Rodrigo Maranhão
Por Rodrigo MaranhãoAdvogado em Lisboa · Atualizado em 25/10/2026
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Os documentos necessários para o CRUE são poucos: a lei pede um documento de identificação válido e uma declaração. As câmaras municipais pedem também a prova da morada, e os filhos e o cônjuge têm papéis próprios.

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Quer a pasta do CRUE conferida antes do atendimento?

A equipe revê os documentos de cada pessoa da família, a prova de morada e as certidões brasileiras, para você não ser mandado de volta no balcão.

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Quais são os documentos necessários para o CRUE?

O artigo 14.º da Lei n.º 37/2006 exige dois documentos para o cidadão europeu: o bilhete de identidade ou o passaporte válidos e uma declaração, sob compromisso de honra, de que cumpre uma das condições de residência.

Esse é o mínimo legal, e a AIMA repete a mesma lista. Ainda assim, quem chega ao balcão só com esses dois papéis pode ter de voltar. O regime vem da Diretiva 2004/38/CE, que a lei portuguesa transpõe.

O que as câmaras pedem a mais

Como o CRUE é feito na câmara da área de residência, as câmaras pedem uma prova de que você mora no município. No Porto, por exemplo, o comprovativo de residência faz parte da lista oficial.

O que este guia cobre

Aqui está a lista para o titular europeu, para os filhos e familiares que também têm cidadania europeia e, no fim, para o cônjuge e os filhos só brasileiros, que seguem outro caminho. O processo completo está no nosso guia do CRUE em Portugal.

Resumo: documentos do CRUE por pessoa

A tabela junta o que cada pessoa da família leva. Os detalhes de cada documento estão nas secções seguintes, com as fontes oficiais.

PessoaOndeDocumentos
Titular europeuCâmara municipalPassaporte ou cartão de identidade, declaração, prova de morada
Filho menor europeuCâmara municipalDocumento do menor, certidão de nascimento, presença dos pais
Cônjuge europeuCâmara municipalDocumento, prova do casamento, CRUE do titular
Cônjuge ou filho só brasileiroAIMAPassaporte, certidões apostiladas, CRUE do titular

A regra que organiza tudo é simples: quem tem cidadania europeia faz o CRUE na câmara; quem só tem cidadania brasileira pede o cartão de residência na AIMA.

O documento de identificação

O primeiro documento é o passaporte ou o documento de identidade do seu país europeu, dentro da validade. Para o brasileiro com dupla cidadania, o mais comum é o passaporte italiano, espanhol, alemão ou de outro país da União.

Passaporte ou cartão de identidade

A lei aceita os dois. O cartão de identidade europeu vale como documento de identificação, e o passaporte também. Leve o mesmo documento com que entrou em Portugal, porque ele liga o registo à data de entrada.

Documento perto do fim da validade

Se o passaporte está quase a vencer, renove antes da mudança. O artigo 9.º da lei diz que a caducidade do documento não é motivo de afastamento, mas a câmara precisa de um documento válido no dia do atendimento.

Originais e cópias

Leve o original e uma cópia simples de cada documento. Em Lisboa, a alteração de dados e o cancelamento pedem a entrega do certificado original, e vale a pena criar desde já o hábito de guardar tudo numa pasta.

A declaração sob compromisso de honra

A declaração é o documento em que você afirma cumprir uma das condições do artigo 7.º da lei. No Porto, a câmara informa que o modelo é fornecido no balcão, e por isso você não precisa de a levar já preenchida.

As três condições

Você declara que está numa destas situações, e basta uma delas para o registo:

  • exerce em Portugal uma atividade profissional, subordinada ou independente;
  • tem recursos suficientes para si e para a família, e seguro de saúde quando exigido;
  • está inscrito num estabelecimento de ensino oficialmente reconhecido, com recursos e seguro de saúde quando exigido.

Declarar com verdade

É uma declaração sob compromisso de honra, e por isso deve corresponder à sua situação real. Se você vai trabalhar, declare o trabalho; se vai viver de renda do Brasil, declare os recursos e tenha os comprovativos à mão.

Se a sua situação mudar depois do registo, por exemplo quando passa de estudante a trabalhador, o certificado continua válido. O que importa, segundo o artigo 9.º da lei, é continuar a cumprir uma das condições.

A prova de morada

É o documento que mais atrasa o CRUE. Sem morada no município, a câmara não faz o registo, e a Câmara de Lisboa avisa que só emite o certificado para quem reside em Lisboa.

O que o Porto aceita

A Câmara do Porto lista os comprovativos de residência que aceita no atendimento:

  • atestado de residência da Junta de Freguesia;
  • contrato de arrendamento com recibo de renda eletrónico das Finanças, ou Modelo II;
  • contrato de compra e venda, certidão predial ou certidão de domicílio fiscal do e-Finanças;
  • declaração de residência de estudante.

O arrendamento e o NIF

Para arrendar casa, você vai precisar do NIF, e o guia sobre como obter o NIF em Portugal explica o pedido. Com o contrato assinado, peça ao senhorio o recibo eletrónico, que é a prova mais usada.

Atenção: quem fica em casa de amigos ou em alojamento temporário costuma não ter prova de morada em seu nome. Nesse caso, o atestado da Junta de Freguesia é o caminho, e cada Junta tem as suas regras.

Se mudar de casa depois do registo

O Porto informa que não há prazo legal para atualizar a morada no certificado. Em Lisboa, a alteração de dados é feita com a entrega do original e custa o mesmo que a emissão. Se mudar de município, procure a câmara da nova morada.

Pasta com os documentos necessários para o CRUE
Para o CRUE, a lei pede pouco: documento válido e declaração; as câmaras pedem também a morada.

Quando a câmara pode pedir prova das condições?

Só em casos específicos. O artigo 9.º da lei permite verificar as condições quando há dúvida razoável, e proíbe que essa verificação seja sistemática. Na maior parte dos atendimentos, a declaração basta.

Os documentos que convém levar na pasta

A Câmara do Porto avisa que pode pedir prova complementar, como o contrato de trabalho, o comprovativo de inscrição no ensino ou a prova de recursos. Ter esses papéis na pasta evita voltar outro dia.

Quem vai viver de renda

A lei não fixa um valor em euros para os recursos suficientes. Leve extratos dos últimos meses, o comprovativo da aposentadoria ou dos aluguéis no Brasil e a apólice do seguro de saúde, se for o seu caso.

Uma conta em Portugal também ajuda a mostrar os recursos. O guia de conta bancária em Portugal explica como abrir a conta, inclusive antes da mudança.

Documentos dos filhos e dos familiares europeus

Os filhos e o cônjuge que também têm cidadania europeia fazem o seu próprio CRUE na câmara, como titulares ou como familiares. Cada um sai com o seu certificado.

Filhos menores

Em Lisboa, o pedido do menor é feito pelos representantes legais, com o documento do menor e a prova de filiação, como a certidão de nascimento. As crianças até um ano não pagam o certificado.

No Porto, o menor tem de estar presente no atendimento, qualquer que seja a idade, acompanhado por quem tem as responsabilidades parentais. Se faltar um dos pais, a câmara pede procuração autêntica ou a decisão judicial de guarda.

Cônjuge ou filho europeu que reside como familiar

O artigo 14.º da lei pede o documento de identificação, a prova da relação familiar, quando não resulta do próprio documento, e o CRUE do titular. Para os filhos maiores de 21 anos e os pais, pede também a prova de que estão a cargo.

E os familiares só brasileiros?

O cônjuge e os filhos que só têm cidadania brasileira não fazem o CRUE. Eles pedem o cartão de residência de familiar nas Lojas AIMA, no mesmo prazo, com a lista de documentos da própria AIMA.

Para marcar, a AIMA pede uma inscrição prévia pelo formulário de contacto, escolhendo o assunto do cartão de residente da União Europeia. Só depois o atendimento presencial é agendado numa Loja AIMA.

A lista da AIMA

A página do cartão de familiar pede passaporte válido, cópia das páginas com movimentos, o documento do titular europeu, como o CRUE, o termo de responsabilidade assinado por ele e a prova do vínculo.

As certidões brasileiras

Para os casados, a AIMA pede a certidão de narrativa completa do casamento, que no Brasil é a certidão em inteiro teor, com apostila da Haia. Para os filhos, o assento de nascimento. Na união de facto, as certidões de nascimento de ambos e a prova de vida em comum há pelo menos dois anos.

O passo a passo está no artigo sobre o cartão de residência familiar de cidadão europeu. Se alguma certidão foi emitida num país da União, veja os documentos da União Europeia sem apostila.

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CRUE e cartão da família com acompanhamento jurídico

Organizamos a documentação, marcamos a câmara e a AIMA na janela certa e acompanhamos cada pedido até a emissão do certificado e do cartão.

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Quanto custa o CRUE e como pagar?

O valor é fixado pela Portaria n.º 1334-D/2010, alterada pela Portaria n.º 13/2024. Na Câmara de Lisboa, a emissão custa 18 euros para maiores de 25 anos e 15 euros para os mais novos, e é gratuita para crianças até um ano.

Forma de pagamento

Lisboa aceita dinheiro, Multibanco e cheque, e o valor é cobrado por certificado. Numa família de quatro pessoas com cidadania europeia, cada uma paga o seu, de acordo com a idade.

Renovação e alteração de dados

Em Lisboa, a renovação e a alteração de dados, como a mudança de morada, custam o mesmo que a emissão. O cancelamento, quando você sai de Portugal de vez, não tem custo.

Perda ou roubo do certificado

Em Lisboa, o pedido por extravio ou roubo exige a declaração da PSP. Guarde uma cópia digital do certificado logo depois de o receber, porque ela facilita o novo pedido e serve de prova enquanto espera.

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O familiar só brasileiro não faz o CRUE: pede o cartão de residência na AIMA.

Prazo para pedir e para receber

O pedido é feito nos 30 dias seguintes aos três primeiros meses em Portugal, conforme o artigo 14.º da lei. Perder o prazo é contraordenação, com coima prevista no artigo 30.º, e por isso vale a pena marcar a data cedo.

Quanto tempo demora a emissão

A lei diz que o certificado é emitido no ato do registo, e o Porto informa que o atendimento presencial é resolvido na hora. Pelo pedido online, o Porto responde em até 10 dias úteis, e a AIMA fala num prazo mínimo de um mês.

Atendimento com marcação

Lisboa atende nas Lojas Lisboa da Baixa, de Entrecampos, de Marvila e do Saldanha, com agendamento possível. No Porto, a marcação é feita pela Linha Porto. Em cada câmara, confirme o canal antes de ir.

Lisboa exige a presença física de quem faz o pedido, e o Porto a presença do menor. Por isso, marque um horário em que toda a família possa ir junta, com as pastas organizadas.

Erros comuns com os documentos do CRUE

Quase todas as idas e voltas ao balcão têm a mesma origem. Estes são os erros que eu mais vejo nas famílias que fazem o registo:

  1. ir à câmara antes de ter a prova de morada no município;
  2. levar o passaporte brasileiro em vez do documento europeu;
  3. esquecer a certidão de nascimento dos filhos menores;
  4. ir ao atendimento sem um dos pais, quando a câmara exige os dois ou procuração;
  5. marcar o CRUE e esquecer o cartão do cônjuge brasileiro na AIMA.

Atenção: as regras práticas mudam de câmara para câmara. Antes de ir, leia a página oficial do seu município, como as de Lisboa e do Porto citadas aqui, e confirme a lista atual.

Como montar a pasta da família

A forma mais simples é ter uma pasta por pessoa, com o documento de identificação, as certidões e uma cópia de cada papel. Na pasta do titular, junte também a prova de morada, que serve a toda a família.

No Brasil

Peça as certidões de casamento e de nascimento em inteiro teor, com apostila, e confira a validade dos passaportes. São os papéis mais difíceis de conseguir à distância, e eu recomendo tratar deles antes de comprar a passagem.

Se ainda vai escolher a cidade, lembre que a morada decide em que câmara é feito o registo. O guia de morar em Portugal ajuda a comparar regiões antes de fechar o arrendamento.

Em Portugal

Arrende a casa, peça o NIF e organize a prova de morada. Com ela em mãos, marque a câmara e a AIMA. Para a vida no país, veja o guia de morar em Portugal com família.

Se você quer que um advogado confira a documentação e acompanhe o registo e o cartão da família, conheça a nossa assessoria para morar em Portugal.

Este texto faz parte do guia completo sobre o CRUE em Portugal. Se o seu próximo passo for outro, veja também os textos sobre como tirar o CRUE em Portugal, CRUE em Lisboa e no Porto e validade do CRUE, escritos com base nas mesmas fontes oficiais.

Perguntas frequentes

A seguir, as dúvidas mais comuns sobre os documentos do CRUE.

Quais são os documentos necessários para o CRUE?

Pela lei, o passaporte ou documento de identidade europeu válido e uma declaração sob compromisso de honra. As câmaras pedem também a prova de morada no município, como o contrato de arrendamento.

A declaração sob compromisso de honra tem modelo?

Tem. A Câmara do Porto informa que a declaração é fornecida no balcão, no momento do atendimento. Nela você indica se trabalha, se tem recursos suficientes ou se estuda em Portugal.

Que prova de morada a câmara aceita?

No Porto, o atestado da Junta de Freguesia, o contrato de arrendamento com recibo eletrónico, a certidão predial ou de domicílio fiscal e a declaração de estudante. Cada câmara publica a sua lista.

O meu marido brasileiro também faz o CRUE?

Não. O familiar só brasileiro pede o cartão de residência de familiar na AIMA, com passaporte, certidão de casamento apostilada, o seu CRUE e o termo de responsabilidade assinado por você.

Quanto custa o CRUE?

Na Câmara de Lisboa, 18 euros para maiores de 25 anos, 15 euros para menores de 25 e nada para crianças até um ano. O valor é cobrado por certificado, para cada pessoa.

Rodrigo Maranhão, advogado

Quem escreve

Rodrigo Maranhão

Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.

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Fontes oficiais consultadas

  • Lei n.º 37/2006, de 9 de agosto (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)
  • AIMA: certificado de registo para nacionais UE (consultado em 25/10/2026)
  • AIMA: cartão de residência para familiares de nacionais UE (consultado em 25/10/2026)
  • Câmara Municipal de Lisboa: registo de cidadão da União Europeia (consultado em 25/10/2026)
  • Câmara Municipal do Porto: certificado de registo do cidadão da UE (consultado em 25/10/2026)

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