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O visto de nômade digital na Espanha com família permite levar cônjuge, filhos e até pais a cargo. Cada pessoa aumenta a renda exigida, e todos apresentam documentos próprios, com regras da Lei 14/2013.
Neste texto, você vê quem pode ir junto, quanto a família precisa somar em 2026, o que cada familiar prova e por que o direito de trabalhar faz diferença na escolha do país.
Assessoria jurídica
Assessoria para levar a sua família para a Espanha
A equipe confere quem da família pode ir junto, faz a conta da renda de 2026 e organiza os documentos de cada pessoa.
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ToggleQuem da família pode ir junto?
O artigo 62.4 da Lei 14/2013 lista os familiares que podem acompanhar o titular de um visto ou autorização da seção de mobilidade internacional, que inclui o teletrabalho. São quatro grupos de pessoas, cada um com uma condição própria:
- O cônjuge ou a pessoa com relação de afetividade análoga à conjugal.
- Os filhos menores de idade.
- Os filhos maiores que dependem do titular e não formaram família própria.
- Os ascendentes que estão a cargo do titular.
Irmãos e outros parentes
A lista do artigo 62.4 não inclui irmãos, sobrinhos, tios nem netos. Esses parentes precisam de um visto próprio, com requisitos próprios, e não entram no pedido do nômade digital como familiares.
Se você pensa em levar um parente que não está na lista, vale estudar o visto dele em separado e ao mesmo tempo. Assim, os dois pedidos andam em paralelo, cada um com as suas regras e a sua própria prova.
Resumo: a família no visto de nômade digital
A tabela mostra a renda que a família precisa provar em 2026, com base no SMI de 1.221 € do Real Decreto 126/2026:
| Composição | 14 pagamentos | 12 meses | Por ano |
|---|---|---|---|
| Titular sozinho | 2.442 € | 2.849 € | 34.188 € |
| Titular + 1 | 3.357,75 € | 3.917,38 € | 47.008,50 € |
| Titular + 2 | 3.663 € | 4.273,50 € | 51.282 € |
| Titular + 3 | 3.968,25 € | 4.629,63 € | 55.555,50 € |
| Titular + 4 | 4.273,50 € | 4.985,75 € | 59.829 € |
A coluna de 12 meses é a mais útil para quem recebe em parcelas mensais, como a maioria dos brasileiros. É esse o valor que você deve comparar com a renda que entra na sua conta todo mês.
Como se calcula a renda da família?
As perguntas frequentes da UGE e o consulado de São Paulo usam a mesma regra. O titular precisa de 200% do SMI. A segunda pessoa da família soma 75% do SMI, e cada pessoa a partir da terceira soma mais 25%.
A conta em três passos
Some os percentuais de todos: 200% do titular, 75% da segunda pessoa e 25% por cada uma das outras. Aplique o total sobre 1.221 €. O resultado é o valor por pagamento, em 14 pagamentos por ano.
Para passar para 12 meses, multiplique o valor por 14 e divida por 12. Por exemplo, um casal soma 275% do SMI, o que dá 3.357,75 € por pagamento e 3.917,38 € por mês em 12 meses.
Por que existem dois números
O salário espanhol é contado em 14 pagamentos, e o decreto do SMI fixa um mínimo anual de 17.094 €. A explicação completa, com cada conta, está no texto sobre a renda mínima do visto de nômade digital na Espanha.
Atenção: o consulado confere a renda pela média em 12 meses. Por isso, o número que a sua família precisa atingir é o da coluna de 12 meses da tabela, e não o valor em 14 pagamentos.
Se a renda fica perto do limite, cada pessoa a mais pesa. Antes de decidir levar todos de uma vez, você pode simular a conta com e sem cada familiar e ver qual composição fecha com folga.
Cônjuge ou companheiro: o que provar?
O cônjuge prova o casamento com a certidão de casamento. Quem vive em união estável entra como pessoa com relação de afetividade análoga à conjugal, pelo artigo 62.4, e prova a relação com o registro da união ou outro documento oficial.
Certidão atualizada
A certidão de casamento brasileira precisa de apostila para valer na Espanha, porque o Brasil aplica a Convenção da Haia desde 14 de agosto de 2016. A apostila é posta pelo cartório habilitado pelo CNJ, sobre o documento original.
Se você se casou há muitos anos, vale pedir uma certidão nova antes da apostila. O consulado explica que a apostila não caduca, mas acompanha a validade do documento em que foi posta.
União estável sem registro
Quem vive junto sem nenhum registro oficial tem mais trabalho para provar a relação. Nesses casos, o caminho mais seguro costuma ser formalizar a união em cartório antes de montar a pasta, para ter um documento público apostilável.
A escritura de união estável feita em cartório costuma resolver a prova. Com ela apostilada, você tem um documento público que o consulado consegue ler da mesma forma que uma certidão de casamento.
Filhos menores de idade
Os filhos menores entram no pedido apenas com a prova do vínculo, que é a certidão de nascimento apostilada. Eles não precisam provar dependência, porque a lei presume que o filho menor está a cargo dos pais.
Filhos de só um dos cônjuges, como enteados, merecem atenção especial. Nesses casos, você precisa mostrar o vínculo de cada criança com quem pede e, em regra, a concordância do outro genitor com a mudança.
Autorização do outro genitor
Quando só um dos pais muda com a criança, a autorização do outro genitor costuma ser necessária para a saída do Brasil e para a residência no exterior. Esse ponto depende do caso e deve ser resolvido antes do pedido.
Também vale conferir a validade do passaporte de cada criança. O consulado de São Paulo pede passaporte com mais de um ano de validade e emitido há menos de dez anos, e essa regra vale para todos.
Para os filhos em idade escolar, você também deve pensar na matrícula na Espanha. A escola não entra no pedido do visto, mas costuma pedir documentos do histórico escolar, que vale apostilar junto com as certidões.
Filhos maiores: quando podem ir?
O artigo 62.4 permite levar filhos maiores de idade que dependem do titular e que não formaram família própria. As duas condições precisam ser provadas juntas, e a segunda costuma ser mais simples do que a primeira.
Como provar a dependência
O consulado de São Paulo pede documentos que mostrem a dependência econômica do filho maior. Comprovantes de transferências regulares do titular, matrícula em curso e a falta de renda própria costumam aparecer juntos nessa prova.
O filho maior de idade também apresenta a certidão de antecedentes criminais e a declaração responsável, como qualquer adulto do pedido. A regra dos dois anos de certidão e dos cinco anos de declaração vale para ele.
Atenção: um filho maior que já tem cônjuge ou filhos próprios formou família própria e sai da regra do artigo 62.4. Nesse caso, ele precisa de um visto próprio para morar na Espanha.
Pais e sogros podem ir junto?
Os pais do titular podem, desde que estejam a cargo dele. O artigo 62.4 e as perguntas frequentes da UGE falam só em ascendentes a cargo, sem dizer se a regra cobre também os pais do cônjuge. Por isso, o pedido dos sogros merece análise própria antes de montar a pasta.
O que é estar a cargo
Estar a cargo significa depender economicamente do titular. A prova costuma juntar as transferências regulares para os pais, a falta de renda suficiente deles e a relação de parentesco, provada pela certidão de nascimento do titular.
Cada caso de ascendente merece análise própria. Na prática, eu peço que a família reúna pelo menos alguns meses de transferências antes do pedido, porque a dependência precisa ser anterior à mudança, e não criada para o visto.
Também vale pensar no seguro dos pais, que costuma ser mais caro por causa da idade. Se você vai levar ascendentes, peça cotações cedo, porque o seguro precisa cumprir as mesmas regras do seu, sem carências nem copagamentos.

A família pode trabalhar na Espanha?
Pode. As perguntas frequentes da UGE lembram que a disposição adicional quarta da Lei 14/2013 permite aos familiares residir e trabalhar sem restrições, por conta própria ou por conta de outrem, desde que tenham a autorização de familiar.
Uma vantagem prática
Com isso, o cônjuge pode aceitar um emprego numa empresa espanhola ou abrir a própria atividade, sem pedir outra autorização. O limite de trabalhar só para empresas de fora vale para o titular, e não para os familiares.
Essa regra muda a conta de muitas famílias. A renda que o cônjuge passar a ganhar na Espanha não entra na prova inicial, mas ajuda na vida no país e pode pesar na renovação, quando as condições são conferidas de novo.
Eu costumo mostrar essa regra logo na primeira conversa, porque ela pesa na escolha entre Espanha e Portugal. Para muitas famílias, o direito do cônjuge de trabalhar desde a chegada é o que decide o país.
Pedido junto ou depois do titular?
O artigo 62.4 permite que os familiares peçam o visto ou a autorização junto com o titular, de forma simultânea, ou depois dele, de forma sucessiva. Quando os pedidos são simultâneos, a lei manda que a decisão saia ao mesmo tempo para todos.
Pedido junto
O pedido simultâneo é o caminho mais comum, porque a família muda junta e as autorizações começam e terminam nas mesmas datas. Isso facilita as renovações futuras, que podem ser feitas em conjunto.
Na prática, o pedido simultâneo também simplifica a prova: os mesmos extratos e contratos do titular servem para todos, e a análise olha para a família inteira de uma só vez.
Pedido depois
O pedido sucessivo serve, por exemplo, para quem quer se instalar primeiro e trazer a família alguns meses depois. Nesse caso, a renda do titular precisa cobrir todos no momento em que o familiar faz o pedido.
Se você escolher esse caminho, lembre que a renda é conferida de novo quando o familiar pede. Se o SMI tiver subido nesse meio-tempo, a conta é refeita com o valor do novo ano, e não com o do seu pedido.
Que documentos cada familiar apresenta?
Cada familiar cumpre os requisitos gerais do artigo 62.3 da Lei 14/2013 e apresenta a sua própria pasta. Os documentos que costumam aparecer em todas as pastas de familiares são estes:
- Formulário de visto nacional e foto recente.
- Passaporte válido por mais de um ano.
- Certidão de casamento, de nascimento ou registro da união, com apostila.
- Seguro de saúde próprio, sem carências nem copagamentos.
- Antecedentes criminais e declaração responsável, para os maiores de idade.
- Prova de dependência, para filhos maiores e ascendentes.
Apostila e tradução
Os documentos públicos brasileiros levam apostila de cartório habilitado pelo CNJ. Os documentos em português precisam de tradução juramentada para o espanhol; o consulado indica os tradutores jurados nomeados pelo Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha, cujas traduções dispensam apostila. A lista completa está no guia dos documentos do visto de nômade digital na Espanha.
Quanto a família paga de taxas?
Na autorização de residência pedida à UGE, cada pessoa paga a sua própria taxa de 73,26 € no pedido inicial, segundo as perguntas frequentes da UGE. Uma família de quatro pessoas paga 293,04 € só de taxas da UGE.
No visto pedido no consulado, cada familiar também paga a taxa do visto na entrega: na tabela de taxas consulares da Embaixada em Brasília, de janeiro de 2026, o visto nacional custa R$ 570 por pessoa, o mesmo valor da tabela do Consulado-Geral em São Paulo.
O NIE tem taxa própria, de R$ 62. Uma família de quatro pessoas paga R$ 2.280 só de taxas de visto. Somam-se as certidões, as apostilas, as traduções e os seguros de saúde, que crescem com o tamanho da família.
Na hora de montar o orçamento, você deve somar todos esses custos por pessoa, e não só os do titular. Em famílias grandes, as certidões, as apostilas e os seguros podem pesar mais do que as próprias taxas.

Seguro de saúde para cada pessoa
O seguro de saúde é exigido para o titular e para cada familiar. Ele precisa ser de uma seguradora autorizada a operar na Espanha e cobrir os riscos do sistema público, sem carências nem copagamentos, como dizem as perguntas frequentes da UGE.
Uma apólice familiar pode cobrir todos ao mesmo tempo, desde que o nome de cada pessoa apareça no certificado. O seguro de viagem não serve, mesmo que a cobertura seja alta e inclua a família inteira.
Atenção: o seguro precisa estar em vigor para cada familiar desde a entrada na Espanha. Se você contratar só para o titular, o pedido dos familiares fica incompleto e pode ser recusado.
Próximos passos para a família
Comece pela conta da renda com o número de pessoas que vão junto e confira se ela fecha com folga. Depois, peça as certidões de cada familiar, com apostila, e escolha um seguro que cubra todos desde o primeiro dia.
Para ver todos os requisitos do titular, da empresa à renovação, leia o guia completo do visto de nômade digital na Espanha. Se você ainda compara os dois países, veja o texto nômade digital: Portugal ou Espanha.
Para a mudança da família como um todo, com escola, moradia e documentos, veja a nossa assessoria para morar na Espanha.
Assessoria jurídica
Pedido da família revisado antes do consulado
Revisamos certidões, apostilas, traduções, seguros e a prova de dependência de cada familiar.
Quero revisar o pedido da famíliaPerguntas frequentes
A seguir, as dúvidas mais comuns sobre o visto de nômade digital na Espanha com família.
Quem da família pode ir com o nômade digital na Espanha?
Pelo artigo 62.4 da Lei 14/2013, podem ir o cônjuge ou companheiro, os filhos menores, os filhos maiores dependentes que não formaram família própria e os ascendentes a cargo do titular.
Quanto uma família de quatro pessoas precisa de renda em 2026?
Titular, cônjuge e dois filhos somam 325% do SMI. Em 2026, isso dá 3.968,25 € em 14 pagamentos, ou 4.629,63 € por mês em 12 meses.
O cônjuge do nômade digital pode trabalhar na Espanha?
Pode. Pela disposição adicional quarta da Lei 14/2013, os familiares com autorização podem residir e trabalhar sem restrições, por conta própria ou para empresas espanholas.
A família precisa pedir o visto junto com o titular?
Não. O artigo 62.4 permite pedido simultâneo ou sucessivo. Quando os pedidos são feitos juntos, a decisão sai ao mesmo tempo para o titular e para os familiares.
União estável vale para o visto de nômade digital?
Vale. A lei fala em relação de afetividade análoga à conjugal. A união precisa ser provada com documento oficial, como o registro em cartório, com apostila.

Quem escreve
Rodrigo Maranhão
Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.
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Mudança da família inteira com orientação jurídica
Do visto à residência e às renovações, a sua família tem acompanhamento em cada etapa da vida na Espanha.
Falar sobre a mudança da famíliaFontes oficiais consultadas
- Visado de residencia para teletrabajo (nómada digital) — Embajada de España en Brasilia, sección consular (exteriores.gob.es) (consultado em 25/10/2026)
- Tasas consulares, tabla de 01/01/2026 — Embajada de España en Brasilia (exteriores.gob.es) (consultado em 25/10/2026)
- Ley 14/2013, de 27 de septiembre, de apoyo a los emprendedores y su internacionalización, texto consolidado (arts. 62.3, 62.4 y disposición adicional cuarta) — BOE (consultado em 25/10/2026)
- Real Decreto 126/2026, de 18 de febrero, por el que se fija el salario mínimo interprofesional para 2026 — BOE (consultado em 25/10/2026)
- Preguntas frecuentes. Autorizaciones de residencia y trabajo de teletrabajadores internacionales — Unidad de Grandes Empresas y Colectivos Estratégicos (inclusion.gob.es) (consultado em 25/10/2026)
- Visado de residencia para teletrabajo (nómada digital) e Legalización y apostilla de la Haya — Consulado General de España en São Paulo (exteriores.gob.es) (consultado em 25/10/2026)