Rodrigo Maranhão
Por Rodrigo MaranhãoAdvogado em Lisboa · Atualizado em 25/10/2026
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Uma franquia em Portugal pode ser o negócio do visto D2 para quem quer mudar de país com um modelo já testado, mas o consulado avalia a sua empresa e o seu investimento, e não apenas a força da marca.

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Avalie a sua franquia antes de assinar

A equipe analisa o contrato de franquia junto com o projeto do visto, para que valores, prazos e obrigações não criem problemas no consulado nem na AIMA.

Contratar análise do caso

Franquia serve para o visto D2?

Sim. O artigo 60.º, n.º 2, da Lei n.º 23/2007 fala em operações de investimento em Portugal, sem limitar o tipo de negócio. Uma unidade franqueada é uma operação de investimento como outra qualquer.

O que o consulado avalia

O consulado olha para a sua empresa, o seu investimento e a sua capacidade de viver em Portugal. A marca ajuda a mostrar que o modelo funciona, mas não substitui a declaração de investimento nem os meios de subsistência.

Por que tantos brasileiros pensam em franquia

A franquia oferece um modelo de negócio pronto, formação e apoio do franqueador. Para quem vai mudar de país e de mercado ao mesmo tempo, isso reduz parte do risco de começar do zero.

Resumo: franquia e visto D2

A tabela mostra como cada parte de uma franquia entra no processo do D2. Use-a para conferir se a proposta do franqueador cobre tudo o que o consulado vai pedir.

EtapaO que aconteceDocumento para o D2
Escolha da marcaAnálise do franqueador e do modeloApresentação da rede
Contrato de franquiaDireitos, taxas e territórioContrato ou pré-contrato
Empresa portuguesaSociedade do franqueadoCertidão e pacto social
InvestimentoTaxa, obras, equipamento, stockDeclaração e comprovativos
Plano de negóciosProjeções da unidadePlano com natureza, valor e duração
Subsistência da famíliaReserva separada do negócioExtratos em Portugal

Como funciona uma franquia em Portugal

Na franquia, o franqueador cede o uso da marca, do modelo de negócio e do saber fazer. O franqueado abre e gere a unidade, paga as taxas combinadas e segue as regras da rede. Tudo isso fica escrito no contrato de franquia.

Quem é o franqueado no D2

Para o visto, o franqueado deve ser a sua empresa portuguesa, e não você em nome individual, porque é a sociedade que você vai apresentar ao consulado. O contrato de franquia é assinado pela sociedade, que é também quem aluga o espaço, contrata funcionários e fatura.

Marcas portuguesas e marcas estrangeiras

Há redes portuguesas e redes estrangeiras com presença em Portugal, incluindo algumas brasileiras. Uma rede que já opera no país conhece as licenças, os fornecedores e o consumidor local, o que costuma pesar a favor do projeto.

Uma rede que ainda não tem unidades em Portugal não está excluída, mas exige mais cuidado. Nesse caso, você será um dos primeiros franqueados no país, e o plano precisa mostrar como a marca vai se adaptar ao mercado português.

Quanto custa abrir uma franquia em Portugal?

Não existe um valor padrão. O investimento depende do setor, do tamanho da unidade e da cidade. Em geral, ele junta a taxa de entrada da rede, as obras, os equipamentos, o stock inicial e o fundo de maneio.

As taxas da rede

Além da taxa de entrada, muitas redes cobram royalties mensais e uma contribuição para marketing. Peça ao franqueador a lista completa dos valores que você vai pagar, por escrito, e inclua todos eles nas projeções do plano de negócios.

A lei não fixa mínimo

A lei do D2 não fixa um valor mínimo de investimento. O que importa é que o valor seja coerente com o negócio e esteja provado. Uma franquia barata, mas bem planeada, pode ser mais convincente do que uma cara e mal explicada.

Lembre que o investimento e a reserva da família são contas diferentes. Pela AIMA, a referência dos meios de subsistência é o salário mínimo, que a DGERT fixa em 920 euros por mês em 2026.

Fachada de uma pequena loja de rua num bairro histórico de Portugal
Na franquia, a marca vem pronta, mas a empresa e o ponto comercial são seus.

Como escolher a franquia certa?

A escolha da rede é a decisão mais importante do projeto. Uma marca conhecida no Brasil pode ser desconhecida em Portugal, e um setor que cresce em São Paulo pode estar saturado em Lisboa.

Perguntas para fazer ao franqueador

  • quantas unidades a rede tem em Portugal e há quanto tempo;
  • quantas unidades fecharam nos últimos anos e por quê;
  • que formação e apoio são dados ao franqueado estrangeiro;
  • qual o território exclusivo de cada unidade;
  • quais são todas as taxas, iniciais e mensais.

Fale com outros franqueados

Peça contactos de franqueados que já operam em Portugal e converse com eles. Eles contam o que os materiais de venda não contam: o tempo real até o lucro, o apoio de verdade e os custos que aparecem depois.

Eu recomendo desconfiar de promessas de retorno rápido. Uma rede séria mostra números reais, explica os riscos e não pressiona para assinar antes de você analisar o contrato com calma.

A marca está protegida em Portugal?

Antes de investir, você deve confirmar se a marca da rede está registada para Portugal. O registo pode ser nacional, no INPI, ou da União Europeia, no EUIPO. Uma marca sem registo é um risco para o seu investimento.

O problema da marca não registada

Se outra empresa tiver registado um nome igual ou parecido em Portugal, a rede pode ser obrigada a mudar de nome. Para o franqueado, isso significa refazer fachada, materiais e comunicação, com custos que ninguém previu.

Atenção: peça ao franqueador o número do registo da marca e confirme-o nas bases públicas. É uma verificação simples, que evita um dos problemas mais caros que uma franquia pode ter.

O contrato de franquia e o visto

O contrato define a relação com a rede durante anos. Para o D2, ele também é uma prova do investimento e do projeto, e por isso precisa estar em linha com o plano de negócios e com a declaração entregue no consulado.

As cláusulas que mais pesam

Olhe com atenção para a duração do contrato, a renovação, o território, as taxas, as obrigações de compra a fornecedores da rede e as condições de saída. Uma cláusula de rescisão fácil pelo franqueador pode deixar a sua empresa sem negócio e o seu visto sem base.

Veja também a lei aplicável e o foro do contrato. Um contrato regido pela lei de outro país, com litígios resolvidos fora de Portugal, pode tornar muito caro defender os seus direitos se algo correr mal com a rede.

Pré-contrato antes do visto

Talvez você não queira assinar o contrato definitivo antes de ter o visto, e isso é compreensível. Uma alternativa é negociar um pré-contrato ou uma carta de intenções, que mostre ao consulado o compromisso das duas partes e as condições principais.

A empresa portuguesa do franqueado

A unidade franqueada precisa de uma empresa em Portugal. Na maioria dos casos, a escolha é uma sociedade por quotas ou uma sociedade unipessoal, criada antes ou logo depois do pedido do visto.

Os passos da empresa

Cada sócio precisa de NIF português. A empresa pode ser criada no serviço Empresa na Hora, que custa 360 euros no pedido normal, e precisa de um contabilista certificado. O guia sobre abrir empresa em Portugal explica o resto.

Depois vem a conta bancária da empresa, onde ficam o capital e o dinheiro do investimento. É desta conta que saem os extratos que vão para o consulado.

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Franquia e visto D2 no mesmo plano

Coordenamos o contrato com o franqueador, a empresa em Portugal e a pasta do consulado, para que todos os documentos contem a mesma história.

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O plano de negócios da franquia

O MNE pede a declaração de investimento «com indicação da sua natureza, valor e duração». Na franquia, boa parte desses dados vem do franqueador, mas o plano deve ser da sua unidade, na sua cidade, com os seus números.

O que adaptar do material da rede

As projeções da rede costumam ser médias. Ajuste-as ao aluguel do seu ponto, ao público do bairro e ao seu calendário. Junte orçamentos de obras e equipamentos, e mostre de onde vem o dinheiro e em que conta portuguesa ele está.

Para comparar custos entre regiões, veja as cidades mais baratas para viver em Portugal. O aluguel do espaço comercial e o da casa da família entram no mesmo orçamento.

Quem não tem experiência no setor pode usar franquia?

Pode, e esse é um dos principais argumentos da franquia para quem, como você, vai mudar de país e de setor. A formação e o acompanhamento da rede ajudam a compensar a falta de experiência no setor, e o plano de negócios deve deixar isso bem explicado.

Como mostrar isso no pedido

Descreva o programa de formação da rede, a duração, quem dá o apoio e como ele continua depois da abertura. Se possível, junte uma declaração do franqueador sobre o apoio ao franqueado estrangeiro.

A sua experiência anterior também conta, mesmo noutro setor. Gestão de equipes, atendimento ao cliente e controlo financeiro são competências que servem em quase todas as franquias.

Mostre essas competências com provas: contratos sociais de empresas anteriores, cartas de antigos empregadores ou certificados de cursos de gestão, com Apostila quando forem documentos públicos brasileiros.

Ribeira do Porto e o rio Douro
A cidade escolhida para a unidade muda o mercado, o aluguel e o custo de vida da família.

Os riscos de uma franquia no D2

Uma franquia reduz alguns riscos, mas cria outros. Conhecê-los antes de assinar é a melhor forma de proteger o investimento e o visto da família.

Os riscos mais comuns

Taxas que tornam a unidade pouco rentável, territórios mal definidos, obrigação de comprar a fornecedores caros e contratos difíceis de terminar estão entre os problemas mais frequentes. Todos aparecem no contrato, e todos podem ser analisados antes.

Outro risco é a dependência do franqueador. Se a rede mudar de estratégia, subir as taxas ou perder força no mercado, a sua unidade sente o efeito, e por isso o contrato deve prever o que acontece nesses cenários.

Atenção: se a franquia fechar, a base do seu título de residência fica fragilizada. Planeie com reservas para os primeiros meses e fale com um advogado antes de encerrar ou vender a unidade.

Em que cidade abrir a franquia?

A cidade da unidade é também a cidade onde você e a família vão viver. Por isso, a escolha precisa equilibrar o potencial do negócio com o custo de vida, a escola dos filhos e a rotina que você quer ter em Portugal.

Mercado grande ou custo menor

Lisboa e Porto têm mais clientes, mas também aluguéis mais altos e mais concorrência. Cidades médias podem ter menos unidades da rede e custos menores. Compare as cidades mais caras de Portugal com as alternativas antes de escolher o ponto.

Converse com a rede sobre o território

Pergunte ao franqueador que territórios ainda estão livres e que dados ele tem sobre cada um. Se você ainda está a decidir se a mudança faz sentido, o artigo sobre se vale a pena morar em Portugal ajuda a pensar no conjunto.

O que acontece depois do visto?

Com o visto aprovado, você tem quatro meses e duas entradas para chegar e pedir a autorização de residência, segundo o MNE. O pedido do visto custa 110 euros, pela Portaria n.º 91/2025/1, e tem prazo de decisão de 60 dias, segundo o gov.pt.

A franquia em funcionamento

Na AIMA, você precisa mostrar que constituiu a sociedade, tem meios de subsistência, alojamento e inscrição na segurança social. Uma unidade já aberta, ou em obras com prazos claros, é a melhor prova de que o projeto saiu do papel.

Eu sugiro alinhar com o franqueador a data de abertura antes de marcar a viagem. Assim, você chega a Portugal com a formação agendada, o ponto escolhido e um calendário que conversa com o prazo do visto.

Como transformar a franquia num D2 bem-sucedido

Se você seguir esta ordem, a franquia e o visto caminham juntos, sem pressas que criem problemas:

  1. escolha a rede com base em dados de Portugal, não do Brasil;
  2. confirme o registo da marca e fale com outros franqueados;
  3. analise o contrato ou o pré-contrato com um advogado;
  4. crie a empresa portuguesa e abra a conta bancária;
  5. monte o plano da sua unidade com números reais;
  6. reúna os meios de subsistência e os documentos da família;
  7. entregue o pedido do visto e prepare a chegada.

Se a franquia não for o seu caminho, compare com o visto D7 ou com o guia sobre morar em Portugal com família. Para analisar a franquia e o visto juntos, a equipe do escritório pode ajudar desde a primeira conversa.

Este texto faz parte do guia completo do visto D2 Portugal. Se o seu próximo passo for outro, veja também comprar empresa em Portugal com o visto D2 e que negócio abrir com o visto D2, escritos com a mesma base nas fontes oficiais.

Perguntas frequentes

A seguir, respondemos às dúvidas mais comuns sobre franquia em Portugal e o visto D2.

Franquia serve para o visto D2?

Sim. A Lei n.º 23/2007 fala em operações de investimento em Portugal sem limitar o tipo de negócio. A unidade franqueada deve pertencer à sua empresa portuguesa e estar provada no plano e nos comprovativos.

Quanto custa abrir uma franquia em Portugal?

Depende da rede, do setor e da cidade. O investimento costuma juntar taxa de entrada, obras, equipamentos, stock e fundo de maneio, além de royalties mensais. A lei do D2 não fixa valor mínimo.

Preciso assinar o contrato de franquia antes do visto?

Não necessariamente. Um pré-contrato ou uma carta de intenções com as condições principais pode mostrar o compromisso ao consulado. O importante é que o documento seja coerente com o plano e com a declaração.

Posso usar franquia sem experiência no setor?

Pode. A formação e o apoio da rede ajudam a compensar a falta de experiência, e o plano de negócios deve explicar esse apoio. A sua experiência em gestão, mesmo noutro setor, também conta.

Como saber se a marca da franquia está protegida em Portugal?

Peça ao franqueador o número do registo e confirme-o nas bases públicas do INPI, para Portugal, ou do EUIPO, para a União Europeia. Uma marca sem registo é um risco para o investimento.

Rodrigo Maranhão, advogado

Quem escreve

Rodrigo Maranhão

Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.

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Assessoria completa para o visto D2

Da análise da franquia à autorização de residência, com advogados inscritos em Portugal e no Brasil e escritório em Lisboa.

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Fontes oficiais consultadas

  • Portaria n.º 91/2025/1, de 10 de março (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)
  • Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, versão consolidada (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)
  • MNE, Documentação instrutória dos vistos nacionais (consultado em 25/10/2026)
  • AIMA, Meios de subsistência (consultado em 25/10/2026)
  • DGERT, Retribuição mínima mensal garantida para 2026 (consultado em 25/10/2026)
  • IRN, Criar Empresa na Hora (consultado em 25/10/2026)
  • INPI, Instituto Nacional da Propriedade Industrial (consultado em 25/10/2026)
  • EUIPO, Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (consultado em 25/10/2026)

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