Ordem dos Advogados · PortugalInscrição: 60554L
Ordem dos Advogados do Brasil · PernambucoInscrição: 22.372
Colegio de Abogados de Madrid · EspanhaInscrição: 144875
Quem tem visto D2 pode trabalhar em Portugal: na própria empresa, com o pedido de residência pendente e, com a autorização de residência, também com contrato noutra empresa, dentro dos limites da lei.
Se quer montar o projeto já a pensar na forma como vai trabalhar, veja como funciona a assessoria para vistos em Portugal do escritório.
Assessoria jurídica
Monte o D2 sem pôr a residência em risco
A equipe analisa como você pretende trabalhar em Portugal e organiza o projeto para que a empresa, o salário e a residência fiquem alinhados com a lei.
Contratar análise do casoConteúdo
ToggleQuem tem visto D2 pode trabalhar em Portugal?
Pode. O visto D2 existe justamente para quem vai investir e pôr um negócio a funcionar em Portugal, e o trabalho principal é o da própria empresa. A dúvida real costuma ser outra: que tipo de trabalho, quando e com que efeitos na residência.
A resposta muda conforme a fase do processo. Com o visto ainda por usar, com o pedido na AIMA pendente ou com a autorização de residência emitida, a Lei n.º 23/2007 trata o trabalho de formas diferentes, e convém conhecer cada uma.
A base legal em uma frase
O artigo 83.º da Lei n.º 23/2007 dá ao titular de autorização de residência o direito de exercer atividade profissional subordinada sem autorização especial. Antes disso, o artigo 81.º trata do trabalho na espera da decisão.
Por isso, antes de pensar em contratos e salários, vale entender em que fase você está e o que a lei permite nela. As seções a seguir seguem essa ordem, do visto até a renovação.
O que este guia não cobre
Este texto fala do empreendedor que cria ou compra uma empresa em Portugal. Quem pretende trabalhar como profissional liberal ou com contrato de trabalho desde o início costuma ter outros vistos mais adequados ao seu caso.
Resumo: o que pode e o que não pode
A tabela reúne, fase a fase, o que a Lei n.º 23/2007 prevê sobre o trabalho de quem chega a Portugal pelo visto D2.
| Situação | Trabalho | Fonte |
|---|---|---|
| Antes de entrar em Portugal | Preparação do projeto, sem trabalho em Portugal | Artigo 58.º |
| Pedido na AIMA pendente | Atividade profissional nos termos da lei, se o atraso não for seu | Artigo 81.º, n.º 4 |
| Com autorização de residência | Trabalho com contrato sem autorização especial | Artigo 83.º, n.º 1 |
| Na própria empresa | Gestão e trabalho no negócio | Artigo 89.º e Código das Sociedades |
| Projeto vira emprego | Pode exigir substituição do título | Artigo 89.º, n.º 3 |
| Na renovação | Empresa ativa e obrigações em dia | Artigo 78.º |
Posso trabalhar na minha própria empresa?
Sim, e é o que se espera de quem tem o D2. O artigo 89.º liga a autorização de residência do empreendedor a ter constituído sociedade nos termos da lei, e o trabalho do titular é, quase sempre, o motor dessa sociedade.
Na prática, você costuma ser sócio e gerente. O artigo 252.º do Código das Sociedades Comerciais diz que os gerentes são pessoas singulares com capacidade plena, e permite também que a empresa tenha gerentes de fora do quadro de sócios.
Sócio e gerente não são a mesma coisa
Ser sócio é ter uma quota da empresa. Ser gerente é administrá-la e representá-la. Você pode ser as duas coisas, e na maioria dos projetos do D2 é isso que acontece, porque o investidor é também quem toca o negócio.
A remuneração do gerente
Se você vai receber um salário da empresa, trate do assunto com o contabilista antes do primeiro pagamento. A remuneração do gerente tem regras próprias de impostos e de segurança social, e afeta as contas que a AIMA confere na renovação.
Eu costumo sugerir que essa decisão entre no plano do negócio desde o início. Um salário realista, pago com regularidade, ajuda a provar meios de subsistência e mostra que a empresa tem atividade de verdade.
Posso trabalhar enquanto espero a AIMA?
O n.º 4 do artigo 81.º prevê que, na pendência do pedido de autorização de residência por causa não imputável ao requerente, o titular do visto de residência pode exercer uma atividade profissional nos termos da lei.
Isso permite que a empresa comece a funcionar sem esperar pela decisão da AIMA, que tem 90 dias pelo artigo 82.º. Para quem abriu um restaurante ou uma loja, esses meses fazem toda a diferença no caixa.
O que quer dizer «não imputável»
A proteção vale quando o atraso não vem de você. Se o pedido parou porque faltou um documento que era sua responsabilidade entregar, a situação muda, e por isso o pedido completo é também uma proteção para o seu trabalho.
Os números que vêm com o visto
Pelo n.º 6 do artigo 58.º, com o visto é emitida uma pré-autorização de residência, com atribuição provisória de NIF, número da segurança social e número do Serviço Nacional de Saúde. São esses números que permitem pôr a empresa e os pagamentos a andar.
Atenção: guarde o comprovativo do pedido na AIMA num lugar fácil. Ele é o documento que mostra que o seu pedido está pendente e pode ser pedido pelo banco, pelo contabilista ou por um cliente.
Posso ter um emprego com contrato noutra empresa?
Com a autorização de residência emitida, o artigo 83.º diz que o titular tem direito, sem autorização especial, a exercer atividade profissional subordinada. Ou seja, a lei não exige uma licença à parte para você assinar um contrato de trabalho.
A questão prática é outra. A sua autorização de residência foi dada por causa de um projeto empresarial, e é esse projeto que a AIMA volta a conferir na renovação. Um emprego pode conviver com a empresa, mas não deve substituí-la sem planejamento.
Quando o emprego ajuda
Um trabalho de meio período pode reforçar os meios de subsistência nos primeiros meses, enquanto o negócio ganha clientes. Nesse cenário, mantenha a empresa ativa, com contabilidade e obrigações em dia, para que a renovação continue simples.
Antes de aceitar um emprego, confirme com o contabilista como o salário entra na sua declaração e se a empresa continua a cumprir as obrigações. Esse cuidado simples evita que um rendimento extra crie um problema na renovação.
Quando o emprego preocupa
Se a empresa para e você passa a viver só do salário, o fundamento da residência enfraquece. É nesse momento que vale analisar o caso com um advogado, antes da renovação e não depois de uma notificação da AIMA.

E se o projeto virar emprego?
O n.º 3 do artigo 89.º prevê que o titular de autorização de residência para atividade independente pode exercer atividade subordinada, mediante substituição do título, aplicando-se com adaptações o artigo 88.º. É a porta da lei para quem muda de caminho.
Cada caso precisa de uma leitura própria, porque a substituição tem requisitos e a data em que é pedida faz diferença. O mais seguro é tratar dela quando a mudança de vida é real, e não deixar a situação indefinida até a renovação.
Sinais de que é hora de rever
- A empresa deixou de faturar ou está parada há meses.
- Você recebeu uma proposta de emprego de tempo integral e quer aceitá-la.
- O salário passou a ser a sua principal fonte de rendimento.
- A renovação está a menos de seis meses e a empresa não tem atividade para mostrar.
Outros vistos para quem quer emprego
Se o seu plano é trabalhar com contrato desde o início, o D2 pode não ser o melhor ponto de partida. O guia sobre o visto D3 para profissionais altamente qualificados mostra uma alternativa.
Posso continuar a trabalhar para o Brasil?
Muitos empreendedores continuam com um negócio ou com clientes no Brasil nos primeiros anos. A Lei n.º 23/2007 não proíbe isso, mas a residência em Portugal continua a depender do projeto em Portugal, e é ele que precisa de aparecer nas contas.
Atenção às ausências
O artigo 85.º prevê o cancelamento da autorização temporária com ausências sem razões atendíveis de seis meses seguidos ou oito interpolados, no período de validade. Quem divide o trabalho entre os dois países precisa de contar os dias fora.
Se você vai manter clientes no Brasil, defina desde o início qual empresa fatura cada serviço. A empresa portuguesa deve ter clientes, contratos e faturas próprios, para que a atividade em Portugal fique clara para a AIMA.
Trabalho remoto é outro visto
Se o seu plano é viver em Portugal trabalhando sobretudo para clientes ou empregadores de fora, o visto de nômade digital pode ser mais adequado. O guia do visto para nômade digital explica as regras.
Atenção: rendimentos no Brasil e em Portugal podem ter efeitos fiscais nos dois países. Antes de decidir como vai receber, fale com um contabilista que conheça os dois sistemas, para não ter surpresas na primeira declaração.

A família pode trabalhar?
Cada familiar tem os direitos do próprio título. O cônjuge e os filhos que chegam com visto de acompanhamento ou por reagrupamento recebem a sua autorização de residência, e os direitos ligados ao trabalho seguem esse título e a lei.
Na prática, muitas famílias do D2 trabalham juntas no negócio. Nesse caso, a forma como o cônjuge entra na empresa, como sócio, gerente ou empregado, tem efeitos diferentes nas quotas, nos impostos e na segurança social.
Se o cônjuge vai trabalhar na empresa, defina o papel dele por escrito desde o início. Um contrato claro, ou uma quota registrada, evita dúvidas na renovação e protege a família se o negócio crescer ou mudar de rumo.
Como trazer a família
O cônjuge e os filhos podem pedir o visto ao mesmo tempo que você, pelo n.º 5 do artigo 58.º. O guia sobre morar em Portugal com família ajuda a planejar escola, casa e adaptação.
O que a AIMA confere na renovação?
O artigo 78.º manda pedir a renovação até 30 dias antes do fim do título e exige meios de subsistência, alojamento, obrigações fiscais e de segurança social cumpridas e ausência de condenação. Para o empreendedor, a empresa ativa é a prova central.
Eu recomendo juntar esses documentos ao longo dos dois anos, e não nas semanas antes do prazo. Uma pasta atualizada todos os trimestres poupa tempo e mostra, com clareza, a evolução do negócio.
Os documentos que contam
- Certidão permanente da empresa atualizada.
- Declarações de situação regularizada nas Finanças e na segurança social.
- Contas e faturação da empresa no período do título.
- Prova de meios de subsistência e de alojamento.
O trabalho que você fez aparece aqui
É na renovação que as escolhas sobre trabalho mostram efeito. Uma empresa com atividade, salários pagos e contas em dia renova sem drama, e um projeto parado obriga a explicações que poderiam ter sido evitadas.
Assessoria jurídica
Visto D2 com advogados desde o projeto
Preparamos o pedido no consulado e na AIMA e orientamos as escolhas que pesam na renovação, como a remuneração na empresa e outros trabalhos.
Quero assessoria jurídicaQue erros evitar ao trabalhar com o D2?
Os erros mais comuns não têm a ver com o direito de trabalhar, mas com a forma de trabalhar. Quase todos aparecem na renovação, quando já é tarde para corrigir o que ficou mal organizado nos dois primeiros anos.
Misturar contas
Pagar despesas pessoais pela conta da empresa, ou o contrário, confunde a contabilidade e enfraquece a prova de atividade. Desde o primeiro mês, mantenha contas separadas e um contabilista a acompanhar os movimentos.
Deixar a empresa sem atividade
Uma empresa registrada mas sem faturação, sem despesas e sem trabalho visível é difícil de defender na renovação. Mesmo num início lento, registre o que a empresa faz: contratos, propostas, faturas e fornecedores.
Trocar de vida sem trocar de título
Aceitar um emprego de tempo integral e deixar o negócio de lado, sem tratar da substituição do título, é o erro com efeitos mais sérios. Quando a vida muda, o título deve acompanhar a mudança.
Por onde começar o projeto?
Se você ainda está na fase de escolher o negócio, comece pela forma jurídica e pelo plano de trabalho. A empresa que você cria define como vai trabalhar, como vai receber e o que vai mostrar à AIMA.
Primeiro a empresa, depois o salário
O guia sobre como abrir empresa em Portugal explica os tipos de sociedade e os passos no Instituto dos Registos e do Notariado. Com a empresa definida, fica mais fácil decidir a sua remuneração.
O NIF vem antes de tudo
Sem número fiscal, não há empresa, conta nem contrato. O guia sobre como obter o NIF mostra como pedir o número à distância, antes mesmo de marcar o visto.
Conclusão
Quem tem visto D2 pode trabalhar em Portugal, e deve: a residência depende de um negócio vivo. O cuidado está em manter o projeto no centro, usar o emprego com planejamento e tratar da mudança de título quando a vida mudar de rumo.
Se você quer organizar o projeto já a pensar em como vai trabalhar e receber, a equipe do escritório pode ajudar a alinhar empresa, salário e residência desde o primeiro dia.
Este texto faz parte do guia completo do visto D2 Portugal. Se o seu próximo passo for outro, veja também o que fazer depois do visto D2 e visto D2 com a família, escritos com a mesma base nas fontes oficiais.
Perguntas frequentes
A seguir, respondemos às dúvidas mais comuns sobre quem tem visto D2 e quer trabalhar em Portugal.
Quem tem visto D2 pode trabalhar com contrato noutra empresa?
Com a autorização de residência, o artigo 83.º da Lei n.º 23/2007 permite atividade subordinada sem autorização especial. A residência, porém, continua ligada ao projeto empresarial que a AIMA confere na renovação.
Posso trabalhar enquanto espero a decisão da AIMA?
Sim, nos termos do n.º 4 do artigo 81.º: com o pedido pendente por causa não imputável a você, o titular do visto de residência pode exercer uma atividade profissional nos termos da lei.
Posso ser gerente da minha própria empresa com o D2?
Pode, e é o mais comum. O artigo 252.º do Código das Sociedades Comerciais exige que os gerentes sejam pessoas singulares com capacidade plena, e o sócio investidor costuma assumir a gerência.
O que acontece se eu largar a empresa e ficar só com o emprego?
O fundamento da residência enfraquece. O n.º 3 do artigo 89.º prevê a substituição do título para quem passa a atividade subordinada, e o ideal é tratar dela antes da renovação.
Posso continuar a trabalhar para clientes no Brasil?
A lei não proíbe, mas a residência depende do projeto em Portugal, e o artigo 85.º limita as ausências. Veja também os efeitos fiscais nos dois países com um contabilista.

Quem escreve
Rodrigo Maranhão
Sou advogado inscrito no Brasil, em Portugal e na Espanha. Na Vilanova Maranhão Advogados, em Lisboa, acompanho brasileiros que querem morar em Portugal ou na Espanha. Também conheço essa realidade como imigrante: vivo na Europa há quase dez anos.
Ordem dos Advogados · Portugal · Inscrição: 60554L
Ordem dos Advogados do Brasil · Pernambuco · Inscrição: 22.372
Colegio de Abogados de Madrid · Espanha · Inscrição: 144875
Fale com o advogado
Assessoria completa para o visto D2
Do projeto à autorização de residência e às renovações, com advogados inscritos em Portugal e no Brasil e escritório em Lisboa.
Contratar a assessoriaFontes oficiais consultadas
- Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, versão consolidada (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)
- Código das Sociedades Comerciais, versão consolidada (Diário da República) (consultado em 25/10/2026)