Rodrigo Maranhão
Por Rodrigo MaranhãoAdvogado em Lisboa e Madri · Atualizado em 25/10/2026
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O visto de nômade digital na Espanha com família permite levar cônjuge, filhos e até pais a cargo. Cada pessoa aumenta a renda exigida, e todos apresentam documentos próprios, com regras da Lei 14/2013.

Neste texto, você vê quem pode ir junto, quanto a família precisa somar em 2026, o que cada familiar prova e por que o direito de trabalhar faz diferença na escolha do país.

Assessoria jurídica

Assessoria para levar a sua família para a Espanha

A equipe confere quem da família pode ir junto, faz a conta da renda de 2026 e organiza os documentos de cada pessoa.

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Quem da família pode ir junto?

O artigo 62.4 da Lei 14/2013 lista os familiares que podem acompanhar o titular de um visto ou autorização da seção de mobilidade internacional, que inclui o teletrabalho. São quatro grupos de pessoas, cada um com uma condição própria:

  • O cônjuge ou a pessoa com relação de afetividade análoga à conjugal.
  • Os filhos menores de idade.
  • Os filhos maiores que dependem do titular e não formaram família própria.
  • Os ascendentes que estão a cargo do titular.

Irmãos e outros parentes

A lista do artigo 62.4 não inclui irmãos, sobrinhos, tios nem netos. Esses parentes precisam de um visto próprio, com requisitos próprios, e não entram no pedido do nômade digital como familiares.

Se você pensa em levar um parente que não está na lista, vale estudar o visto dele em separado e ao mesmo tempo. Assim, os dois pedidos andam em paralelo, cada um com as suas regras e a sua própria prova.

Resumo: a família no visto de nômade digital

A tabela mostra a renda que a família precisa provar em 2026, com base no SMI de 1.221 € do Real Decreto 126/2026:

Composição14 pagamentos12 mesesPor ano
Titular sozinho2.442 €2.849 €34.188 €
Titular + 13.357,75 €3.917,38 €47.008,50 €
Titular + 23.663 €4.273,50 €51.282 €
Titular + 33.968,25 €4.629,63 €55.555,50 €
Titular + 44.273,50 €4.985,75 €59.829 €

A coluna de 12 meses é a mais útil para quem recebe em parcelas mensais, como a maioria dos brasileiros. É esse o valor que você deve comparar com a renda que entra na sua conta todo mês.

Como se calcula a renda da família?

As perguntas frequentes da UGE e o consulado de São Paulo usam a mesma regra. O titular precisa de 200% do SMI. A segunda pessoa da família soma 75% do SMI, e cada pessoa a partir da terceira soma mais 25%.

A conta em três passos

Some os percentuais de todos: 200% do titular, 75% da segunda pessoa e 25% por cada uma das outras. Aplique o total sobre 1.221 €. O resultado é o valor por pagamento, em 14 pagamentos por ano.

Para passar para 12 meses, multiplique o valor por 14 e divida por 12. Por exemplo, um casal soma 275% do SMI, o que dá 3.357,75 € por pagamento e 3.917,38 € por mês em 12 meses.

Por que existem dois números

O salário espanhol é contado em 14 pagamentos, e o decreto do SMI fixa um mínimo anual de 17.094 €. A explicação completa, com cada conta, está no texto sobre a renda mínima do visto de nômade digital na Espanha.

Atenção: o consulado confere a renda pela média em 12 meses. Por isso, o número que a sua família precisa atingir é o da coluna de 12 meses da tabela, e não o valor em 14 pagamentos.

Se a renda fica perto do limite, cada pessoa a mais pesa. Antes de decidir levar todos de uma vez, você pode simular a conta com e sem cada familiar e ver qual composição fecha com folga.

Cônjuge ou companheiro: o que provar?

O cônjuge prova o casamento com a certidão de casamento. Quem vive em união estável entra como pessoa com relação de afetividade análoga à conjugal, pelo artigo 62.4, e prova a relação com o registro da união ou outro documento oficial.

Certidão atualizada

A certidão de casamento brasileira precisa de apostila para valer na Espanha, porque o Brasil aplica a Convenção da Haia desde 14 de agosto de 2016. A apostila é posta pelo cartório habilitado pelo CNJ, sobre o documento original.

Se você se casou há muitos anos, vale pedir uma certidão nova antes da apostila. O consulado explica que a apostila não caduca, mas acompanha a validade do documento em que foi posta.

União estável sem registro

Quem vive junto sem nenhum registro oficial tem mais trabalho para provar a relação. Nesses casos, o caminho mais seguro costuma ser formalizar a união em cartório antes de montar a pasta, para ter um documento público apostilável.

A escritura de união estável feita em cartório costuma resolver a prova. Com ela apostilada, você tem um documento público que o consulado consegue ler da mesma forma que uma certidão de casamento.

Filhos menores de idade

Os filhos menores entram no pedido apenas com a prova do vínculo, que é a certidão de nascimento apostilada. Eles não precisam provar dependência, porque a lei presume que o filho menor está a cargo dos pais.

Filhos de só um dos cônjuges, como enteados, merecem atenção especial. Nesses casos, você precisa mostrar o vínculo de cada criança com quem pede e, em regra, a concordância do outro genitor com a mudança.

Autorização do outro genitor

Quando só um dos pais muda com a criança, a autorização do outro genitor costuma ser necessária para a saída do Brasil e para a residência no exterior. Esse ponto depende do caso e deve ser resolvido antes do pedido.

Também vale conferir a validade do passaporte de cada criança. O consulado de São Paulo pede passaporte com mais de um ano de validade e emitido há menos de dez anos, e essa regra vale para todos.

Para os filhos em idade escolar, você também deve pensar na matrícula na Espanha. A escola não entra no pedido do visto, mas costuma pedir documentos do histórico escolar, que vale apostilar junto com as certidões.

Filhos maiores: quando podem ir?

O artigo 62.4 permite levar filhos maiores de idade que dependem do titular e que não formaram família própria. As duas condições precisam ser provadas juntas, e a segunda costuma ser mais simples do que a primeira.

Como provar a dependência

O consulado de São Paulo pede documentos que mostrem a dependência econômica do filho maior. Comprovantes de transferências regulares do titular, matrícula em curso e a falta de renda própria costumam aparecer juntos nessa prova.

O filho maior de idade também apresenta a certidão de antecedentes criminais e a declaração responsável, como qualquer adulto do pedido. A regra dos dois anos de certidão e dos cinco anos de declaração vale para ele.

Atenção: um filho maior que já tem cônjuge ou filhos próprios formou família própria e sai da regra do artigo 62.4. Nesse caso, ele precisa de um visto próprio para morar na Espanha.

Pais e sogros podem ir junto?

Os pais do titular podem, desde que estejam a cargo dele. O artigo 62.4 e as perguntas frequentes da UGE falam só em ascendentes a cargo, sem dizer se a regra cobre também os pais do cônjuge. Por isso, o pedido dos sogros merece análise própria antes de montar a pasta.

O que é estar a cargo

Estar a cargo significa depender economicamente do titular. A prova costuma juntar as transferências regulares para os pais, a falta de renda suficiente deles e a relação de parentesco, provada pela certidão de nascimento do titular.

Cada caso de ascendente merece análise própria. Na prática, eu peço que a família reúna pelo menos alguns meses de transferências antes do pedido, porque a dependência precisa ser anterior à mudança, e não criada para o visto.

Também vale pensar no seguro dos pais, que costuma ser mais caro por causa da idade. Se você vai levar ascendentes, peça cotações cedo, porque o seguro precisa cumprir as mesmas regras do seu, sem carências nem copagamentos.

Família caminhando numa praça de uma cidade espanhola
O cônjuge, os filhos e os ascendentes a cargo podem pedir junto com o titular ou depois dele.

A família pode trabalhar na Espanha?

Pode. As perguntas frequentes da UGE lembram que a disposição adicional quarta da Lei 14/2013 permite aos familiares residir e trabalhar sem restrições, por conta própria ou por conta de outrem, desde que tenham a autorização de familiar.

Uma vantagem prática

Com isso, o cônjuge pode aceitar um emprego numa empresa espanhola ou abrir a própria atividade, sem pedir outra autorização. O limite de trabalhar só para empresas de fora vale para o titular, e não para os familiares.

Essa regra muda a conta de muitas famílias. A renda que o cônjuge passar a ganhar na Espanha não entra na prova inicial, mas ajuda na vida no país e pode pesar na renovação, quando as condições são conferidas de novo.

Eu costumo mostrar essa regra logo na primeira conversa, porque ela pesa na escolha entre Espanha e Portugal. Para muitas famílias, o direito do cônjuge de trabalhar desde a chegada é o que decide o país.

Pedido junto ou depois do titular?

O artigo 62.4 permite que os familiares peçam o visto ou a autorização junto com o titular, de forma simultânea, ou depois dele, de forma sucessiva. Quando os pedidos são simultâneos, a lei manda que a decisão saia ao mesmo tempo para todos.

Pedido junto

O pedido simultâneo é o caminho mais comum, porque a família muda junta e as autorizações começam e terminam nas mesmas datas. Isso facilita as renovações futuras, que podem ser feitas em conjunto.

Na prática, o pedido simultâneo também simplifica a prova: os mesmos extratos e contratos do titular servem para todos, e a análise olha para a família inteira de uma só vez.

Pedido depois

O pedido sucessivo serve, por exemplo, para quem quer se instalar primeiro e trazer a família alguns meses depois. Nesse caso, a renda do titular precisa cobrir todos no momento em que o familiar faz o pedido.

Se você escolher esse caminho, lembre que a renda é conferida de novo quando o familiar pede. Se o SMI tiver subido nesse meio-tempo, a conta é refeita com o valor do novo ano, e não com o do seu pedido.

Que documentos cada familiar apresenta?

Cada familiar cumpre os requisitos gerais do artigo 62.3 da Lei 14/2013 e apresenta a sua própria pasta. Os documentos que costumam aparecer em todas as pastas de familiares são estes:

  1. Formulário de visto nacional e foto recente.
  2. Passaporte válido por mais de um ano.
  3. Certidão de casamento, de nascimento ou registro da união, com apostila.
  4. Seguro de saúde próprio, sem carências nem copagamentos.
  5. Antecedentes criminais e declaração responsável, para os maiores de idade.
  6. Prova de dependência, para filhos maiores e ascendentes.

Apostila e tradução

Os documentos públicos brasileiros levam apostila de cartório habilitado pelo CNJ. Os documentos em português precisam de tradução juramentada para o espanhol; o consulado indica os tradutores jurados nomeados pelo Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha, cujas traduções dispensam apostila. A lista completa está no guia dos documentos do visto de nômade digital na Espanha.

Quanto a família paga de taxas?

Na autorização de residência pedida à UGE, cada pessoa paga a sua própria taxa de 73,26 € no pedido inicial, segundo as perguntas frequentes da UGE. Uma família de quatro pessoas paga 293,04 € só de taxas da UGE.

No visto pedido no consulado, cada familiar também paga a taxa do visto na entrega: na tabela de taxas consulares da Embaixada em Brasília, de janeiro de 2026, o visto nacional custa R$ 570 por pessoa, o mesmo valor da tabela do Consulado-Geral em São Paulo.

O NIE tem taxa própria, de R$ 62. Uma família de quatro pessoas paga R$ 2.280 só de taxas de visto. Somam-se as certidões, as apostilas, as traduções e os seguros de saúde, que crescem com o tamanho da família.

Na hora de montar o orçamento, você deve somar todos esses custos por pessoa, e não só os do titular. Em famílias grandes, as certidões, as apostilas e os seguros podem pesar mais do que as próprias taxas.

Praia da Barceloneta, em Barcelona
Os familiares com autorização podem trabalhar na Espanha sem restrições.

Seguro de saúde para cada pessoa

O seguro de saúde é exigido para o titular e para cada familiar. Ele precisa ser de uma seguradora autorizada a operar na Espanha e cobrir os riscos do sistema público, sem carências nem copagamentos, como dizem as perguntas frequentes da UGE.

Uma apólice familiar pode cobrir todos ao mesmo tempo, desde que o nome de cada pessoa apareça no certificado. O seguro de viagem não serve, mesmo que a cobertura seja alta e inclua a família inteira.

Atenção: o seguro precisa estar em vigor para cada familiar desde a entrada na Espanha. Se você contratar só para o titular, o pedido dos familiares fica incompleto e pode ser recusado.

Próximos passos para a família

Comece pela conta da renda com o número de pessoas que vão junto e confira se ela fecha com folga. Depois, peça as certidões de cada familiar, com apostila, e escolha um seguro que cubra todos desde o primeiro dia.

Para ver todos os requisitos do titular, da empresa à renovação, leia o guia completo do visto de nômade digital na Espanha. Se você ainda compara os dois países, veja o texto nômade digital: Portugal ou Espanha.

Para a mudança da família como um todo, com escola, moradia e documentos, veja a nossa assessoria para morar na Espanha.

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Pedido da família revisado antes do consulado

Revisamos certidões, apostilas, traduções, seguros e a prova de dependência de cada familiar.

Quero revisar o pedido da família

Perguntas frequentes

A seguir, as dúvidas mais comuns sobre o visto de nômade digital na Espanha com família.

Quem da família pode ir com o nômade digital na Espanha?

Pelo artigo 62.4 da Lei 14/2013, podem ir o cônjuge ou companheiro, os filhos menores, os filhos maiores dependentes que não formaram família própria e os ascendentes a cargo do titular.

Quanto uma família de quatro pessoas precisa de renda em 2026?

Titular, cônjuge e dois filhos somam 325% do SMI. Em 2026, isso dá 3.968,25 € em 14 pagamentos, ou 4.629,63 € por mês em 12 meses.

O cônjuge do nômade digital pode trabalhar na Espanha?

Pode. Pela disposição adicional quarta da Lei 14/2013, os familiares com autorização podem residir e trabalhar sem restrições, por conta própria ou para empresas espanholas.

A família precisa pedir o visto junto com o titular?

Não. O artigo 62.4 permite pedido simultâneo ou sucessivo. Quando os pedidos são feitos juntos, a decisão sai ao mesmo tempo para o titular e para os familiares.

União estável vale para o visto de nômade digital?

Vale. A lei fala em relação de afetividade análoga à conjugal. A união precisa ser provada com documento oficial, como o registro em cartório, com apostila.

Rodrigo Maranhão, advogado

Quem escreve

Rodrigo Maranhão

Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.

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Fontes oficiais consultadas

  • Visado de residencia para teletrabajo (nómada digital) — Embajada de España en Brasilia, sección consular (exteriores.gob.es) (consultado em 25/10/2026)
  • Tasas consulares, tabla de 01/01/2026 — Embajada de España en Brasilia (exteriores.gob.es) (consultado em 25/10/2026)
  • Ley 14/2013, de 27 de septiembre, de apoyo a los emprendedores y su internacionalización, texto consolidado (arts. 62.3, 62.4 y disposición adicional cuarta) — BOE (consultado em 25/10/2026)
  • Real Decreto 126/2026, de 18 de febrero, por el que se fija el salario mínimo interprofesional para 2026 — BOE (consultado em 25/10/2026)
  • Preguntas frecuentes. Autorizaciones de residencia y trabajo de teletrabajadores internacionales — Unidad de Grandes Empresas y Colectivos Estratégicos (inclusion.gob.es) (consultado em 25/10/2026)
  • Visado de residencia para teletrabajo (nómada digital) e Legalización y apostilla de la Haya — Consulado General de España en São Paulo (exteriores.gob.es) (consultado em 25/10/2026)

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