano de negócios, a declaração do investimento e os extratos contam a mesma história. Quando você descreve um projeto e os números mostram outro, o consulado tende a pedir explicações.

Coordenar a família

Quando a família pede o visto de acompanhamento em simultâneo, pelo n.º 5 do artigo 58.º, cada pessoa tem a sua pasta. Coordenar essas pastas, com a prova dos laços e dos meios para todos, é parte central do trabalho.

Eu costumo dizer aos clientes que o consulado lê a família como um conjunto. Se um dos pedidos tem um problema, a viagem de todos fica em suspenso, mesmo que o seu D2 esteja perfeito.

Atenção: nenhum advogado pode garantir a aprovação de um visto. A decisão é do consulado e, depois, da AIMA. Desconfie de quem promete resultado certo ou prazos que não estão na lei.

Sala de reuniões com pastas de documentos, para a conversa com o advogado do visto D2
A primeira conversa com o advogado serve para saber se o D2 é mesmo o caminho.

O que o advogado faz depois do visto?

Depois do visto, começa a segunda metade do processo: a autorização de residência na AIMA, pedida dentro dos quatro meses de validade do visto e decidida em 90 dias, pelo artigo 82.º.

O pedido na AIMA

O advogado prepara o pedido com os requisitos dos artigos 77.º e 89.º: visto válido, meios, alojamento, segurança social e a sociedade constituída. Também acompanha notificações e pedidos de documentos durante a análise.

Eu vejo muitos clientes relaxarem depois do visto, como se o trabalho tivesse terminado. Na verdade, é na AIMA que o projeto passa a ser conferido em Portugal, com a empresa a funcionar e a família já instalada.

Renovações e família

A primeira autorização vale dois anos e é renovada por períodos de três, pelo artigo 75.º, com pedido até 30 dias antes do fim. Um bom acompanhamento controla esses prazos e prepara a empresa para a renovação com antecedência.

Se a família não foi junto, o advogado trata também do reagrupamento familiar. O guia sobre reagrupamento familiar em Portugal explica esse caminho e os prazos do artigo 98.º.

Quando vale mais a pena ter advogado?

Há situações em que o advogado deixa de ser um conforto e passa a ser uma proteção do investimento. Nelas, um erro de estratégia pode custar meses de espera ou exigir refazer parte do projeto.

  • Quando o investimento ainda não foi feito e vai ser provado pela intenção.
  • Quando há sócios, brasileiros ou portugueses, no projeto.
  • Quando a empresa brasileira entra como sócia ou financia o negócio.
  • Quando você vai comprar um negócio pronto ou entrar numa empresa existente.
  • Quando a família inclui filhos maiores, pais a cargo ou guarda compartilhada.
  • Quando a data da mudança já está marcada e os prazos estão apertados.

Compra de negócio

Comprar um negócio em Portugal envolve trespasse, cessão de quotas, contratos de arrendamento e dívidas da empresa. É um dos casos em que a análise jurídica antes da assinatura tem mais valor.

Família com muitos membros

Quanto mais pessoas vão junto, maior a conta dos meios e o número de pastas. O guia sobre morar em Portugal com família ajuda a planejar a parte prática da mudança.

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Cuidamos do NIF, da empresa, do pedido no consulado e da autorização de residência, com procuração e acompanhamento em cada fase.

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O que perguntar antes de contratar?

Uma boa primeira conversa responde a perguntas concretas. Se as respostas forem vagas, você aprende muito sobre como o trabalho vai ser feito nos meses seguintes.

Perguntas sobre o trabalho

  • O D2 é mesmo o melhor visto para o meu caso? Por quê?
  • O que está incluído: NIF, empresa, consulado, AIMA, família, renovações?
  • Quem vai tratar do meu caso no dia a dia e como falo com essa pessoa?
  • Que documentos faltam hoje e qual é o calendário realista?

Repare também na forma como o profissional responde. Se ele faz perguntas sobre o seu dinheiro, a sua família e o seu negócio antes de falar de vistos, é sinal de que vai olhar para o seu caso, e não para um modelo.

Perguntas sobre quem atende

Pergunte se quem trata do caso é advogado inscrito na Ordem dos Advogados portuguesa e peça o número da cédula profissional. Se o caso também tem uma parte no Brasil, pergunte quem cuida dela.

Perguntas sobre o contrato

Peça um contrato escrito com o que está incluído e o que não está. Um contrato claro protege os dois lados e evita surpresas quando o processo entra numa fase que você imaginava coberta.

Que sinais de alerta observar?

A maioria dos profissionais trabalha com seriedade, mas alguns sinais justificam cautela redobrada antes de entregar documentos ou assinar uma procuração.

Promessas de resultado

Quem garante aprovação, prazos menores do que os da lei ou «atalhos» no consulado está prometendo o que não controla. A decisão é sempre da autoridade, e um bom profissional fala de probabilidades e riscos.

Falta de contrato e de identificação

Desconfie de quem não identifica o advogado responsável, não aceita formalizar o serviço por escrito ou pede que os documentos sejam enviados por canais pouco claros. Esses sinais costumam anunciar problemas maiores.

Peça sempre cópia de tudo o que for entregue em seu nome, nas Finanças, no IRN, no consulado ou na AIMA. Você tem o direito de saber o que foi pedido e de guardar os comprovativos.

Um modelo igual para todos

Um plano de negócios e uma pasta copiados de outro cliente são fáceis de reconhecer. O D2 exige um projeto próprio, coerente com o seu dinheiro e a sua experiência, e não um modelo genérico.

Atenção: uma procuração dá poderes reais sobre o seu NIF, a sua empresa e os seus pedidos. Leia o texto antes de assinar e confirme que os poderes se limitam ao que foi combinado.

Cabo da Roca e o Atlântico
Um bom acompanhamento olha para a mudança inteira, e não só para o visto.

Posso contratar só uma parte do trabalho?

Pode. Muitos empreendedores contratam um serviço por fase: só a análise do projeto, só a criação da empresa, só a revisão da pasta do consulado ou só o pedido na AIMA. O importante é saber o que fica de fora.

Quando o trabalho é dividido entre várias pessoas, alguém precisa de coordenar o conjunto. Se você vai assumir esse papel, organize um calendário único com os prazos do consulado, do IRN, das Finanças e da AIMA.

A análise inicial como ponto de partida

Para quem ainda está a decidir, uma análise do caso costuma ser o primeiro passo mais útil. Ela mostra se o D2 é o caminho, o que falta e quanto tempo o projeto precisa até a entrega do pedido.

O acompanhamento completo

Para famílias, sócios ou investimentos ainda por fazer, o acompanhamento completo tende a compensar. Uma única equipe vê o processo inteiro e responde por ele, do NIF às renovações.

Advogado no Brasil ou em Portugal?

O visto D2 tem uma parte no Brasil, com documentos, Apostilas e o pedido no centro de vistos, e uma parte em Portugal, com empresa, Finanças e AIMA. O ideal é que quem acompanha o caso conheça os dois lados.

A parte portuguesa

Empresa, NIF, pedido na AIMA e renovações são temas de direito português. É natural que essa parte fique com um advogado inscrito em Portugal, que conhece os serviços e acompanha as mudanças da lei.

Se você já tem um contabilista em Portugal, vale apresentá-lo ao advogado logo no início. Os dois vão trabalhar sobre a mesma empresa, e a comunicação entre eles poupa tempo nas renovações.

A parte brasileira

Certidões, Apostilas, procurações e, em alguns casos, a reorganização de bens ou de empresas no Brasil também pedem atenção. Uma equipe com advogados nos dois países evita que um lado espere pelo outro.

Conclusão

O advogado para o visto D2 não é obrigatório, mas faz diferença quando o caso tem várias peças: investimento por fazer, sócios, família, compra de negócio ou empresa à distância. O valor está no desenho do projeto e na coordenação das fases.

Se você quer uma leitura franca do seu caso, a equipe do escritório pode analisar o projeto, dizer se o D2 é o melhor caminho e acompanhar cada fase, do NIF às renovações.

Este texto faz parte do guia completo do visto D2 Portugal. Se o seu próximo passo for outro, veja também quanto custa o visto D2 e requisitos do visto D2, escritos com a mesma base nas fontes oficiais.

Perguntas frequentes

A seguir, respondemos às dúvidas mais comuns sobre contratar um advogado para o visto D2.

É obrigatório ter advogado para pedir o visto D2?

Não. A Lei n.º 23/2007 não exige advogado para o pedido. Você pode entregar sozinho, mas o apoio jurídico pesa mais quando o caso tem sócios, família grande ou investimento ainda por fazer.

O advogado pode pedir o NIF por mim?

Pode. O folheto das Finanças indica que o NIF de não residente pode ser pedido por representante com procuração, e que advogados e solicitadores não precisam de reconhecimento de assinatura.

O advogado garante a aprovação do visto?

Não. A decisão é do consulado e, depois, da AIMA. Um bom advogado reduz riscos e evita pedidos de documentos, mas não pode prometer resultado nem prazos fora da lei.

O advogado também trata do pedido na AIMA?

Pode tratar. O pedido de autorização de residência pode ser feito pelo interessado ou pelo representante legal, segundo o artigo 81.º, e o acompanhamento costuma incluir as renovações.

Como sei se o advogado está inscrito em Portugal?

Peça o nome completo e o número da cédula profissional e confira junto da Ordem dos Advogados. Um profissional sério dá essa informação sem hesitar, logo na primeira conversa.

Rodrigo Maranhão, advogado

Quem escreve

Rodrigo Maranhão

Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.

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Do projeto à autorização de residência e às renovações, com advogados inscritos em Portugal e no Brasil e escritório em Lisboa.

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Fontes oficiais consultadas

  • Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, versão consolidada (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)
  • Portal das Finanças, folheto «NIF para cidadãos estrangeiros não residentes» (consultado em 25/10/2026)
  • Instituto dos Registos e do Notariado, Empresa Online (consultado em 25/10/2026)
  • Ministério dos Negócios Estrangeiros, Documentação instrutória dos vistos nacionais (consultado em 25/10/2026)

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