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Saber como tirar o CRUE em Portugal é, no fundo, saber contar prazos: você entra no país, espera três meses e tem 30 dias para fazer o registo na câmara municipal. O resto é ter a morada e os documentos prontos.
Se você quer um advogado ao lado em cada passo, conheça a nossa assessoria para morar em Portugal, com equipe em Portugal e no Brasil.
Assessoria jurídica
Quer tirar o CRUE sem idas e voltas à câmara?
A equipe organiza os documentos de toda a família, confirma a câmara certa e o calendário dos prazos, e prepara o pedido do cartão do cônjuge brasileiro na AIMA.
Contratar análise do casoConteúdo
ToggleComo tirar o CRUE em Portugal?
O CRUE é o certificado de registo de cidadão da União Europeia. Ele é tirado na câmara municipal da área onde você mora, e não na AIMA, como prevê o artigo 14.º da Lei n.º 37/2006.
O registo formaliza um direito que você já tem como cidadão europeu. Não é um pedido de autorização: a câmara regista a sua residência e entrega o certificado com o seu nome, a sua morada e a data do registo.
Por que o registo importa
Com o CRUE, você passa a ter um documento oficial que mostra desde quando reside em Portugal. Ele ajuda nos bancos, nas escolas e nos serviços públicos, e é um dos documentos do cartão da família brasileira.
Quem tira o CRUE
Segundo a AIMA, o CRUE é para os nacionais da União Europeia, da Islândia, do Liechtenstein, da Noruega, de Andorra e da Suíça que ficam em Portugal mais de três meses e até cinco anos.
Quem não tira o CRUE
O cônjuge e os filhos que só têm cidadania brasileira não tiram o CRUE. Eles pedem o cartão de residência de familiar na AIMA, no mesmo prazo, e esse caminho está explicado mais abaixo.
Resumo: o passo a passo do CRUE
A tabela mostra a ordem dos passos e o momento certo de cada um. As secções seguintes explicam cada passo, com as fontes oficiais.
| Passo | Quando | Onde |
|---|---|---|
| 1. Entrar e guardar a data | Dia da chegada | Fronteira |
| 2. Ter morada no município | Nos primeiros 3 meses | Arrendamento ou Junta de Freguesia |
| 3. Escolher a condição | Antes do atendimento | Trabalho, recursos ou estudo |
| 4. Reunir os documentos | Antes do atendimento | Pasta de cada pessoa |
| 5. Marcar e ir à câmara | Nos 30 dias depois dos 3 meses | Câmara municipal da residência |
| 6. Cartão da família brasileira | No mesmo prazo | AIMA |
Repare que os passos 2, 3 e 4 cabem nos três primeiros meses. Quem usa bem esse tempo chega à câmara com tudo pronto logo no início da janela de 30 dias.
Passo 1: entrar em Portugal e guardar a data
Tudo começa na data de entrada. O cidadão europeu entra com passaporte ou documento de identidade válido, sem visto, e nos primeiros três meses não precisa de cumprir nenhuma outra condição, segundo o artigo 6.º da lei.
Como contar o prazo
O artigo 14.º manda fazer o registo no prazo de 30 dias depois de decorridos três meses da entrada. Na prática, a janela abre quando se completam os três meses e fecha 30 dias depois.
Um exemplo ajuda. Se você entrou em Portugal a 10 de janeiro, os três meses completam-se a 10 de abril, e o prazo para o registo vai até 10 de maio. Marque as duas datas no calendário no primeiro dia.
A prova da data
Como o passaporte europeu não recebe carimbo, guarde o cartão de embarque e a reserva do voo. São esses papéis que mostram a data de entrada, se alguém perguntar mais tarde.
Passo 2: ter morada e saber qual é a sua câmara
O CRUE é feito na câmara da área de residência, e por isso a morada vem antes de tudo. A Câmara de Lisboa avisa que só emite o certificado para quem reside em Lisboa.
A câmara de onde você mora
Conta a câmara do município onde fica a sua casa, e não a do local de trabalho. Quem mora em Cascais e trabalha em Lisboa, por exemplo, tira o CRUE em Cascais.
A prova de morada
No Porto, a câmara aceita, entre outros, o atestado da Junta de Freguesia e o contrato de arrendamento com o recibo de renda eletrónico das Finanças. Para arrendar, você vai precisar do NIF.
O pedido do número fiscal está no guia sobre como obter o NIF em Portugal. Se ainda vai escolher a cidade, o guia de cidades baratas para viver em Portugal compara custos.
Passo 3: qual condição de residência você vai declarar?
Para ficar mais de três meses, o cidadão europeu precisa de estar numa das situações do artigo 7.º da lei. Basta uma delas, e é ela que você indica na declaração do atendimento:
- exercer em Portugal uma atividade profissional, subordinada ou independente;
- ter recursos suficientes para si e para a família, e seguro de saúde quando exigido;
- estar inscrito num estabelecimento de ensino oficialmente reconhecido, com recursos e seguro quando exigido.
Trabalho
É a condição mais simples para quem tem contrato com uma empresa em Portugal. Não há salário mínimo específico para o registo, e você não precisa de nenhuma autorização de trabalho.
Recursos suficientes
Serve para quem vai viver de aposentadoria, aluguéis ou outros rendimentos do Brasil. A lei não fixa um valor em euros, e a referência é o nível abaixo do qual o Estado português concede apoios sociais.
Uma conta em Portugal facilita mostrar esses rendimentos. O guia de conta bancária em Portugal explica como abrir a conta, inclusive antes da mudança.
Estudo
Serve para quem vai fazer licenciatura, mestrado ou outro curso numa instituição reconhecida. A prova dos recursos pode ser feita por declaração ou por outro meio à escolha do estudante.
No Porto, a declaração de residência de estudante também serve de prova de morada, o que ajuda quem vai viver numa residência universitária ou num quarto arrendado.
Passo 4: reunir os documentos
A lista legal é curta. O artigo 14.º pede o bilhete de identidade ou o passaporte válidos e a declaração sob compromisso de honra, e a Câmara do Porto informa que o modelo da declaração é fornecido no balcão.
O que levar na pasta
Além desses dois documentos, leve a prova de morada e os papéis que comprovam a condição, como o contrato de trabalho, a matrícula ou os extratos. A câmara só pode exigir prova das condições quando houver dúvida razoável, pelo artigo 9.º.
Os filhos com cidadania europeia
Cada filho com cidadania europeia tem o seu certificado. Em Lisboa, o pedido do menor é feito pelos representantes legais, com o documento do menor e a certidão de nascimento.
No Porto, o menor tem de estar presente no atendimento, qualquer que seja a idade. Se um dos pais não puder ir, a câmara pede procuração autêntica ou a decisão judicial de guarda.

Como marcar o atendimento na câmara?
Cada câmara organiza o atendimento à sua maneira, e vale a pena ler a página oficial do seu município antes de ir. Em Lisboa e no Porto, há marcação prévia, e o Porto aceita também o pedido online.
Em Lisboa
O atendimento é presencial nas Lojas Lisboa da Baixa, de Entrecampos, de Marvila e do Saldanha, no Quiosque Europeu, com agendamento possível. A câmara exige a presença física de quem faz o pedido.
Se vários membros da família têm cidadania europeia, leve todas as pastas no mesmo dia. Assim, os certificados de todos ficam resolvidos de uma vez, com a mesma prova de morada.
No Porto
Você pode ir presencialmente, com marcação pela Linha Porto, pelo telefone 220 100 220, ou fazer o pedido online. No pedido online, recebe um email, paga e levanta o certificado presencialmente.
Noutros municípios
A AIMA mantém uma lista dos municípios onde o certificado pode ser pedido. Nos outros concelhos, a forma de atendimento varia, e por isso convém consultar o site da câmara ou telefonar antes de ir.
O dia do atendimento
No balcão, você entrega o documento de identificação, assina a declaração e apresenta a prova de morada. O funcionário confere os dados, cobra a taxa do certificado e, quando o serviço é feito na hora, entrega o CRUE.
Quanto custa
O valor está na Portaria n.º 1334-D/2010, alterada pela Portaria n.º 13/2024. Em Lisboa, o certificado custa 18 euros para maiores de 25 anos e 15 euros para os mais novos, e é gratuito até um ano de idade.
Como pagar
Lisboa aceita dinheiro, Multibanco e cheque, e o valor é cobrado por certificado. Como o Multibanco é a rede de cartões portuguesa, leve também dinheiro se ainda não tiver um cartão de banco em Portugal.
Atenção: confira os dados do certificado antes de sair do balcão. Um erro no nome ou na morada obriga a pedir a alteração de dados, que em Lisboa custa o mesmo que a emissão.
Quanto tempo demora para receber o CRUE?
A lei diz que o certificado é emitido no ato do registo, e o Porto confirma que o atendimento presencial é resolvido na hora. Pelo pedido online, o Porto responde em até 10 dias úteis.
A diferença entre as fontes
A página da AIMA fala num prazo mínimo de emissão de um mês, o que mostra que a prática varia entre municípios. Por isso, não deixe o registo para o último dia da janela de 30 dias.
Se a câmara não entregar o certificado na hora, peça um comprovativo do pedido. Ele mostra que você cumpriu o prazo e pode servir enquanto espera.
Quanto tempo vale
O certificado vale cinco anos a contar da emissão, ou o período previsto de residência, se for menor. Em Lisboa, a renovação só existe para quem recebeu um certificado com validade inferior a cinco anos.
Depois do CRUE: o cartão da família brasileira
Com o CRUE na mão, o cônjuge e os filhos só brasileiros pedem o cartão de residência de familiar nas Lojas AIMA. O seu certificado é um dos documentos do pedido, junto com o passaporte e a prova do vínculo.
Como marcar na AIMA
A página da AIMA pede inscrição prévia pelo formulário de contacto, com o assunto do cartão de residente da União Europeia. O prazo é o mesmo do CRUE: 30 dias depois dos três meses.
As certidões
A AIMA pede a certidão de casamento ou de nascimento com apostila da Haia. O passo a passo está no artigo sobre o cartão de residência familiar de cidadão europeu, e as dispensas de apostila no texto sobre documentos da União Europeia sem apostila.
Assessoria jurídica
Do primeiro dia em Portugal ao certificado na mão
Acompanhamos a contagem dos prazos, a marcação e o atendimento na câmara, e seguimos o cartão de residência da família até a emissão.
Quero assessoria jurídicaO que fazer nos anos seguintes?
O CRUE não é o fim do caminho. Ao longo dos cinco anos de validade, há situações que pedem uma atualização, e no fim desse período abre-se a residência permanente.
Mudança de casa
O Porto informa que não há prazo legal para atualizar a morada. Em Lisboa, a alteração de dados é feita com a entrega do certificado original. Se mudar de município, procure a câmara da nova morada.
A residência permanente
Depois de cinco anos seguidos de residência legal, você pode pedir o certificado de residência permanente, que é da competência da AIMA. A partir daí, o direito deixa de depender de trabalho ou de recursos.
A saída de Portugal
Se você sair do país de vez, Lisboa pede a entrega do original para cancelar o certificado, sem custo. O Porto informa que não há obrigação de comunicar a saída.

Erros comuns ao tirar o CRUE
O processo é simples, e os problemas aparecem quase sempre na organização. Estes são os erros que eu mais vejo em quem tira o CRUE pela primeira vez:
- contar o prazo a partir da assinatura do arrendamento, e não da entrada;
- ir à câmara do local de trabalho, e não à da residência;
- chegar ao atendimento sem a prova de morada;
- deixar o registo para o fim da janela de 30 dias;
- esquecer que o cônjuge brasileiro tem um pedido próprio na AIMA.
Atenção: perder o prazo do registo é contraordenação, com coima prevista no artigo 30.º da Lei 37/2006. Se perceber que o prazo está a fechar, procure a câmara ou um advogado logo.
Como se preparar ainda no Brasil
Boa parte do trabalho pode ser feita antes da viagem. O segredo é deixar para Portugal só o que depende de estar no país, como a casa e a marcação na câmara.
Antes de viajar
Confira a validade do passaporte europeu de cada pessoa, peça as certidões apostiladas da família brasileira e organize os comprovativos da condição que vai declarar. Eu recomendo deixar tudo numa pasta por pessoa.
Nos primeiros três meses
Peça o NIF, arrende a casa, abra a conta e marque a câmara e a AIMA para o início da janela. Para a vida prática no país, veja o guia de morar em Portugal com família.
O processo completo, com os direitos de quem tem o certificado, está no nosso guia do CRUE em Portugal. Para ter um advogado em cada passo, conheça a assessoria para morar em Portugal.
Este texto faz parte do guia completo sobre o CRUE em Portugal. Se o seu próximo passo for outro, veja também os textos sobre documentos necessários para o CRUE, CRUE em Lisboa e no Porto e NIF para cidadão europeu, escritos com base nas mesmas fontes oficiais.
Perguntas frequentes
A seguir, as dúvidas mais comuns de quem vai tirar o CRUE em Portugal.
Onde tiro o CRUE em Portugal?
Na câmara municipal da área onde você mora, e não na AIMA. Em Lisboa, nas Lojas Lisboa; no Porto, presencialmente com marcação ou por pedido online. Cada câmara publica as suas regras.
Quando posso tirar o CRUE?
Depois de completar três meses em Portugal, nos 30 dias seguintes. Se entrou a 10 de janeiro, a janela vai de 10 de abril a 10 de maio. Guarde a prova da data de entrada.
O CRUE sai na hora?
Depende da câmara. O Porto entrega na hora no atendimento presencial e responde em até 10 dias úteis no pedido online. A AIMA fala num prazo mínimo de um mês.
Posso tirar o CRUE sem contrato de trabalho?
Pode. Além do trabalho, a lei aceita a condição de recursos suficientes, com seguro de saúde quando exigido, e a de estudante numa instituição reconhecida. Basta cumprir uma delas.
O meu cônjuge brasileiro também tira o CRUE?
Não. O familiar só brasileiro pede o cartão de residência de familiar na AIMA, no mesmo prazo, com o passaporte, a certidão apostilada do vínculo e o seu CRUE.

Quem escreve
Rodrigo Maranhão
Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.
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Planejamento no Brasil, registo na câmara e cartão da família na AIMA: análise do caso e acompanhamento por advogados inscritos em Portugal e no Brasil.
Contratar a assessoriaFontes oficiais consultadas
- Lei n.º 37/2006, de 9 de agosto (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)
- AIMA: certificado de registo para nacionais UE (consultado em 25/10/2026)
- AIMA: cartão de residência para familiares de nacionais UE (consultado em 25/10/2026)
- AIMA: certificado de residência permanente para nacionais UE (consultado em 25/10/2026)
- Câmara Municipal de Lisboa: registo de cidadão da União Europeia (consultado em 25/10/2026)
- Câmara Municipal do Porto: certificado de registo do cidadão da UE (consultado em 25/10/2026)